
Os cerca de 200 funcionários já têm destino certo: 50 continuam na Casa de Saúde, 50 vão para postos de saúde, 20 voltam para o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo e o restante será afastado. Foto Arquivo / A Razão
Chega ao fim o dilema de gerência da Casa de Saúde, que se arrasta desde agosto deste ano, quando a Prefeitura rompeu o contrato com o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo e passou a administração do complexo à Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas). Na manhã de hoje, o prefeito Cezar Schirmer fará uma coletiva, às 11h, em seu Gabinete, para detalhar o termo de ajuste entre Município, Secretaria Estadual de Saúde, Hospital de Caridade e Sefas. A data de entrega está prevista para o dia 4 de janeiro de 2010.
Pelo novo termo, o Hospital de Caridade entregará a Casa de Saúde à Sefas no momento da assinatura entre as partes, mas ações como a construção de mais leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) serão a longo prazo. Os cerca de 200 funcionários do Caridade que trabalham no local também já têm destino certo: cerca de 50 serão distribuídos nos postos de saúde da cidade; outros 50 continuam na Casa de Saúde, sendo mantidos pelo HC; 20 voltam para o Caridade; e o restante deve ser afastado.
Segundo o provedor do Hospital de Caridade, Walter Jobim Neto, alguns detalhes ainda não foram acertados, como a definição dos postos para os quais serão transferidos os funcionários e a sua lotação. “Os mais antigos devem ser afastados e receber seu fundo de garantia relativo aos 10 anos de cooperativa. Muitos deles já tinham a intenção de deixar o hospital”, revelou o provedor do HC. Conforme Walter Jobim Neto, o montante do fundo de garantia não pago chega a R$1,5 milhão.
Todos os funcionários realocados devem retornar ao HC assim que estiver construído o novo complexo destinado a atender os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Serão 130 leitos, com centro cirúrgico e unidades de internação destinadas somente ao SUS. “Será um novo hospital e é para ele que devem ir todos os funcionários. Dessa forma conseguimos manter os funcionários e a filantropia”, revelou. A previsão para a abertura desses novos leitos é de seis meses após a aprovação do projeto pela prefeitura. “O projeto já está com eles. Só falta a aprovação”, disse Jobim Neto.
Saúde e economia – Conforme Schirmer, o maior ganhador será o povo santa-mariense. “O que estamos conquistando é o início da recuperação plena da posição destacada que Santa Maria teve na área da saúde há 15 anos”, explica o prefeito. Ao invés de os doentes serem obrigados a se tratar fora de Santa Maria, a intenção é que também sejam atendidos na cidade pacientes de outros municípios. “A ampliação dos leitos vai gerar empregos para médicos, enfermeiros, nutricionistas, além da aquisição de equipamentos hospitalares”, argumenta Schirmer, que diz ainda que a demanda profissional irá aumentar cerca de quatro vezes. “É o início de uma revolução na saúde de Santa Maria”, projeta.
Quem fica com o que
• A Associação Franciscana de Assistencia e Saúde (Sefas) assume o Hospital Regional anteriormente administrado pelo Caridade. O Regional agora é chamado de Hospital São Francisco.
• O Caridade assume a administração do Hospital de Jaguari.
• A Sefas assumiu o lugar do Hospital de Caridade depois de o Conselho Administrativo de Defesa Ecomômica (CADE) emitir parecer de que o negócio poderia virar monopólio. O acordo entre o Caridade com o braço assistencial Franciscano foi fechado em 25 de novembro.