Irá a júri popular o homem acusado do duplo homÃcidio que em junho de 2008 chocou a população do municÃpio vizinho de São Sepé. Airton Guerino Coradini é apontado como autor dos tiros que mataram sua ex-mulher, a comerciária Cristina Medianeira Ambrozio Vasconcelos, de 32 anos, e o filho do casal Halisson Vasconcelos Coradini, de 12 anos de idade. Ele teve a prisão preventiva decretada e aguarda o julgamento preso.
As duas vÃtimas foram encontradas mortas, no dia 7 de junho daquele ano, no interior do apartamento em que residiam, situado no centro de São Sepé. O namorado de Cristina foi quem achou os corpos por volta das 17h30 de sábado. O menino foi encontrado próximo a porta com um tiro no peito e a mãe localizada na sala com três tiros, um no pescoço, outro no abdômen e o terceiro no peito.
Desde o primeiro momento após a localização das vÃtimas, o ex-marido, que na época tinha 45 anos, foi considerado o principal suspeito dos assassinatos. Na data das mortes ele tinha encontro marcado, à s 12h, no apartamento da ex-mulher para tratar da guarda do filho. Cristina Medianeira Ambrozio Vasconcelos trabalhava em uma lotérica da cidade. Ela já havia registrado na PolÃcia Civil ocorrências de ameaças de morte feitas pelo ex-marido.
Na segunda-feira, 9 de junho de 2008, Airton Coradini se apresentou à polÃcia e assumiu a autoria da morte da ex-mulher, alegando legÃtima defesa, mas negou que tivesse assassinado o filho. No depoimento ele afirmou que foi a própria mãe do menino quem desferiu o tiro fatal que acertou Halisson, o que ocorreu quando Cristina tentava atingi-lo depois de uma discussão sobre a guarda do garoto. Coradini disse que conseguiu tomar a arma da ex-mulher e se defender da agressão, atirando contra ela. Ao depor, ele alegou que o revólver usado era de propriedade de sua ex-mulher. O fato foi negado por familiares de Cristina que acusaram Airton Coradini de, dias antes do duplo homicÃdio estar, tentando comprar uma arma e de ter premeditado os assassinatos.
 Na denúncia apresentada pelo Ministério Público à Justiça é salientado que o crime contra a ex-mulher foi cometido pelo autor por motivo torpe, ou seja, por vingança, despeito, ódio reprimido, sentimento de posse devido ao fato de Airton Coradini não aceitar o término da relação conjugal que manteve, por 12 anos, com Cristina e em virtude da ex-esposa estar feliz e namorando outro homem. Em relação a Halisson, o MP argumenta na denúncia que Coradini matou o filho pelo ódio e ressentimento que nutria contra mãe do garoto e porque o menino apoiava o namoro de Cristina com outro homem.
A decisão de considerar procedente, em parte, a denúncia apresentada pelo Ministério Público e submeter o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri foi tomada pelo juiz Miguel Carpi Nejar, da Vara Judicial da Comarca de São Sepé, no último dia 5 de fevereiro. O fato foi comunicado ao advogado Daniel Tonetto, que representa a famÃlia das vÃtimas e trabalhará como assistente de acusação no júri de Airton Coradini, cuja data ainda não foi definida.