Fabricio Minussi
A delegada Fabiane Bittencourt, da PolÃcia Civil de Caçapava do Sul, concluiu inquérito que investigou um indivÃduo de 28 anos acusado de vender carne de cachorro como se fosse carne de porco ou ovelha. As vÃtimas foram moradores da Vila Promorar que relataram o caso à promotora Karinna Goulart. O Ministério Público (MP) repassou a denúncia à PolÃcia que em seis dias de investigações comprovou as suspeitas. O acusado, que está internado em uma clÃnica de reabilitação numa cidade da zona Sul do Estado não teve a identidade divulgada.
A PolÃcia esperava colher o depoimento do homem antes de concluir o inquérito mas segundo a delegada isso não será possÃvel. Para que o acusado desse a sua versão dos fatos ele teria que interromper o perÃodo de desintoxicação pelo qual passa. Fabiana Bittencourt afirma que se isso ocorresse, haveria prejuÃzo na reabilitação do rapaz que também está fazendo uso de medicamentos para se livrar do vÃcio do crack.
No entanto, a PolÃcia garante ter elementos suficientes para indiciar o acusado que ainda poderá prestar depoimento assim que reunir condições, se esse for o entendimento da promotoria. Ele está sendo indiciado por crime contra o meio ambiente e crime contra as relações de consumo. Se for julgado e condenado, pode pegar até seis anos de prisão.
A comprovação de que a carne comercializada pelo acusado era de cachorro veio na terça-feira, após análise feita pelo médico veterinário da Vigilância Sanitária de Caçapava do Sul, João Tertuliano Silveira Lopes. Ele analisou um pedaço de carne entregue por uma moradora da Vila Promorar à PolÃcia e constatou que a peça se tratava de um quarto de um cão adulto em bom estado nutricional.
O animal seria um dos mais de 20 que teriam sido abatidos e carneados pelo acusado. As carcaças dos cães, a maioria colhidos em via pública, foram encontradas enterradas no pátio nos fundos da residência do rapaz. Uma das vÃtimas do indivÃduo relatou que chegou a comprar e consumir a carne em duas oportunidades achando que seria de ovelha.
Uma testemunha arrolada pela PolÃcia disse que viu o acusado matando e carneando os animais próximo ao local onde as carcaças foram encontradas enterradas. Cerca de 15 pessoas foram ouvidas pela delegada no decurso da investigação, entre vÃtimas e testemunhas. Familiares do acusado disseram que sabiam que o rapaz tinha problemas com drogas e que praticava pequenos furtos para manter o vÃcio mas desconheciam o fato de que ele estaria matando cachorros e vendendo a carne para comprar mais crack.
Durante a análise do inquérito concluÃdo pela PolÃcia Civil, a promotora Karinna Goulart poderá, além de chamar o acusado para depor, poderá denunciá-lo por outro crime, o de crueldade contra animais.