Sábado, Maio 9, 2009 0:23

Mãe depois dos 30?

Postado por Jornal A Razão em Sábado, Maio 9, 2009, 0:23
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Viviane e Alexandre planejaram muito bem a vinda dos filhos Giovana e Vítor: primeiro era preciso estabilidade financeira e maturidade emocional. Foto Paulo Pires / A Razão

Viviane e Alexandre planejaram muito bem a vinda dos filhos Giovana e Vítor: primeiro era preciso estabilidade financeira e maturidade emocional. Foto Paulo Pires / A Razão

Ser mãe é o desejo de quase toda mulher. Porém cresce o número de mulheres que planejam a vinda dos filhos para depois de concluídos estudos ou depois de alcançar certa estabilidade na carreira, o que acontece por volta dos 30 anos. Segundo o psicólogo Alcides Rigo, 40 anos, esse planejamento é uma conseqüência da abertura de espaço no mercado de trabalho que as mulheres têm alcançado.
“Hoje elas querem o espaço delas e não se contentam mais em apenas ter filhos e ser dona de casa. Esse comportamento atual, de deixar casamento e filhos para mais tarde, está vinculado a essa busca por formação profissional: elas querem casar e ter filhos, mas isso está em segundo plano, pois o primeiro é ter sustentação financeira (tanto dela quanto do marido)”, reflete o profissional.
De acordo com Rigo, essa mudança de atitude é um fato positivo pois revela a evolução das mulheres e do espaço que elas ocupam na sociedade. “Muitos conceitos machistas caem por terra e temos todos que mudar nosso comportamento no quesito de compartilhar as responsabilidades com filhos”, complementa Rigo.

Porém é bom ficar atenta para não deixar para muito depois dos 30 anos, pois as chances de gestação diminuem com a idade, em decorrência de problemas ginecológicos inúmeros, como cistos, miomas, infecções e endometriose, além de fatores decorrentes da própria idade, pois os óvulos perdem a capacidade de gerar bons embriões, com o tempo. Para garantir que a gestação ocorra com mais facilidade e maiores chances de sucesso o ideal é não ultrapassar os 35 anos de idade. Para isso, é necessário planejamento.

Além de estabilidade, a idade traz sincronia
E essa foi a palavra de ordem para a professora do curso de Jornalismo da Unifra, Viviane Borelli, 32 anos. Para ela, além de estar mais estável financeiramente depois de terminado o seu doutorado, o casal estaria mais maduro para criar um filho. “Para muita gente casamento é igual filho, mas para nós não. Esperamos os dois atingirem uma condição socioeconômica melhor e também tivemos um tempo para curtir a vida a dois, assim também ficamos mais maduros para a chegada de um filho”, conta Viviane, que é casada há oito anos com o funcionário público Alexandre Borelli, 40. Para ela, esse tempo de convivência do casal fez toda a diferença, pois eles se conheceram melhor, amadureceram juntos e conseguiram crescer em suas carreiras.

Segundo Viviane, que já tem dois filhos (Giovana, de 3 anos, e Vítor, de oito meses) uma palavra muito importante para se pensar na hora de planejar a vinda das crianças é sincronia. “Para se ter um filho, a família precisa estar muito bem organizada e preparada porque um filho pede 100% de dedicação. E essa responsabilidade precisa ser compartilhada com o marido, portanto eles precisam estar bem conectados e sintonizados. Se as responsabilidades ficarem só com a mulher, ela não vai dar conta, e aí entra a estabilidade econômica do casal. Hoje fazemos uma ginástica para conseguir ficar tempo suficiente com as crianças”, comenta a jornalista.

O tempo para ficar com os dois filhos é dividido com o marido: ela fica de manhã e no início da tarde e ele do fim da tarde até a noite. “Cada um fica pelo menos um turno com eles e quando não estamos, a Giovana está na escolinha e Vítor com a babá”, diz. Viviane, que é doutora e pesquisadora no CNPQ, teve sua primeira filha aos 27 anos, quando estava cursando doutorado, mas ela faleceu nos primeiros meses de vida. Depois veio Giovana aos 29, na fase de defesa da tese de doutorado e em seguida, com 31 anos, chegou o Vítor. “Se o Alexandre não tivesse sido bastante responsável com a criação dos filhos, eu acho que não teria conseguido terminar os estudos”, afirma.

Gravidez tardia é tendência
Cresce o número de mulheres com mais de 35 anos, que desejam ser mães. De acordo com pesquisa recente desenvolvida pela Human Fertilization and Embryology Authority, na Inglaterra, 36.648 mulheres realizaram tratamento de fertilidade em 2007 – um aumento de 5% sobre as 34.855, em 2006. No total, foram 46.502 ciclos de tratamento para fertilidade. Os dados revelam um aumento significativo no número de mulheres que vem optando pelo tratamento em comparação com o início da década de 1990. Em 1992, apenas 14.057 mulheres receberam tratamento com mais de 35 anos.

No Brasil, esse aumento não é diferente, já que de acordo com dados do IBGE (entre 1991 e 2000), o número de mães com mais de 40 anos, cresceu 27%. Em 1991, o IBGE contabilizou 7.142 mães que tiveram o primeiro filho na meia idade, 0,67% das mães de primeira viagem no país. Em 2000, o número de mães mais velhas chegou a 9.063, ou seja, 0,79%. Ainda que em número absolutos este grupo de mães seja pequeno, esse fenômeno é apontado pelo IBGE como uma tendência nos centros urbanos.
Nos Estados Unidos, estima-se que uma em cada cinco mulheres tem o seu primeiro filho após os 35 anos. No Brasil, não existem estatísticas oficiais, mas dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida mostram que o número de casais inférteis correspondem a 15% do total de uma população.


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