
Produção de vagões continua acelerada. Empresa sediada em Santa Maria trabalha para concluir entrega de 278 unidades. Foto Divulgação/A Razão
Lizie Antonello
O setor metalmecânico é um dos mais atingidos pela crise mundial. Pelo menos em Santa Maria, onde algumas empresas sentem os efeitos na linha de produção. É o caso da Silenkar, indústria estabelecida no Distrito Industrial (DI) que produz escapamentos para máquinas agrícolas e automóveis.
Diante de uma queda de 30% na produção, no primeiro semestre deste ano, e para escapar da crise, a empresa precisou buscar alternativas. De acordo com o diretor presidente, Júlio Kirchhof, a saída para não demitir funcionários foi reduzir um turno de trabalho. Com isso, a indústria passou a funcionar das 7h às 17h e estabaleceu um sistema de rodízio de férias permanente para cerca de 16, dos 78 trabalhadores. “Vamos fazer isso enquanto for possível”, declara Kirchhof.
O fim das exportações, no final de 2008, também contribuiu para as mudanças. “Já tínhamos parado de exportar, mas com a crise, não houve renovação e a situação ficou mais difícil”, informa o empresário.
A exceção entre as indústrias sediadas no DI, é a Agrimec, fabricante de implementos agrícolas. O segredo, segundo o diretor presidente da empresa, Odilo Marion, é um mix de fatores que inclui “inovação, imaginação e trabalho”. “Estamos sempre atentos à abertura de novos mercados, fabricando produtos diferenciados”, comenta o industriário recém chegado de uma das maiores feiras do setor, no país.
Onde ele vai buscar ideias para lançar esses produtos? Na própria agricultura, ou melhor, nas necessidades do homem do campo. “É para facilitar o trabalho dos agricultores que produzimos”, afirma Marion. E é ao campo que ele deve parte do sucesso da empresa, mais especificamente ao setor orizícola, que, conforme o diretor, “não está em crise”, como o do milho, por exemplo.
Ferrovia – Outro setor que parece não ter sido afetado foi o da produção de vagões. A Santa Fé trabalha em ritmo acelerado para atender o pedido de 278 carros feito pela Votorantim Celulose e Papel. Dois lotes já foram entregues e a expectativa é concluir o trabalho até metade do ano. As unidades estão sendo enviadas por ferrovia para o município de Três Lagoas (MS). O modelo é considerado de baixo custo de operação e tem capacidade para transportar até 64 toneladas.
Além disso, a fábrica entregou em abril, um vagão plataforma (com bordas removíveis, piso feito em madeira, capacidade para transportar até 35 toneladas), que será utilizado no metrô de São Paulo. No final de 2008, a empresa ingressou no mercado venezuelano com a entrega de 11 vagões tipo plataforma para a principal siderúrgica daquela país. O contrato foi avaliado em 2 milhões de dólares.
Empregos – De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Maria, Luiz Mário Alejarra, a crise atingiu o setor, causando demissões no município, mas em uma dimensão menor do que o esperado. “Houve reflexo sim na cidade, umas empresas sofreram mais, outras menos. Algumas que tiveram queda na produção demitiram sim”, diz o sindicalista.
Contrariando a tendência, a Agrimec contratou em torno de 16 funcionários no começo deste ano. Apesar de ter freado as admissões, a empresa não demitiu e o quadro chega a 200 empregados.