Antônio Cândido Ribeiro
Pois é (gosto de começar crônicas com “pois é”), o mês de fevereiro já vai praticamente pela metade e a Terra continua seu giro pelo espaço e a vidinha nossa de cada dia continua sua jornada em direção ao amanhã. Em síntese, apesar dos óbvios reflexos negativos na vida de milhões de pessoas pelo mundo afora, a tal crise da economia mun-dial (tsunami para uns, marola para outros) não fez o mundo parar nem acabou com a vida em nosso planeta. Ao contrário, mostrou que, a despeito da globalização, é possível encontrar soluções para problemas comuns a todos, respeitando as peculiaridades sócio-econômicas (esse hífen vai dançar, não é?) e culturais de cada país.
Aliás, de rigorosamente comum, no enfrentamento da dita crise, viu-se o socorro estatal a empresas e instituições financeiras privadas, como que para mostrar que o Esta-do, que muitos querem mínimo e afastado do deus mercado, precisa controlá-lo de algu-ma forma, através de processos regulatórios demonizados pelos defensores mais exacer-bados da livre iniciativa. Sem a presença reguladora do Estado, como querem grandes e pequenos capitalistas e especuladores, a economia global quase foi para o saco. Só na hora aguda da crise é que banqueiros, financistas e grandes empresários, de chapéus nas mãos, se deram conta de que a malversação dos recursos econômicos postos a disposição deles, inevitavelmente acabaria produzindo os resultados que produziu. Houvesse maior presença do Estado nas relações econômicas, houvesse regulação na macro-economia (mais um hífen que bailará!) e, certamente, a crise, se ocorresse, seria muito menor e teria conseqüências muito menos nefastas pata todos.
Mas não estou aqui para falar de Economia, que é tema árido e complexo. Quero é falar da vida, da vida que não se submete a regras ditadas por “sábios” poderosos e en-dinheirados. Da vida que nos surpreende, que se renova, que nos refaz, que se recicla e permite que nos reciclemos, que nos reanima, que se reorganiza no espaço infinitesimal do núcleo de um átomo. Quero é falar da vida que está nas ruas, nos bares, nos lares, nas gares. Da vida que há na asa do pássaro, na água que brota da fonte, no sorriso da menina bonita, que desfila com ar de quem se sabe inacabado projeto de deusa.
É, a vida é maior que a Economia; é maior que a reforma ortográfica. A vida é maior que os possíveis efeitos eleitorais da plástica da ministra Dilma e é maior que a popularidade do Presidente Lula, cada vez mais sofisticado e mais idolatrado pelo povo. A vida é maior que a febre amarela, que mata bugios e se alastra pelo pampa, e é maior que as reações orgânicas provocadas pela vacina que nos imuniza contra ela (são tantas as reações, que mesmo quem não se vacinou “sente” seus efeitos). Virou desculpa para tudo, especialmente para a preguiça e para a ressaca. Mas, que graça teria a vida sem cria-tividade?