Diogo Brondani
Uma situação que está gerando incomodo aos pacientes que aguardam atendimento na sala de espera do Pronto de Atendimento Municipal (PAM) Flávio Miguel Schneider, mais conhecido como PA do Patronato, é o fato de pessoas, muitas vezes infratores, trazidos pela Brigada Militar (BM), terem prioridade no atendimento médico. O fato, que geralmente acontece à noite, está gerando polêmicas. Na noite desta quarta-feira, a indignação de uma usuária acabou em princípio de tumulto quando pessoas levadas pela Polícia passaram à frente de quem já estava na fila.
A autônoma Vânia Lúcia Vieira, 50 anos, que acompanhava o marido doente e aguardava há quase duas horas pelo atendimento, não concordou quando a Brigada Militar (BM) trouxe pessoas algemadas, que tiveram prioridade no atendimento. Segundo ela, quando perguntou em voz alta sobre o que estava acontecendo e porque essas pessoas teriam prioridade no atendimento, foi agarrada pelo braço por um policial que estava no interior do posto, o qual, segundo ela, mandou que calasse a boca. “Ele pegou forte no meu braço e disse que era pra eu calar a boca, e que, se continuasse, seria presa”, relatou Vânia.
Ela conta que apenas reivindicou pelos seus direitos e que considera uma total falta de respeito o fato de infratores passarem à frente de pessoas honestas, que pagam impostos para que tenham um atendimento digno e que, ao precisarem ,se deparam com um sistema de saúde precário e que dá prioridade aos marginais, fazendo que estas fiquem se retorcendo de dor na fila de espera”.
O fato não indignou somente a autônoma, que pretende registrar ocorrência contra o polícial. Outras pessoas que também esperavam não concordaram.
A doméstica Iraci de Souza, 51 anos, que levou a filha para consultar uma alergia, conta que chegou por volta das 19h e constatou que a sala de espera já estava cheia, com gente aguardando no chão. Ela entende como errado esse procedimento. “Eles não estavam machucados nem nada. Entraram andando e saíram ainda com um sorriso debochado no rosto. Até entendo que eles têm de entrar, não devem aguardar junto com a gente, mas também não podem ser priorizados”, diz a doméstica, indignada.