Sexta-feira, Abril 24, 2009 0:05

Para não dizer que não falei de política

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Postado por Jornal A Razão em Sexta-feira, Abril 24, 2009, 0:05
Esta notícia foi postada na categoria Candinho, Colunistas e possui 5 Comentários até agora.

Antônio Cândido Ribeiro

Contou-me minha mãe que, eu ainda em seu ventre, uma simpática cigana disse-lhe, na Avenida Rio Branco – não a atual, feia, desfigurada, com canteiros centrais priva-tizados, verdadeiro portfólio do desleixo e do descaso do poder público para com aquilo que, sendo público, é de todos –, que eu seria um grande político. Vê-se que o vaticínio da zíngara não se confirmou. E não porque me tenha faltado vontade. Desde pequeno, acreditei que o seria (nos meus devaneios, antevia-me em papel de destaque na vida polí-tica nacional). Sabe-se lá por quais razões, desde piazinho, eu gostava de política. Dá para imaginar um guri nascido e criado nas solidões do pampa, no interior do interior de Dilermando de Aguiar, há 50 anos, tão interessado em política, que passava horas em frente a um rádio de válvulas ouvindo, entre chiados, transmissões de comícios ou de apuração de eleições? Ou que ele soubesse de cor nomes inteiros de deputados, senado-res, vereadores, governadores e o escambau? Com igual exatidão, ele só sabia escalações de times de futebol, muito especialmente do glorioso, imortal e amado Grêmio FBPA.

Depois, ainda menino, já na cidade, diminuiu um pouquinho o interesse. Conse-qüência natural das peladas nos muitos campinhos de futebol que Santa Maria possuía. Mas, ainda no colégio e mais tarde na Universidade, o interesse voltou forte e fiz política estudantil. Só não ingressei efetivamente na vida partidária porque casei muito cedo e minha primeira mulher não gostava de política. Após, formado, na saudosa Cáceres (MT), fui instado por amigos (teria muitos apoios) a me candidatar a vereador.

Entusiasmei-me com idéia, mas o sonho mais uma vez ruiu: na hora de transferir meu título eleitoral para lá, o amor por Santa Maria falou mais alto (aqui sempre foi meu domicilio eleitoral) e, na época, já separado, cá estavam meus filhos. Foram eles que me motivaram a largar tudo que estava construindo no Centro-Oeste para, aqui, recomeçar a vida. Depois, novo casamento e com apoio da mulher (esta dá um dedo pela vida política), militei fortemente no PMDB, do qual fui dirigente e pelo qual me candidatei a vereador. Candidatura que voltou à baila na eleição passada. Felizmente, desisti (minha hora já passou).

Calma, amiga, só falei de política porque queria falar de ciganos (daí o gancho i-nicial), esse povo misterioso, espalhado pelo mundo. Inclusive, na calçada lateral do pré-dio onde trabalho, onde, vezes sem conta, ciganas ficam à cata de incautos, jovens e ve-lhas senhoras, para lerem mãos, verem sortes e “otras cositas mas”. Não, não quero bron-quear com as ciganas. Os Rom me fascinam, pela sua história permeada de injustiças e preconceitos, pela sua peculiar cultura e, talvez, por uma remotíssima noite andaluza – aquecida por fogueiras, ao som de violinos e do farfalhar de longas saias –, perdida na memória dos tempos. Ou pelo aconchego e pelo generoso calor humano encontrados em uma grande barraca de lona, em não tão remota noite, no tempo do menino que fui. Noite de perda e de sofrimento, pelo meu avô que se fora.


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5 Comentários para “Para não dizer que não falei de política”

  1. 2009.04.24 21:55

    E por falar em em escalação do imortal Grêmio FBPA, você lembra desta formação? Alberto, Altermir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sergio Lopez; Marino, Joãozinho, Alcindo e Vieira. Nos anos 60, nós os víamos jogando em Santa Maria contra o Inter SM do zagueiro Santo e do excelente atacante Hélio Alves. http://jobhim.blogspot.com/

  2. Adriano
    2009.06.27 20:37

    Amigo Candinho quero observar que no texto algumas palavras estão com as sílabas separadas. Se for um recurso literário para dar ênfase tudo bem eu entendo,

  3. gloria pastorelli bicca
    2009.08.29 03:06

    olá meu querido e saudoso Candinho…
    em primeiro lugar…mande um abração
    para pessoal do rádio… ainda fazem aquele programa maravilhoso ao meio dia??
    sinto saudades….principalmente das risadas…vocês são óótimos…mudamos para S.Paulo (interior-Itatiba) uma cidade tão bôa e gostosa qto. Sta Maria…mas aindo matando as saudades pela internet…lendo a Razão…tua coluna está oóótima viu!!!abração e saudades :P :lol:

  4. José Antonio
    2009.09.23 06:51

    Meu Caro, você aprendeu qual o significado da palavra política e o aplica até hoje  nas suas palavras e vida cotidiana, basta observar o programa ao meio dia. Essa é a política real e este deve ser o foco. Não é o que se observa hoje, talvez a imprensa escrita e falada tenha a necessidade de colocar e ressaltar dois tópicos como POLITICAGEM (é o que está publicado todos os dias na imprensa) e POLÍTICA(que eventualmente se publica, mas é essencial para a vida humana) como dois tópicos distintos.

  5. Anónimo
    2010.09.16 08:48

    , C,om carinho acompanho tua coluna aqui de Buenos Aires . Um grande abraço , meu amigo e cada vez que leoi teus artigos, como este da um apertinho no coração. Um abraçãum e bjs na Angela e um forte Abraço ao Amigo. Como falam os Argentinos Sos Maestro

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