Momentos de aflição e de terror. A família Borges da Rosa que se encontrava em férias em chácara na localidade de Estância Velha, distrito de Boca do Monte, teve o descanso interrompido por volta das 18h30 de quinta-feira devido ao ataque de enxame de abelhas africanizadas. As seis vítimas foram socorridos por vizinhos e pelos bombeiros.
Em função do incidente, duas das vítimas seguiam internadas em estado regular no final da tarde desta sexta-feira: a garota Paula Borges da Rosa, 11 anos, na CTI Pediátrica, e a avó dela, Neusa Picine Borges, 81 anos, na CTI Adulta. Eles estão no Hospital de Caridade, onde também ainda se encontram os pais da garota Paulo, 51, e Nara Adelaide, 46, e um dos irmãos Felipe, 16. O terceiro filho do casal, que também levou ferroadas, foi medicado e liberado no mesmo dia.
Uma das vítimas, o funcionário público Paulo, 51, conta que estava em Santa Maria quando recebeu ligação pelo celular com o pedido de ajuda. Ele diz que acabou levando ferroadas por quase todo o corpo ao tentar socorrer a sogra que estava caída perto da colmeia. “Já estou me sentindo bem melhor. Senão fosse a ajuda do pessoal do Posto de Saúde da Tancredo Neves e dos bombeiros poderia ter sido uma tragédia. Agora é torcer pela recuperação dos outros”, comenta.
“Coisa horrível. Nunca tinha visto nada igual. Quanto cheguei na casa, a Paula e o Felipe estavam do lado de fora, enrolados em lençol e pretos de ferrão. A primeira atitude foi levá-los até o Pronto Atendimento do Patronato que deu o devido encaminhamento aos dois”, relata o agricultor Leandro Gonçalves Borin, 28 anos, um dos vizinhos que correu para prestar socorro à família.
Até o socorrista dos bombeiros, Vanderlei Pereira da Silva, um dos que atendeu a idosa, ficou impressionado com o número de abelhas e ferrões que retirou dos cabelos e corpo da vítima durante o trajeto de 20 quilômetros até o hospital. “A gente não sabe como ela suportou tanta ferroada”, comenta.
No momento do ataque dos insetos, eles colhiam melância em lavoura próximo a uma das quatro caixas com abelhas existentes na propriedade. Existe a possibilidade de que uma das frutas tenha rolado e batido na colmeia. Durante a tentativa de fugir da fúria dos insetos, a família acabou batendo a camioneta onde pretendia transportar a colheita e perdeu ainda dois óculos de grau: um da idosa e o outro da esposa de Paulo. Nessa sexta-feira abelhas ainda continuavam agitadas.
Ataques de abelhas
No mês de janeiro deste ano, os bombeiros atenderam a 617 casos de ataques de abelhas no Estado. Somente em Porto Alegre foram 125. Em 2008, foram atendimentos 5.698 casos de ataques desses insetos.
Na cidade, segundo o presidente da associação de Apicultores, Sílvio Lengler, ataques como o que ocorreu na última quinta-feira em Boca do Monte são raros.
Conforme Lengler, três fatores que podem ter contribuído para tal incidente: o fato da colmeia estar cheia de mel; estar instalada em local impróprio (perto de lavoura ou de residência, quando que o correto seria em mato afastado) e a variação de temperatura dos últimos dias.
“Em caso de um ataque, a vítima deve se jogar dentro de um local com água ou correr para lugar fechado”, recomenda.
O biólogo da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de Porto Alegre, Rodrigo da Cunha, orienta as pessoas a tentarem manter a calma na hora dos ataques, que começam com poucas abelhas.
Será que os técnicos em apicultura não poderiam capturar a rainha e os milhares de integrantes dessa agressiva colméia de abelhas e soltá-los na Câmara Federal e em outros locais de Brasília e do país para que os nobres políticos tomassem umas ferroadas providenciais em seus ilustres glúteos e se pusessem a trabalhar duma vez ?
James Pizarro
Florianópolis