Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010 21:48

Carreta tomba com trator e produtos químicos

Postado por Jornal A Razão em Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010, 21:48
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Maurício Barbosa 

Os irmãos Ivonir Stefanello, 40 anos e Marciel Stefanello de 26 anos transportavam um trator com uma máquina de pulverização e diversos produtos químicos que ficaram jogados numa vala ao lado da rodovia. Por volta das 5h30 de ontem, o motorista do caminhão Ivonir Stefanello perdeu o controle do veículo placas IDG 3268 e tombou na ERS 149, Km 132, na localidade de Ribeirão, que liga São João do Polêsine a Santa Maria. Segundo a moradora Alice Guariente, 67 anos, era quase 6h quando ela colocava roupa na máquina de lavar e ouviu um estrondo. “Eu sai correndo e quando eu vi aquilo fui ajudar,” relatou Alice.
 
O caroneiro Marciel está em observação em estado regular. O motorista está internado no pronto atendimento do Hospital Universitário de Santa Maria em observação. Os dois pacientes receberam atendimento médico e estão passando por tratamento de desintoxicação.
 
O barulho chamou atenção de moradores da região, que foram verificar o que havia acontecido e ajudaram na retirada dos irmãos que ficaram presos nas ferragens. Alice chegou a entrar na gabine do caminhão e moradores chegaram a colocar um ventilador para o motorista conseguir respirar. Ele ficou mais de duas horas preso nas ferragens. Segundo Alice, o irmão de Marciel pediu uma serra para os moradores e tentou serrar uma das colunas do caminhão, mas não conseguiu porque a serra quebrou.
 
Duas viaturas do batalhão rodoviário estavam fazendo o policiamento no local, além de interditarem a rodovia devido à carga tóxica derramada. Mais de 30 frascos de fungicidas ficaram espalhados pelas margens da ERS-149 e por uma vala que deságua em um pequeno córrego perto da rodovia.
 
A patrulha ambiental da Brigada Militar esteve no local e fez três barreiras de contenção para o veneno não chegar até o afluente que passa perto do local. Os produtos derramados exalam forte e as pessoas que ficam algum tempo perto do caminhão chegam a passar mal.
Segundo a Dundação EStadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam), Domark, Prioli, Lingu, e Regulix foram alguns dos produtos derramados. As embalagens vazias e as cheias foram selecionadas e verificadas conforme uma nota fiscal que foi levada por um sócio proprietário de uma loja que vendeu os produtos para o produtor rural.A quantidade de material era maior do que constava nas notas. As embalagens foram recolhidas.

Um dos bombeiros que atendeu a ocorrência passou mal e foi internado para ficar em observação. Até o fechamento desta edição, o bombeiro e o caroneiro do veículo, Marciel Stefanello, permaneciam em observação. Já o motorista permanecia internado no Hospital Universitário.

Perigo de intoxicação preocupa Fepam
O risco de que o produto possa fazer mal à saúde dos moradores da região foi comentado entre os moradores e curiosos que acompanhavam a vistoria dos técnicos da Fepam. A proprietária da casa em frente ao acidente, Alice Guariente, quase foi uma da vítimas. Ela costuma esperar o ônibus bem no local onde o veículo passou. Ela acorda cedo e sai para entregar leite na parada. Na manhã de ontem, a dona de casa acabou se atrasando e foi salva pelo acaso.
 
Ela relatou que está preocupada com a quantidade de produtos que foi derramada na frente da casa. “Uma vez lavaram uma máquina de veneno e apareceram todos os peixes mortos”, relatou a moradora há mais de quarenta anos da região.
 
Produtos químicos foram derramados cerca de 100 metros de um afluente onde animais bebem água. Uma equipe especializada veio de Porto Alegre para verificar a gravidade do problema. O imediatismo está causando dúvidas nos representantes da Fepam que vieram analisar o acidente ambiental. O engenheiro José Pedro relatou que não tinha registros de incidentes deste tipo com pessoas físicas e, por isso, não soube informar as penalidades que o produtor rural pode sofrer. Segundo ele, outros incidentes já foram registrados, mas estes com empresas que derramaram algum tipo de produto. O engenheiro diz ainda que existem penalidades para as empresas ligadas a problemas ambientais, mas para saber mais sobre as infrações e punições que o produtor pode sofrer, somente depois de uma analise da situação com outros técnicos da Capital.


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