Fábio Vasconcelos
Arquiteto, Teólogo e Deão da Catedral Anglicana do Mediador – IEAB
A “sexta-feira da Paixão” sempre passa uma idéia de tristeza, lamento, contrição para aqueles que vivenciam a mensagem cristã com aquela tônica de devoção popular. Bem, sempre me recordo das “sextas da Paixão” como aqueles dias em que todo mundo fica “triste” por que Cristo morreu. Todavia, na minha infância da fé eu sempre me perguntava que “paixão” era essa… Só castigo e dor diante de um homem que era o amor em pessoa…
A palavra Paixão vem do grego Patos, mesma raiz para sofrimento, dor, e o mais interessante, é que relacionamos diretamente alguém que está apaixonado com a imagem de alguém que está “morrendo de amores” por seu objeto de desejo. A paixão “adoece” aos apaixonados… Certamente descobri depois de amadurecer um pouco mais espiritualmente que o olhar para a Paixão do Cristo é um olhar de admiração e motivação radical ante aquela imagem de suma tristeza e melancolia vivida por alguns.
Creio num Deus que é apaixonado. Um Deus apaixonado por algumas coisas e que apaixonadamente detesta outras. Quando temos a oportunidade de perceber isso, observamos que somos apaixonados desmedidamente também. Pode ser paixão por um problema, por um valor ético, por um grupo de pessoas, por uma causa comum ou incomum, por um projeto, por uma pessoa, pela existência, ou até pela morte… O que quer que seja, é algo que nos importa, que sempre estaremos compelidos a falar a esse respeito e a fazer o que estiver ao alcance para nos mover pelo ardor que brota das nossas entranhas.
As pessoas não deixam de falar naquilo que mais importam para elas. Por isso, a paixão move muitas conquistas e muitos fracassos. Acredito que a essência da paixão é divina, e que essa paixão é transmitida a todos que se arranharam em Deus. Todos que O sentiram na pele; sentiram o Seu hálito… Creio que Ele nos dá o ardor para defender um causa e que geralmente brota de uma pele arranhada n’Ele, reconhecida em várias pessoas ao mesmo tempo. Essa é aquela paixão que não falamos em nome de nós mesmos, mas em nome dos que precisam de voz.
Creio num Deus que usa pessoas apaixonadas para mover o mundo e impulsionar a restauração do que se quebrou. Você pode ter recebido uma paixão por algo relevante para você e para o mundo, algo que realmente faça a diferença no meio dos diferentes. O que você tem feito com essa paixão? Espero que não esteja lamentando e sofrendo por ela, e sim transformando ela em algo maior e mais consistente.
As paixões nos são dadas de diferentes formas, de formas diferentes, para que se concretizem e se transformem em nova VIDA. Isso é Páscoa! Nova Vida vivida com VIDA! Não devemos esperar que alguém se entusiasme pela nossa paixão. Em vez disso, devemos ouvir e valorizar as mensagens de vida uns dos outros, porque ninguém tem como dizer tudo. Jamais despreze ou menospreze a paixão dada por Deus à outra pessoa e a você. Mesmo que você não acredite que a Paixão do Cristo é um projeto que tem como meta para arranhar você…
Apaixone-se e Feliz Páscoa!
Depois dos cinquenta, procuro passar o dia em recolhimento. Tenho o ano todo para fazer o que quero, penso que um dia apenas, não me custa nada me gurdar. Os parentes me convidam para almoçar com eles, mas prefiro ficr em casa. Isso mefaz bem.