Pedro Brum dos Santos
Domingo, Ã espera do Grenal, aterrissei na TVE que passava Brasil e Inglaterra, Copa de 70.
A partida contra os então campeões do mundo foi das mais difÃceis na memorável e inesquecÃvel jornada do tri. Ganhamos de 1 a 0 e lembro do imenso sofrimento desse jogo, que ouvi pelo rádio.
Sua releitura quebrada, na tarde insone de domingo, serviu-me para perceber o quanto o futebol mudou de lá para cá. Uma diferença gritante é a perda imensa de tempo. A bola parava muito, os jogadores, em geral, recebiam atendimento dentro do campo de jogo, o sistema de reposição das laterais era deveras lento. Há um lance em que Brito chuta para a torcida e todos esperam que o torcedor devolva a bola para a execução da lateral. O maior diferencial, porém, é a superioridade dos ataques sobre as defesas.
Graças a isso, celeiro de jogadores habilidosos, inclinados para o gol, destemidos na definição pessoal, o Brasil imprimiu sua marca e reinou praticamente sozinho entre os decênios de 50 e 60. Até que seus adversários priorizassem o contraveneno a partir das armações defensivas. Nos minutos que assisti, diante da pressão da Inglaterra, era zagueiro nosso batendo cabeça, lateral errando em bola, um tal de espanta de qualquer jeito, onde brilhavam mesmo as impulsões de Félix e seus impiedosos soqueares de punhos duplos.
Em contrapartida, é bonito de se ver nossa precisão de passe, a bola longa para a frente. E tÃnhamos um timaço de lançadores em 70: Gérson, Clodoaldo, Tostão, Rivelino e por aà afora. O espetáculo, porém, está no ataque. Tem-se, mesmo, a sensação de que a disputa pra valer – com velocidade, dribles, entrechoques – e, naturalmente, gols – somente ocorria nos lances de frente. Era como se, todos os demais fossem meros figurantes, encarregados de fazer o tempo passar, até que a bola chegasse lá adiante, onde ocorria o jogo de verdade.
Pena que tive que interromper minha volta no tempo. O Grenal me chamava. E com ele, enfim, como convém aos dias de hoje, um jogo de campo inteiro.