Maurício Barbosa
O fechamento da Unidade de Saúde Básica Rubem Noal, na Cohab Tancredo Neves, a superlotação no Pronto Atendimento do Bairro Patronato e a ausência de um dos médicos plantonistas foram os ingredientes para uma confusão no início da madrugada de ontem no PA do Patronato. Denúncias de pacientes dão conta de que o atendimento estaria prejudicado a ponto de um médico plantonista ter ido até o saguão e anunciado o fim das consultas.
“Eu estou sozinho no atendimento, espero que todos se dirijam para suas casas, pois só vou atender pessoas enfartando, esfaqueados ou quase morrendo”. Estas teriam sido as palavras ditas pelo plantonista, conforme a paciente Daniela Severo, que esperava para ser atendida desde às 17h. Outras pessoas também confirmaram a versão. Logo após, Daniela teria questionado o médico quanto ao estado de saúde da mãe, Vilma da Silva Marques, e o seu atendimento. Segundo Vilma, o médico a teria chamado de maneira grosseira e de forma estúpida. Ele, então, teria prestado atendimento e falado que ela estava bem.
A filha disse ter perguntado ao médico se ele não iria verificar a pressão da mãe. No atendimento, Vilma disse que o médico apertou sua barriga e disse para que saísse da sala, fosse para casa e tomasse água. Ela e Daniela contaram ainda que foram ameaçadas para saírem da sala do médico. “Foi uma coisa constrangedora, o limite da falta de educação,”, disse Vilma, logo após registrar queixa contra o profissional de saúde na Brigada Militar. “Ele é uma pessoa que não tem estrutura para trabalhar com o público, entrou em pânico e me enfiou o dedo na cara”, alegou a paciente.
A Unidade de Saúde Básica Rubem Noal, na Tancredo Neves, fechou suas portas na última sexta-feira e passou a atender em uma casa alugada em frente ao Centro Comercial, na Avenida Paulo Lauda, no mesmo bairro. A sede vai passar por reforma para atender simultanemamente como pronto atendimento e clínica médica. As obras devem durar dez meses e durante o período, o posto funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, além de ter uma ambulância 24 horas de plantão para levar os pacientes com casos mais graves para o Patronato, segundo informações da secretaria Municipal de Saúde. A Prefeitura, que vai arcar com o aluguel do imóvel, enfatizou que os atendimentos devem ser os mesmos na casa provisória, sempre com dois médicos de plantão.
Coordenador e funcionários do PA se defendem
Segundo o coordenador do Pronto Atendimento do Patronato, Flávio Van Caneghan, a médica que deveria estar de plantão na noite de ontem passou mal e não pôde trabalhar. Ela estava sendo atendida no Hospital de Caridade. Mais dois médicos teriam sido chamados depois do tumulto para ajudar no atendimento. Van Caneghan e o médico Zoé Dalmora dizem que o local é o único posto aberto 24 horas e que tem a vantagem de ter atendimentos de Raio X, laboratório e farmácia, o que motiva a grande procura da população. A falta de médicos não é nenhuma novidade, segundo o coordenador do PA, e os casos de urgência e emergência são sempre priorizados.
Conforme os médicos, muitos pacientes vão até o local para serem atendidos sem necessidade. Muitas são os casos de consulta médica que podem ser feitos nos postos de saúde dos bairros em que residem, mas os pacientes acabam se dirigindo ao pronto atendimento e colaborando para a superlotação. Segundo o médico envolvido na confusão, foram efetuados cerca de 100 atendimentos durante o seu plantão. “O PA está funcionando 90% como posto de saúde, porque os postos não estão trabalhando como devem,” disse o médico que é contratado pela Prefeitura. A reportagem de A Razão preferiu não identificar o profissional.
O secretário Municipal de Saúde, José Haidar Farret, ao ser contatado pela reportagem disse que não poderia falar sobre o assunto. Ele delegou a responsabilidade para a coordenadora das Unidades Básicas do Município, Selena Michels. Ela não atendeu o telefone nas inúmeras tentativas em que a reportagem tentou contato.
A assessoria de Comunicação da Prefeitura também foi questionada sobre o incidente. Segundo eles, o coordenador do PA relatou a deficiência do local de Técnicos em Enfermagem e de quadro médicos, mas afirmou que o número de enfermeiros e o atendimento odontológico estão funcionando normalmente na unidade.