Fábio Vasconcelos
Arquiteto, Teólogo e Deão da Catedral Anglicana do Mediador – IEAB
Imagine-se encontrando uma lâmpada a semelhança da “Lâmpada de Aladim”, e em apenas um esfregão você fosse alvo da seguinte questão. O “gênio da lâmpada” quer realizar um desejo, e voltando-se para você, com um sorriso no canto da boca perguntaria: O que você gostaria de fazer daqui a 10 anos? Surpreso você responderia: … Por que? E imediatamente ele replicaria: Para realizar seu desejo eu preciso saber se você deseja mudar seu futuro?
A resposta que possivelmente você deve estar tendo em mente diante desta ilustração pode ser um indicativo de que está na hora de mudar… Mas mudar não é fácil, é coisa de “gênio da lâmpada”…
Como tudo de nos arranca da inércia, desejar mudar e entrarmos num processo que não é fácil ser assumido. Afinal, nem sempre estamos preparados para mudar. A nossa tendência é permanecer agarrados nas frágeis continuidades e nas seguranças caducas. Todos temos resistência ao novo, valorizamos por demais as experiências passadas e temos medo do futuro. E de repente para desejar esse futuro é preciso se ver nele. É olhar para frente e enxergar-se lá…
A velocidade do que nos rodeia e na qual estamos inseridos é proprietária de mudanças tão radicais, que os únicos que continuam desejando em meio a essa realidade são aqueles que se adiantam às mudanças e mudam a partir de si mesmos. Para isso, não se entregam as mesmices e pagam o preço de enfrentar um processo de reorganizar seu propósito de vida. Há quem aponte esse processo em pelo menos três etapas: Cortar o “umbigo” com o passado, organizar o presente e reconhecer o valor das conquistas.
Cortar o “umbigo” com o passado não significa abandonar o que se faz. Porém, é fazê-lo de modo diferente. Sustentar o passado tem um alto preço e exige muito esforço de todos, principalmente dos que são mais capazes.
A questão é saber claramente o que abandonar e como é possível fazer isso, pois uma atitude de se organizar de maneira programada conduz a um futuro possível. Se descobrirmos que é hora de mudar, temos que saber quais são as nossas condições de abraçar o novo. Quando esse processo começar, também junto com ele virão as dificuldades. Aí precisaremos de maturidade para identificar e reconhecer as oportunidades e o valor das conquistas, estando atento ao processo de construção a partir do qual fazer, é fazer bem feito.
Infelizmente, boa parte das pessoas têm um potencial incrível, e por não desejarem mudar seu futuro, terminam suas vidas só no potencial. O cemitério está cheio de potencial enterrado junto com aqueles que não inovaram… Afinal, explorar o potencial, sem ficar mergulhado em problemas, é o que conduz à inovação.
Então, o que é mais difícil quando se está diante da pergunta desconcertante do “gênio”? É dar o primeiro passo. A decisão de cortar o “umbigo” requer coragem e insatisfação… Ser insatisfeito, neste caso, é estar inconformado com uma visão de futuro medíocre. É acreditar que sempre é possível fazer o melhor para um futuro melhor.
Diante da dinâmica em que vivemos, temos que mudar antes que nos mudem… Se você esta vivo ainda dá tempo!
O que você gostaria de fazer daqui a 10 anos?