Hélio Adelar Rubert, Bispo Diocesano de Santa Maria
A Páscoa é a celebração central de toda a liturgia cristã.
Olhando a história pode-se observar que a Páscoa teve vários momentos. Sua origem está relacionada aos povos primitivos, ocupados com o cultivo da terra e rebanhos. No hemisfério norte era uma festa primaveril, comemorada na passagem do inverno para a primavera. O povo celebrava sua alegria porque a natureza, aparentemente morta pelo rigoroso inverno, se refazia exuberante com as condições climáticas da nova estação.
O povo hebreu, porém, a partir de sua libertação da escravidão do Egito, começou a dar uma nova significação para a Páscoa.
A festa agora não era mais só a passagem da natureza adormecida pelo inverno, mas a passagem da escravidão do Egito para a Terra Prometida. Daquela época em diante, para o povo escolhido, celebrar a Páscoa era agradecer as maravilhas que Deus realizara em sua história e ocasião de renovar a aliança.
Com a vinda de Jesus Cristo, com a sua paixão, morte e ressurreição a Festa da Páscoa recebe o sentido pleno e definitivo.
Seguindo o costume da época, Jesus se reuniu com os seus apóstolos para celebrar a Ceia Pascal. Durante a ceia introduziu algo novo. Transformou o pão em seu corpo e o vinho em seu sangue e os deu aos apóstolos para comerem e beberem. Deu-lhes também o poder de fazerem o mesmo em sua memória.
Aquilo que Jesus realizara na véspera de sua morte, era o que realizaria na cruz. Aquilo que fazemos em cada Eucaristia, é aquilo que Ele viveu na Cruz e em sua ressurreição.
Na manhã do primeiro dia da semana, domingo, Jesus se encontrou com os seus. Algumas mulheres que o haviam seguido, viram-no. Jesus, porém, mandou-as anunciar aos seus Apóstolos que estavam trancados por medo dos judeus. Na tarde daquele mesmo dia, Jesus apareceu a todos eles. Este encontro com o Ressuscitado transformou a todos, pois estavam com medo e com dúvidas se realizaria o que havia prometido: ressuscitar ao terceiro dia. Os discÃpulos demonstravam ter perdido toda esperança. Mas, de repente, tudo mudou. E isto eles e seus seguidores não deixaram mais de celebrar até nossos dias.
Celebrando e vivenciando a Páscoa de Jesus, realizamos nossa contÃnua Páscoa. Nossa Páscoa é a contÃnua passagem do egoÃsmo para a doação, para o amor e espÃrito comunitário. Esta é a vida nova neste mundo para a vida eterna na eterna presença de Deus. Vivendo e celebrando a Páscoa, trabalhamos pela nossa libertação da escravidão do mal para se viver a liberdade dos filhos de Deus. Trabalhamos para libertar o mundo da injustiça, das violências, da opressão e de todas as diferenças sociais para faze-lo mais fraterno, pascal e instaurar a civilização do amor, da justiça e da paz.
Uma Santa e Feliz Páscoa!