Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Abster-se é, na maioria das vezes, uma atitude lucrativa. Abster-se de replicar o irado significa lucrar paz e tanquilidade. Ao abster-se do desejo cego por algo material, lucra-se o contentamento de se usufruir da verdadeira felicidade que dinheiro algum poderá jamais comprar, pois ela está nas pequenas e simples coisas da vida, como uma inocente brincadeira com os filhos. Tinha eu, aliás, em torno de quatro anos, quando, enquanto meu pai assistia ao noticiário da TV, convidei-o para brincar de carrinho. Concentrado nas notícias, ele disse não. Muito triste, jurei, naquele mesmo instante, que, quando eu ficasse “grande” e tornasse-me pai, jamais negaria um convite de um filho (a) para brincar. Com aqueles tenros quatro anos, percebi que o meu pai, o qual já era “grande”, não tinha noção de como aquilo era importante para mim.
Disseram-me uma vez que você só se torna realmente feliz, quando promove a felicidade de outrem, abstendo-se dos próprios interesses. É o que as religiões, de forma uníssona, sempre pregaram. Mas você não pode compreender isso, se não o praticar assiduamente. Imagine que o amanhã possa não existir para você, ou para a sua esposa, pai, mãe, filho ou filha. Então, esqueça o preço da gasolina, os tediosos assuntos ruins dos jornais e dê mais atenção a eles. Assim como as flores passam breve, nós também passamos. A vida terrena é curta e o sorriso adiado para amanhã poderá ser tardio.
No livro “Caminho Iluminado” – F. C. X. – sugere-se que nos devemos abster de fixar as deficiências do próximo, mas procurar destacar-lhe as qualidades nobres. Examinar o bem, louvar o bem e estender o bem o quanto pudermos é conduta a ser seguida. A paz pode passar a residir hoje mesmo em nosso campo íntimo, bastando que lhe ofereçamos o refúgio da compreensão. Se nos encontramos na condição de peça na engrenagem de hoje, a que se acolhem tantas criaturas aflitas, não nos entreguemos ao luxo do desânimo e, sim, trabalhemos servindo sempre. É preciso aprender a suportar os revezes do mundo, sem perder a própria segurança. Haja o que houver, trabalhemos na edificação do bem e seguimos adiante. Dor, na maioria das vezes, é o tributo que se paga ao aperfeiçoamento espiritual. Dificuldade mede eficiência. Ofensa avalia a compreensão. A própria morte é nova forma de vida. Resistamos aos percalços que tendem a nos desfibrar e mantenhamo-nos de pé na tarefa a que a vida nos reservou. Recordemos que a regra é a de que tudo sempre se altera para o bem.
Exclelente artigo, simples e objetivo. Neste texto está contido a essência da vida de como ser feliz com pensamentos e atitudes simples.
Conheço o Delegado Roger nos tempos de natação no Clube Dores, ele está de parabéns pelo texto que escreveu.
Grande Abraços. Garibaldi Azevedo