
Rodrigo Fernández mostra as fotos das filhas que estão na Paraíba. Pouco mais de R$ 600 o separam de voltar para casa - Foto Eduardo Barreto / A Razão
Maiquel Rosauro
Um assalto em Porto Alegre separou o chileno Rodrigo Alberto Morales Fernández de sua família. Há cerca de um mês ele está em Santa Maria e precisa de ajuda para voltar para casa, em João Pessoa, na Paraíba. No Nordeste, Fernández tem uma esposa, uma filha de 7 anos e outras duas gêmeas de 1 ano e oito meses. No final do ano passado, ele viajou sozinho para o Chile para visitar sua mãe que estava muito doente. Para voltar para casa, ele faria uma baldeação na Estação Rodoviária da capital gaúcha, mas foi roubado por um homem um revólver momento antes de comprar o bilhete para casa.
Sem recursos financeiros e sem ter como voltar para sua família, o estrangeiro conseguiu uma carona para Santa Maria. “Me disseram que aqui era mais tranquilo, com menos assalto e eu conseguiria um emprego”, conta. Ao procurar ajuda na Mitra Diocesana, Fernández conseguiu estadia na Paróquia do Perpétuo Socorro, onde também vive um padre chileno. O curioso é que Fernández mora na Paraíba exatamente por acreditar que lá é um lugar mais “tranquilo”.
“Minha esposa é de Minas Gerais. Fomos para a Paraíba porque lá tem emprego. Eu trabalho em um restaurante na praia”, relata.
A passagem rodoviária para João Pessoa custa em torno de R$ 600. Porém, o estrangeiro não pede dinheiro. “Eu quero um emprego para conseguir a quantia que preciso. Minha família cobra minha volta, mas ainda não consegui juntar tudo o que preciso”, explica.
Fernández é cozinheiro, com experiência em cozinha internacional. Ele também atua como garçom e, obviamente, tem espanhol fluente. O estrangeiro afirma ter procurado ajuda na Prefeitura e em órgãos de assistência social, mas não conseguiu ajuda. Neste último mês, ele já conseguiu pequenos trabalhos, mas nenhum que lhe rendesse a quantia necessária para a viagem.
Na igreja, ele participa da Renovação Carismática Católica e já conquistou a simpatia da comunidade. “Ele é o nosso quebra-galho, sempre ajuda em tudo o que precisamos”, afirma a secretária da paróquia, Marta Rodrigues. Aliás, ele já está escalado para ajudar nos preparos do almoço do próximo domingo, que será comercializado no local. “Teve um dia que ele queria fazer umas comidas japonesas para nós”, lembra Marta.
No local, ele também encontrou o seminarista argentino Adrian Gustavo Arjona, que o ajuda nas dificuldades. “É muito bom poder ajudar e também poder conversar em espanhol, embora algumas palavras do meu espanhol sejam um pouco diferentes do espanhol dele”, explica Arjona.
Quem quiser ajudar Fernández, basta entrar em contato com a Paróquia do Perpétuo Socorro, pelo telefone 3221-5764. “Só quero um emprego para conseguir dinheiro e voltar a ver as minhas filhas, faz três meses que não vejo as pequenas”, resume. Muito solicito, ao fim da entrevista realizada ontem à tarde, o cozinheiro pediu desculpas por qualquer inconveniente e agradeceu em seu idioma a ajuda da imprensa: “muchas gracias periodista”.
Parabéns A Razão, por preocupar-se com as pessoas. Um jornal que não se preocupa apenas com o sensacionalismo merece o nosso aplauso. Rodrigo é uma pessoa de alto valor humano, tanto que aceitou o convite e pediu para viajar apenas no domingo, para poder ajudar a comunidade no almoço. Sua pessoa deixará saudade entre nós. Certamente sua passagem em nossa comunidade não foi por acaso, pois uniu pessoas para ajudá-lo, como o bom costume dos cristãos católicos.