
Pacientes chegam a esperar vinte dias por cirurgia na unidade de traumatologia. Foto Eduardo Barreto/A Razão
Lizie Antonello
Macas pelos corredores no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) já se tornaram rotina. De acordo com o próprio diretor do Hospital, Jorge Luiz Freire, “a superlotação atinge todos os setores”.
Desta vez, foi a Traumatologia. Apenas novos casos de emergência e urgência estão sendo recebidos.
“Somos o único hospital SUS (Sistema Único de Saúde) para atender toda a região. Chegamos ao limite máximo”, lamenta Freire.
Conforme o diretor, na quarta-feira, os dez leitos de traumatologia e os quatro de ortopedia estariam ocupados, além disso, existiriam mais pacientes em macas, totalizando cerca de 20 internados. “A demanda é muito grande. Além das agendas, diariamente, chegam politraumatizados, vítimas de acidentes”, comenta o médico.
Dois motivos principais estariam causando o problema. Um deles é o fator sazonal, ou seja, os casos aumentam significativamente em determinados períodos, como o que o Husm vive agora. O outro é a não renovação do convênio dos hospitais de Faxinal do Soturno e de Santiago, que realizavam cirurgias de baixa e média complexidade pela rede de apoio ao Universitário.
O acordo deveria ter sido restabelecido em janeiro. Mas, segundo Freire, os hospitais não teriam cumprido as metas estabelecidas pelo documento.
No dia 29 de abril, a direção do Universitário e os gestores dos hospitais das sete cidades que integram a rede (Faxinal do Soturno, Nova Palma, Restinga Seca, São Sepé, São Pedro, Júlio de Castilhos e Santiago) têm reunião na Secretaria de Saúde do Estado para tentar regularizar a situação. Para Freire, o apoio da rede é fundamental, porém, a renovação do convênio ajudaria, mas não resolveria o problema.
Solução – “Para solucionar, só a implantação de novos serviços de emergência traumatológica no município. Poderíamos abrir mais 60 leitos no Husm, temos capacidade física para isto, só falta pessoal. A Casa de Saúde, que poderia fazer cirurgias, não está fazendo. É uma série de fatores que combinados resolveriam”, analisa o diretor.
Flávio Bissacotti, diretor técnico do Hospital de Caridade Doutor Astrogildo de Azevedo, que administra a Casa de Saúde, diz que cerca de dez leitos do hospital são utilizados para pequenas cirurgias de traumatologia. Somente casos de baixa e média complexidade são atendidos porque a casa hospitalar não é credenciada pelo SUS para procedimentos de alta complexidade. “Se conseguíssemos o credenciamento poderíamos fazer cirurgias em geral e ampliar o número de leitos para 150”, garante Bissacotti.
Até o final deste mês, os municípios da rede de apoio apenas recebem os pacientes que precisam de internação e aguardam vagas no Husm.