Quarta-feira, Abril 29, 2009 11:02

A Feira do Livro como tentação

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Postado por Jornal A Razão em Quarta-feira, Abril 29, 2009, 11:02
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Vitor Biasoli

Fui passear na Feira do Livro no sábado de manhã. Fui pensando em como escolho os livros que compro. E, mais do que isso, os livros que adquiro e leio integralmente. Sim, porque há títulos, infelizmente, que são comprados com entusiasmo e não são lidos até o fim.

Em relação a essas obras adquiridas e não lidas – um hábito comum (e estimulado) na sociedade de consumo –, corre a lenda de um livreiro nova-iorquino que colocou um pequeno cartão no meio das páginas de “O nome da rosa”, na época em que o romance vendia como pão quente. No cartão, ele anunciava que o leitor que chegasse até aquela página (correspondendo à metade da obra) mereceria um prêmio e era só aparecer na livraria para recebê-lo. Mas nenhum leitor apareceu…

Pois fiquei pensando nesse assunto – a estranha atração por livros –, enquanto caminhava entre as barracas da Feira.

No verão, entre outras leituras, tracei “Os detetives selvagens”, de Roberto Bolaño, porque dois amigos me fizeram uma baita propaganda do romance. Realmente uma obra genial a respeito da geração de latino-americanos que padeceu as mazelas do ciclo das ditaduras militares. Para a leitura desse livro, a dica dos amigos foi fundamental. No momento, estou lendo “O livro das religiões”, de Jostein Gaarder e outros dois autores, porque conversei com mais de um aluno, nos últimos meses, que leram entusiasmados essa obra. Gaarder se tornou mundialmente famoso com “O mundo de Sofia” e resolvi encarar. O tema das religiões é complicado e é admirável quando se encontra o assunto tratado com clareza, como no caso desse livro de divulgação.

Como o leitor pode ver, a indicação de amigos e alunos funciona comigo – somada, claro, às resenhas de jornais e revistas. Trato com uma série de motivadores a me conduzir até a livraria e à barraca da Feira, que é preciso estar atento para não escorregar na primeira tentação.

No meu caso, o cinema é ainda outro fator a me despertar para este ou aquele livro. No mês passado, assisti ao excepcional “O leitor” e me comovi com o drama da mulher envergonhada com sua condição de analfabeta. Vi que o filme era baseado num romance e fui conferir. Não achei o livro ruim, mas o filme, seguramente devido à interpretação de Kate Winsley (encarnando a mulher analfabeta), é mil vezes superior.

Pensei essas coisas caminhando pela Feira, no último sábado. Senti como minha curiosidade é atraída tanto por uma reedição de “Prosa dos pagos”, de Augusto Meyer, quanto pelo último romance de Bukowski. Pensei então, mais uma vez, que a Feira é uma tentação. Uma tentação bendita, mas tentação mesmo assim, capaz de me envolver num oceano de delícias… e de algumas pequenas aflições.


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1 Comentário para “A Feira do Livro como tentação”

  1. 2009.04.29 22:22

    `Dei uma olhada na feira, e não tem como não reconhecer, que é muito importante o estimulo a leitura. Livros são, digo, bons livros são meios para se alcançar vários fins, como: educação, ciência, histórias, imaginação, poesia e tantos outros. Se me dessem páginas em branco, certamente colocaria nelas histórias que nos comovem e mexem com a nossa imaginação. Nada como um bom livro de cabeceira.
    Um abraço

    Valeska Huffel-

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