Padre Francisco Bianchini
A celebração da festa do corpo de Deus, ou Corpus Christi, hoje em dia também chamado de festa do corpo e sangue de Jesus, coloca-nos diante de um grande mistério, pois não o entendemos e não o explicamos; somente vemos e degustamos o pão, uma mistura de farinha e água. É a nossa fé que nos leva a declarar que no pão e no vinho sobre o altar está o Cristo. É Cristo vivo, presente, mas mistério; razão pela qual sempre nas celebrações dizemos: eis o mistério da nossa fé.
Realmente é um grande desafio renunciar a compreender esse mistério, desistir de explicá-lo. Exige de nós um profundo ato de humildade e de confiança, uma vez que, com simplicidade de coração, aceitamos, cremos e declaramos a presença real de Cristo no pão e no vinho.
A festa do corpo e sangue de Cristo celebra-se sempre numa quinta-feira para fazer referência à Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, dia da entrega de Cristo a nós num gesto de amor infinito. É, com certeza, o grande gesto de amor de Deus, de um Deus que nos ama de tal modo que quis permanecer conosco nesta forma tão simples e até desconcertante.
Foi no século XIII que se sentiu fortemente a necessidade de ressaltar esta festa, devido à importância da presença de Cristo em forma de pão e de vinho, forma tão humana, mas ao mesmo tempo tão rica de simbolismo. Foi o papa Urbano IV que institui a comemoração da festa do Corpo de Deus, no ano 1264. No início, ela não teve muita repercussão no interior da Igreja, pois logo após a sua instituição o papa morreu, porém, aos poucos, foi tomando força e, hoje, é celebrada com muita solenidade e em todo o mundo.
O sacramento da Eucaristia é levado às ruas como um gesto e expressão de fé, ao mesmo tempo como convite à renovação da fé; são os cristãos que manifestam sua adesão a Jesus Cristo presente na forma permanente de pão; manifestam seu reconhecimento a esta amorosa presença no meio de nós, que permanece silenciosa no sacrário ininterruptamente em nossos templos.
Com esta festa, os cristãos querem, pois, expressar todo o reconhecimento e gratidão ao sacramento do amor. Queremos, também, nós hoje exclamar com o poeta: “Eis o pão dos Anjos feito pão dos caminheiros”. Junto com toda a Igreja somos convidados a dizer mais uma vez: “venite adoremus”, (vinde adoremos).
Este Jesus, Pão e Vinho, é o mesmo Jesus dos evangelhos, o mesmo Jesus que no Doc. de Aparecida nos é apresentado para termos um encontro fascinante, capaz de dar um novo horizonte à nossa vida. Jesus, Pão e Vinho, é o mesmo Mestre que caminhou com os discípulos de Emaús, que partiu o pão e foi reconhecido como o Senhor Ressuscitado. Jesus, Pão e Vinho, é o alimento que forma e fortalece a caminhada dos discípulos missionários, tornando-nos seus discípulos missionários.
Este Jesus, Pão e Vinho, é a garantia de nossa fecundidade evangelizadora. É bom escutar de novo as palavras de Jesus: “ Eu sou o Pão vivo descido do céu, quem come deste Pão viverá.” (conf. Jo. 6,41)
Agradecemos a Cristo que nos revela que Deus é amor e vive em si mesmo no mistério pessoal de amor, optando viver no meio de nós como família. (Doc. Aparecida, 115).
Excelente reflçexão sobre esta data.Eu creio…é Cristo vivo na espécie de pão e de vinho.Ele mesmo diz: Tomai e comei,Este é meu corpo.Este é meu sangue. Fazei isto em memória de mim.
É Jersus se doando por amor. Eu creio.Amém.