Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009 22:58

Agora um “Q.S.” para você medir..

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Postado por Jornal A Razão em Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009, 22:58
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Fábio Vasconcelos
Arquiteto, Teólogo e Deão da Catedral Anglicana do Mediador

Certa vez, quando ainda era criança, passava pela sala de jantar e observei meu irmão mais velho sentado à mesa, com um relógio do lado, e escrevendo atentamente em um caderno, Ele olhava sistematicamente para os minutos passados a sua frente e anotava questões. Naquela ocasião perguntei a ele o estava fazendo e prontamente obtive sua resposta: Estou fazendo um teste de “Q.I.”… Depois daquele dia fiquei curioso para saber o que era aquele tal “Q.I.” e descobri que era uma medida de inteligência. O meu irmão estava desejoso em saber o quanto “inteligente” ele era, e para isso ele se utilizava de um dos inúmeros testes que se propõem a medir a inteligência das pessoas.

O “Q.I.” (quociente de inteligência) mede-se por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas (inteligência) de um sujeito. Esses começaram a ser utilizados cientificamente na França no inicio do século XX. Durante um tempo o “Q.I.” foi alvo do orgulho e arrogância de muitos. Lembro-me de pessoas que mencionavam de boca cheia: Ah… Meu “Q.I.” está acima de 110 pontos! Logo eu sou acima da média!

Entretanto, na década de 90 surge um novo tipo de inteligência mensurável chamado de “Inteligência Emocional”. Ela tornou-se tema de vários livros campeões de vendas e de uma infinidade de discussões televisivas, em meios educacionais e empresas. Foi o redator de ciência do New York Times, Daniel Goleman, que em 1995, despertou esse interesse público quando na edição de outubro, a revista Time pergunta ao leitor: “Qual é o seu ‘Q.E.’ ?” Ou seja: Qual é seu Quociente Emocional?
Sempre que penso sobre isso vem a minha mente a imagem de um sujeito com um “Q.I.” elevado tendo que decidir em apertar um botão de um míssil nuclear em meio a um tsunami e alguém gritando no seu ouvido: Aperta! Aperta! Resolve! Resolve! E ele, vencido, tendo um imediato surto… Claro, uma pessoa emocionalmente equilibrada decide sempre melhor que uma que, apesar da genialidade, é extremamente inseguro…

Provou-se que a inteligência humana não é regida somente pela razão, mas também pelas paixões. Hoje, nos EUA muitas empresas importantes já utilizam uma medida chamada “Q.E.” (quociente emocional) em vez do cartesiano “Q.I.” na escolha do pessoal de escalão superior. Muitos justificam que, de nada vale, para um candidato a gerente, ser inteligente e saber muito sobre tecnologia e ser um estourado, um mal-humorado ou um assediador sexual.

Por sua vez, atualmente, tem-se falado do desenvolvimento de outra inteligência: a Inteligência Espiritual. Ela está relacionada à necessidade humana de ter propósito e sentido na vida. Logo o “Q.E.” (quociente espiritual) é uma relação de medida diretamente ligada a nossa existência e que nos leva a noção de éticas, valores e crenças que norteiam as ações do nosso cotidiano. Apesar de o termo remeter a um sentimento religioso, ele tem sido utilizado para referir-se a atitudes de ousadia, intuição, fé, autoconfiança, convicção, além de desenvolver valores que sensibilizam a sociedade, tais como a generosidade, o senso de justiça, o contentamento. Em alta no mercado profissional, essas atitudes determinam o perfil do sujeito, do parceiro, do colaborador, do trabalhador, do amigo, ou do
empreendedor desejado…

As neurociências e a neurolinguística já apresentam evidências da existência desse tipo de inteligência, através da qual captamos fatos, idéias e emoções. A capacidade de se perceber-se inserido em contextos maiores que tornam o ser humano mais sensível aos valores e as questões ligadas à divindade e à transcendência. Essas ciências também afirmam que a espécie humana se diferencia evolutivamente das outras por uma região dos lobos temporais do cérebro batizada de “o ponto Deus”.

O “Q.S.” é definido como fonte do equilíbrio, do nível máximo da lucidez no ser humano, fonte do bom senso, como uma forma de percepção que permite compreender que o todo é maior do que a soma das partes. Desperta o interesse pela busca da felicidade e a da capacidade de realização pessoal.

Hoje, olhando para a vida do meu irmão mais velho, percebo que diante dos desafios de sua vida ele criou situações novas, compreendeu a necessidade de mudar de rumo, de investir mais em um novo projeto, de dedicar mais tempo à sua família. Não sei qual foi o resultado do seu teste de “Q.I.” há alguns anos atrás, mas posso afirmar mesmo sem olhar para os “minutos do relógio” percebo o alto desenvolvimento de sua Inteligência Espiritual, e que tem feito uma grande diferença em sua vida.

E você? Qual é a medida do seu “Q.S.”?


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