Padre Francisco Bianchini
Apenas uma semana nos separa dos grandes acontecimentos pascais, mas é tempo suficiente, se quisermos, para refletirmos a respeito dos maiores e mais impressionantes acontecimentos que dizem respeito aos cristãos.
Penso que, nesta semana, todos nós somos convidados a parar um pouco e a nos perguntar como vivemos este tempo de quaresma, até o momento. Estamos dispostos a acolher o dom preciso que Deus nos oferece, do seu amor infinito e misericordioso? Queremos, realmente, celebrar o maior gesto de amor possível, que é dar a vida de forma total e livre para que tenhamos vida?
Como faria bem a todos nós se escutássemos a palavra de Jesus que afirmou com tanta clareza: “Eu não vim para condenar o mundo, mas para salvar o mundo”. (Jo. 3, 17)
Marcados que somos por uma cultura condenatória, como nos faz bem ouvir esta declaração de Jesus, que não é para os outros, mas para cada um de nós! Por isso, convido a todos que façamos deste tempo um tempo de sensibilização de nosso coração, de sensibilidade de vida e, sobretudo, de humildade, para nos colocarmos como aprendizes e necessitados de amor misericordioso.
Convido a todos para fazermos desta última semana antes da semana pascal dias de oração, de escuta e de exercícios de fraternidade, pois uma boa festa, um grande acontecimento sempre é precedido de preparação, cuidados e expectativas. Permitamos que nossa mente e nosso coração se deixem tocar pela compaixão de Deus, pelo dom de Deus.
Felizes são aqueles que não só sabem o que é Páscoa, mas a vivem e celebram no seu verdadeiro sentido. Felizes os que não se deixam iludir pelo exagero apelativo do comércio que se reveste do clima pascal, com o objetivo apenas de vender. Felizes aqueles que aproveitam a beleza dos supermercados e lojas para refletir e se revestir de sentimentos e atitudes pascais.
Uma das condições para celebrar a Páscoa do Senhor é programar-se. Você já está se programando para celebrar este momento especial? Com certeza, se você não se programar outros o programarão. Nós todos sabemos que há uma tendência normal à cultura do feriadão. Será que Páscoa também se tornou sinônimo de feriadão? Será que Páscoa reduziu-se a banquetes e ceias, a presentes e viagens? Será que a mensagem e a vida de Cristo, seus gestos, sua entrega são esquecidos ou relegados a segundo plano? O Evangelho de São João afirma que “A Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à Luz”. (Jo. 19) Essa afirmativa, na verdade, ainda é uma realidade hoje.
A sociedade hoje, mais do que nunca, clama por paz, justiça, amor, pois em Cristo temos a resposta: Ele nos afirma “Eu vim trazer a Paz, não como o mundo quer dá-la, dou a minha Paz”, isto é, a paz sem interesses, sem segundas intenções, sem condições. Este desejo de Cristo foi tão forte que, diante da recusa da Paz, Ele chora e exclama: “Jerusalém, Jerusalém se tu soubesses quem pode te dar a Paz”. (cf. Lc. 41- 43) Será que hoje é muito diferente do que em Sua época?
Meus caros leitores, convido-os para fazermos desta semana uma rica oportunidade de acolhimento, de busca da paz verdadeira, de compreensão do verdadeiro sentido da festa que se aproxima. Acompanhemos Jesus em sua trajetória de manifestações de amor incondicional por nós.