Quinta-feira, Novembro 5, 2009 9:13

A diferença entre o bem e o mal

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Postado por Jornal A Razão em Quinta-feira, Novembro 5, 2009, 9:13
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Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil

Foi nesta segunda-feira, na Praça General Ozório. Era princípio de noite. A perda de intensidade dos raios solares concedia espaço à crescente escuridão daquela praça há muito mal iluminada, tornando-se hoje campo fértil para a junção de marginais durante o período noturno. Foi quando alguém, com desvalor, deixou na beira daquele local um filhote de gato, recém-nascido. O animalzinho, desesperadamente, miava por sua mãe. Surgiu, então, dos antros da escuridão da praça, três adolescentes, armados com pedaços de pau, anaunciando que iriam matar a pauladas a frágil e pequena criatura. Absolutamente perpelxo, como os demais vizinhos, não acreditava que isso pudesse ser possível. Só podem estar brincando, pensei! Porém, não estavam, e o massacre só não ocorreu, porque a vizinhança mostrou-se presente, e um vizinho resgatou o frágil felino.

Instantes antes, estava eu feliz, pois escutara, pela primeira vez, ao colar o ouvido junto à barriga de minha esposa, meu futuro filho, com pouco mais de três meses de gestação, movimentar-se no útero, promovendo alguns barulhinhos. Todavia, após a atitude perversa daqueles três adolescentes de má índole, passei a refletir sobre tudo o que teria de fazer, como pai, durante o desenvolvimento do meu filho, a fim de mostrar a ele algo que parece ser muito simples, mas que muitos pais relapsos deixam de fazer e acabam permitindo que estranhos, nas ruas, ensinem isso aos seus, ou seja, qual é a diferença entre o bem e o mal. Indiscutivelmente, isso parece ser muito simples e, por isso mesmo, muitos o desconsideram, agindo com desdém, lançando à sorte toda formação moral dos seus filhos, permitindo que eles absorvam, no dia-a-dia, nas esquinas, com as más companhias, o temperamento, a conduta e a moralidade que carregarão como características pessoais suas para o resto da vida. Ora, os adolescentes que mantêm condutas como a que descrevi acima são os mesmos que, mais cedo ou mais tarde, acabam estuprando, roubando e matando, muitas vezes com requintes de crueldade, por mero prazer.

Assim, àqueles que são vigilantes e que não descuidam da educação dos seus filhos um dia sequer, parabéns. Agora, àqueles que lançaram a vida dos seus filhos à sorte e que hoje, sendo eles adolescentes problemáticos, esperam alguma palavra de alento de minha parte, antes deste artigo terminar, só posso dizer-lhes uma apenas…”lamento”!


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