Máximo Trevisan
Acabamos de ler o Caderno Especial da Folha de São Paulo (edição de 15 de março),onde constam os dados da pesquisa Datafolha sobre idosos brasileiros, resultado de entrevistas com 1.238 pessoas de mais de 60 anos, espalhadas em 140 municípios de 24 Estados e do Distrito Federal. O levantamento ocorreu em novembro de 2008.
Diante da pergunta “Existe preconceito contra os mais velhos no Brasil”, 87% responderam afirmativamente; muito, 52%; um pouco, 30%. O assunto velho/idoso precisa ser colocado sobre a mesa para ser encarado de frente, na busca do encontro com a verdade. Os velhos, no país, não precisam de compaixão, mas de respeito. O Brasil está envelhecendo cada vez mais: no início do século passado, a expectativa de vida ao nascer era de 34 anos; em 2007, último dado do IBGE, a expectativa passou para 72,6 anos, uma mudança (poder-se-ia usar o termo fantástica?) aconteceu no mundo e no Brasil e conhecê-la interessa não só aos que estão há tempo no caminho como aos jovens que pretendem nele permanecer por longo tempo…Velho só pode assim se considerar quem já gozou do privilégio de ter vivido muito. Jovem só é quem poucos anos de vida tem.
A pesquisa revela dados novos, importantes e fundamentais: 54% dos aposentados recebem um salário mínimo mensal. Isso é Brasil. Perguntamos: é possível ser feliz nessa situação? Os idosos surpreendem ao responderem à pergunta “Você se considera feliz?”: 78% responderam sim, 20% mais ou menos, 2% que se julgam infelizes. Outros dados: saúde é ótima/boa para 51%; só 28% têm plano particular de atendimento; casa própria e saúde são os dois maiores sonhos; 74% dos homens dizem fazer sexo, 76% das mulheres falam que não; 78% têm netos; 92%, filhos;47% são casados, 33%, viúvos, 11%, separados e 8%, solteiros; 02 em 10 vivem sozinhos.
Francisco Daudt (60), psicanalista, autor de “O Aprendiz do Desejo”, escreve: “Decidi que a morte é um momento de nossa vida, e ela não roubará de mim nada além do que isso: seu momento. Enquanto isso só tenho uma idade:estou vivo!”
Há os que idealizam a velhice; há os que a detestam. Há os que a aceitam como um desafio de viver com todas as suas limitações, circunstâncias e possibilidades, com todas as qualidades e defeitos que a acompanham. A sabedoria de viver não estaria em saber quem e o quê somos? Por outro lado, todos desejamos/sonhamos viver bastante, salvo exceções. Conquistar a velhice só é possível envelhecendo, e saber envelhecer (se possível, com felicidade) é o grande e intransferível desafio de cada ser humano, neste tempo de tanta ameaça, injustiça, violência e desrespeito, mas também de tantas possibilidades que levam à longevidade com qualidade e sentido maior de vida.