Sábado, Junho 6, 2009 20:41

Amar a si mesmo

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Postado por Jornal A Razão em Sábado, Junho 6, 2009, 20:41
Esta notícia foi postada na categoria Colunistas, Vera Pinheiro e possui 7 Comentários até agora.

Vera Pinheiro

No período que antecede o Dia dos Namorados, as vitrinas exibem cartazes e presentes, as lojas fazem promoções e há anúncios por todos os lados, sugerindo que os enamorados se presenteiem mutuamente em 12 de junho. E quem não tem par, como é que fica?! Não fica, senão seria “ficante”, uma modalidade de relacionamento que não comemora a data por falta de laços. E o amor enlaça, aproxima, cria vínculo de uns com os outros e, essencialmente, de cada um consigo.

Quem ama outra pessoa deve, antes, amar a si mesmo, em primeiríssimo lugar! Isso não é egoísmo, é exercício de preparação para o compartir da existência, fazendo concessões necessárias e se adaptando ao convívio para que a opinião de dois tome o caminho do consenso e a boa vontade enseje a compreensão. Quem se ama não se compara com os demais, não se coloca abaixo ou acima de ninguém. Não aumenta suas qualidades, mas se valoriza, absolutamente consciente do que merece aplausos, vaias e reformas. Ao amar, evita derribar ou sobrelevar o conceito que tem do outro, e assim aprende a não humilhá-lo ou subestimá-lo e, do mesmo modo, não o endeusa nem o coloca em patamar muito além da realidade humana.

Amando-se, em todos os aspectos, não se deixa vencer pelo desânimo quando não realiza todas as suas expectativas, dá-se uma nova chance e tem confiança de que será mais bem sucedido na próxima vez. Não acumula culpas pelo que não depende de seu esforço, festeja as vitórias e quando se priva de alguém, que se evade ou morre, não enterra com as lembranças a possibilidade de amar de novo, apesar do risco de perdas e desilusões. Conhece profundamente os seus dons e reconhece sinceramente suas limitações e seus impedimentos. Não se considera fracassado quando os planos tomam rumo inesperado. Mantém o entusiasmo na busca do seu querer e se empenha no auto-aprimoramento para favorecer o que alguns chamam de destino e que, em grande parte, são escolhas. Aceita o outro sem tentar fazer dele nova pessoa e, em vez de corrigi-lo, usa a energia de mudança para se aperfeiçoar, enfrentando rupturas, se for o caso, para não ser vítima de desgaste e sofrimento.
Porque se ama, está bem em sua pele, gosta do que vê no espelho e tem alguma complacência com o que não é exatamente uma perfeição em sua figura. Compensa com estilo, e se admira, se encanta e se elogia, ainda que ninguém concorde. Não precisa, pois é emocionalmente independente. Ao amar outrem tem dele uma visão equilibrada e um retrato de seu exato tamanho, nem menor nem maior do que ele é. Não fantasia demais, e as ilusões, ainda que as tenha, não impedem de enxergar com inteireza as fraquezas suas e alheias, então, aprende a relevar, a compreender e a perdoar, e os erros não são marcas de ferro e fogo, mas vistos como lições que burilam as atitudes.

Com amor por si mesmo, dá de ombros para o pessimismo, não incentiva pensamentos derrotistas, não flagela a autoestima, não cultiva mágoas nem rancores e não estimula a piedade em causa própria. É benevolente e carinhoso, isto sim, e se põe no colo se achar que é fundamental para a retomada do ânimo. Não espera que o façam, sabe reconstituir suas forças de per si e, embora dê boas-vindas a qualquer ajuda para enxugar lágrimas e se reerguer, encontra coragem para recomeçar mais uma vez.

Por se amar, quando ama outra pessoa não se torna acessório dela, e não é metade da laranja, pedaço, parte de quem quer que seja, mas um ser inteiro, completo, pleno. Não está cimentado em certezas, é aberto ao diálogo e tem boas conversas no silêncio do coração e na paz da mente. Não teme ouvir os sentimentos e insiste em curá-los, é amigo generoso até de suas dúvidas, angústias e aflições de toda ordem, e as vence sem dilapidar o patrimônio interior que reflete sua luz individual e brilha ainda mais quando a compartilha. Ama com entrega e sem se perder, se dá sem abandonar o que é e tem, e anda com a pessoa amada lado a lado, nem adiante nem atrás. O amor, que se permite, acredita que merece e aposta nele para ampliar a felicidade de que já desfruta, é complemento, acréscimo, não a realização. Quase se basta, e embora não tenha com quem comemorar o Dia dos Namorados, é feito, também, para ser amado. Mesmo sozinho, está em excelente companhia, pois se ama e revogadas estão todas as disposições em contrário.


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7 Comentários para “Amar a si mesmo”

  1. Sonia
    2009.08.14 22:26

    :cry: Espero conseguir amar a mim mesma assim e amar e ser amada pelo outro.

  2. Vera Pinheiro
    2009.08.24 18:09

    Querida Sonia, penso que tudo (de bom e nem tanto) começa em nós, se espalha e chega aos outros. Daí a importância de amarmos a nós mesmas, se quisernos amar os outros e ser amadas por eles. Um beijo com meu carinho, agradecida pela mensagem. Faço um convite: visita o meu blog (http://blog.verapinheiro.net). Vera Pinheiro

  3. ALICE DE FANÇA
    2009.09.22 20:44

    EU ME AMO POIS SE EU MESMA NAO ME AMAR COMO VOU QUERER QUE ALGUEM ME AMA!!!!

  4. ione marques
    2010.12.07 01:46

    Fantástica a Vera. Sempre escrevendo aquilo que a gente precisa ler. Parabéns

  5. eu acho q eu ñ me amo,tenho medo de mais de perde meu marido.
    2011.06.14 19:26

    :( :(

  6. Pedro
    2011.07.27 11:08

     Querida Verinha, sempre, inteligente e admirável, seus textos são um remédio para a alma. Minha admiração por ti é antiga, vem dos tempos do radio, um tempo distante… mas inesquecível. Abraço 

  7. raiza
    2011.08.03 23:24

    Amei….td q foi escrito!!!! aprendi a ter uma melhor auto estima depois q li! Me amo muito, mas ainda n achei qm me ame do mesmo modo. N tenho pressa! pois sei q ´´mesmo estando sozinha estou com uma ótima compania!´´ bjs

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