Thais Miréa
Além do esgoto despejado indevidamente em uma sanga em pleno centro da cidade, a equipe técnica da Secretaria de Infraestrutura, Habitação e Serviços encontrou lixo entre os fatores que provocaram a obstrução da passagem da água e o conseqüente desmoronamento de parte da Rua Comissário Justo durante as chuvas de janeiro, quando duas famílias ficaram quase ilhadas dentro de casa.
O trabalho de desobstrução da sanga foi iniciado na tarde de ontem e, de acordo com o secretário Haroldo Rios Pouey, não há previsão de prazo para conclusão das obras. Nas primeiras horas de trabalho, já foram localizados restos de sofás e peças de informática entre o esgoto, também despejado irregularmente. A Prefeitura terá de abrir a tubulação em toda a extensão da sanga até o Parque Itaimbé, onde desemboca no Arroio Cadena.
O lixo, segundo Pouey, é proveniente de famílias moradoras nas mediações das ruas Doutor Pantaleão, André Marques e dos Andradas. “Nos chama a atenção que são todos moradores com nível superior e poder aquisitivo largando esgoto e todo tipo de lixo que se possa imaginar na sanga. Nessa área tem toda infraestrutura necessária e rede de esgoto da Corsan. É uma falta de consciência ambiental total de gente universitária. É um absurdo. É revoltante. Mas também para que se preocupar se esse esgoto vai chegar na Salgado Filho, na Carolina. Devem pensar: vou largar, porque não é na minha cara que vai cheirar”, ironizou o secretário.
O investimento necessário e o tempo de duração da obra, segundo o secretário, vão depender da estabilidade do solo. “Tem de ser com cuidado e delicadeza, pois o solo desmorona com muita facilidade. Também depende do que mais vamos encontrar ali dentro. Temos de abrir tudo para verificar.”