Padre Francisco Bianchini
Neste final de semana, a comunidade cristã comemora a grande e significativa festa de Pentecostes, ou seja, a festa do Espírito Santo. Evidentemente que estamos diante de um acontecimento que exige fé, mas para a Igreja é um fato fundamental, pois é o início da visibilização da missão da Igreja; o nascimento da Igreja de Cristo.
Pentecostes significa etimologicamente cinqüenta. Vem daí o nome da festa que a Igreja comemora, pois a vinda do Espírito Santo aconteceu cinquenta dias depois da Ressurreição.
Os apóstolos estavam reunidos no mesmo lugar onde havia sido celebrada a Ceia Pascal com Jesus, naquele momento, e juntamente com Maria, (foi ela que conseguiu congregá-los, e reuni-los), naquele ambiente de temor e insegurança, mas, ao mesmo tempo, de intimidade e familiaridade, eles são tomados de espanto. Eis que inesperadamente um fogo inunda-os, transformando-lhes a inteligência e a vontade. São, misteriosamente, modificados, tornam-se irreconhecíveis. Sentiam-se cheios de medo, trancados a sete chaves, não haviam nem entendido bem o Cristo, já estavam achavam que ele era apenas mais um judeu, mais um profeta. Estavam pensando que tudo tinha descido água a baixo com a Sua morte. Consequentemente não haviam assimilado a Sua mensagem, pois tinham a inteligência fechada e o coração endurecido.
Nesse dia, com este “Fenômeno”, da presença inesperada e surpreendente dessa Novidade, como num passe de mágica, eles passam a entender Cristo como Salvador e a mensagem que Ele viera trazer ao mundo.
Como explicar naturalmente que doze homens tenham a mesma reação, sofram a mesma mudança, tomem as mesmas atitudes, modifiquem absolutamente seu comportamento a ponto de dar a vida por Aquele que até há pouco haviam abandonado? Como entender, humanamente, que todos, sem exceção, tenham saído a pregar, sem medo, que Cristo é realmente o Salvador do mundo? Fenômeno paranormal? Seria possível doze homens terem as mesmas decisões e depois sustentá-las até a morte? Sim, até a morte, pois todos foram martirizados por causa de Cristo.
Nós, cristãos, não entendemos esse fato como fenômeno paranoramal, nem como engano, ou ilusão momentânea, mas como um acontecimento divino, intervenção de Deus, realização da promessa de Cristo conforme suas próprias palavras: “Não vos deixarei órfãos”, (Jo.14,18) pois vos darei o meu Espírito.
O Documento de Aparecida nos diz no nº 548 que hoje necessitamos de um novo Pentecostes e, em outra passagem também afirma que precisamos de um novo Pentecostes para nos livrar do cansaço, da desilusão, da acomodação, do medo e para retomar o ímpeto e a audácia dos primeiros discípulos.
Como cristãos, somos chamados a reviver, hoje, a experiência de Pentecostes, voltar ao clima de Cenáculo, de intimidade, de comunhão fraterna, de desprendimento, depondo as chaves do poder (se observamos a imagem representativa do Cenáculo, as chaves estão no chão) e assumir a postura de serviço.
Precisamos, realmente, de um novo Pentecostes que devolva a cada um de nós a alegria de ser cristão, a coragem e o ardor de ser missionário de Jesus. Necessitamos de um novo Pentecostes que nos ensine a entender a magnitude da mensagem de Cristo.
Vinde Espírito Santo, iluminai nossas mentes, aquecei nossos corações e renovai a face da terra