
Moradores mostram o lugar onde deveria ter sido construída a estrutura - Foto Osvaldo Melo / A Razão
Lizie Antonello
Fausto Pozzobon, 90 anos, lembra bem do dia em que a esposa teve que ser carregada por bombeiros sobre uma pinguela – espécie de ponte, construída com arames e madeiras – há cerca de oito ou nove anos. “Ela teve um derrame, o rio estava cheio e não havia outro meio de atravessar”, conta o morador mais antigo da localidade.
O agricultor, que se orgulha em dizer que também já foi carroceiro, na época em que não existia a profissão de caminhoneiro por esta região, nasceu no distrito e espera ver concretizado o sonho de ter uma ponte erguida no local.
A estrutura vai ligar a estrada do distrito de Santa Maria – Três Barras – a uma outra que faz a ligação com o município de Itaara, passando sobre o Arroio Grande. Além de ser utilizado pelos moradores, que precisam se deslocar de um lugar para o outro, o trajeto ainda é rota de transporte de fumo – principal cultura do distrito.
Enquanto a obra não sai, a passagem de veículos é feita por uma pequena barragem de pedras e concreto. Em tempos de estiagem, no verão, a travessia é considerada até mesmo agradável pelos visitantes e como parte de um roteiro de bela paisagem.
O problema começa quando chega o inverno, ‘estação da cheia’. A água do Arroio sobe, encobre e impede a passagem de veículos e pessoas. Ao longo dos seus 90 anos, Fausto presenciou muitos animais e carros sendo levados pela correnteza. Ele recorda do período em que a contenção foi inaugurada, há 40 anos. “Fiz festa, com o filho nos braços”, lembra, apontando para Valmir, de 41 anos.
Perigo – Hoje, um outro morador da vizinhança, Dari Dalla Lana, 53 anos, se arrisca ao passar pelo local. “Tenho que ir ao outro lado buscar fumo, mas se o rio está cheio não tem como passar”, considera.
Mesmo a travessia pelo pontilhão fica perigosa. “Muitas vezes tive que passar pela estrada completamente inundada ao fim da pinguela”, comenta o vizinho Edemar Sanmartin, 70 anos.
Segundo relato dos agricultores, também não foram poucas as vezes em que a estrutura foi arrastada pela força da água e teve que ser reconstruída. “Fui um dos que ajudou a fazer essas cordas (de arame) que sustentam a pinguela”, diz Fausto.
A falta da ponte preocupa as gerações mais novas da família. Daqui alguns dias, a neta de Fausto e filha de Valmir, Jamile, 6 anos, vai começar a frequentar a escola. O pai da menina está apreensivo. Nem o ônibus que faz a linha para o distrito, nem o do transporte escolar cruza na estrada que fica próxima a casa da família. “Ela vai precisar passar pela pinguela, assim como as outras crianças, para ir ao colégio”, lamenta.
O risco aumenta no inverno. “Às seis horas da manhã, quando as crianças costumam sair, e às seis da tarde, quando retornam, ainda é escuro e não há iluminação alguma”, reforça o pai.
Projeto pode ser retomado
Conforme os moradores, há uns dois anos uma equipe da prefeitura esteve no local, deixou parte do material que seria usado para construir a ponte depositado na beira da estrada e não voltou. As vigas de ferro permanecem no mesmo lugar, parcialmente corroídas pelo tempo e empoçando água da chuva.
No último domingo (dia 22), o secretário de Obras, Haroldo Pouey esteve visitando a comunidade. Ele se comprometeu em procurar e retomar o projeto de construção da ponte. “Até agora não encontrei o projeto, mas vou tentar verificar se ele existe”, afirma.
De acordo com Pouey, a prefeitura vai se empenhar se for preciso elaborar um novo projeto, fazer levantamento da área e de custos. “É um pleito pertinente, mas não podemos fazer promessas de construção”, explica.
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Anotem a data de hoje : 27 de fevereiro de 2009. E depois comparem com a data da inauguração dessa ponte. Se é que ela vai ser construída a tempo de ser vista pelos moradores itados acima…
James Pizarro
http://www.professorpizarro.blogspot.com