Maurício Barbosa
O transtorno do dia-a-dia e a barulheira do trânsito não terminam cedo para os moradores de algumas ruas do centro de Santa Maria. Os famosos trotes das universidades da cidade, somados ao tradicional encontro de amigos para tomar uma cervejinha no final da tarde, tem dado o que falar. Os moradores da Rua Doutor Bozano e da Rua Duque de Caxias, perto da Praça Saturnino de Brito, estão inconformados com a bagunça, o mau cheiro e o desrespeito dos jovens que ali ficam bebendo, gritando e atrapalhando o trânsito.
A praça ficou alguns dias sem iluminação, proporcionando um ambiente propício para o uso de drogas e assaltos, quando vários registros de assaltos foram feitos na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Além de perturbarem o sossego dos moradores, de quem trabalha perto do local ou precisa passar por ali para ir para casa, os jovens ficam indignados quando precisam abrir espaço para os carros passarem pela rua.
Os taxistas do ponto que fica na Praça também reclamam da movimentação dos estudantes que, além da bagunça, reduz o movimento das corridas. “Nosso movimento cai uns 90%. O pessoal desvia e pega taxi em outros locais e não vem até aqui”, disse o taxista Onor Nogueira Machado. Já para o taxista Ramiro Trindade, que trabalha há dois anos e meio no local, está praticamente impossível de trabalhar.
“Das seis e meia da tarde até a meia noite ninguém trabalha aqui no ponto”, desabafou Trindade. Quem também sofre com a falta de conscientização dos jovens, são os moradores, que, além das dificuldades para chegar em casa, (algumas vezes as ruas estarem interditadas pelo Departamento Municipal de Trânsito ou pela Brigada Militar), a porta dos prédios e das casas e a praça amanhecem cheirando a urina. O banheiro que tinha no local foi destruído e jovens são flagrados urinando pelas paredes da praça, na casa do guarda e até mesmo atrás das plantas, que já estão morrendo.
Segundo o subcomandante do Policiamento Ostensivo de Santa Maria, Major Tito, a responsabilidade de orientar o trânsito na cidade é do DMT, mas a Brigada Militar também pode intervir em algumas situações. Segundo o major ao ser questionado quanto a permanêcia das pessoas no meio da rua, disse que a BM sempre que pode e que passa pelo local pede que as pessoas fiquem em cima da calçada. “A educação não tem que ser só dos motoristas, os pedestres não respeitam o trânsito”, afirmou o Major.
Já para o gerente do Departamento Municipal de Trânsito, Jorge Luiz Silveira Ferreira, o maior problema é a aglomeração de pessoas no meio da rua. “Não é nossa responsabilidade colocar o pessoal para cima da calçada, nós só cuidamos do trânsito”, comentou Ferreira. Ele ressalta que se o DMT fecha a rua causa transtornos para os moradores e se não fecha, o trânsito vira um caos.
A insegurança dos agentes de trânsito ao exercerem a profissão nas ruas da cidade não possibilita que eles possam fazer alguma fiscalização na região durante este período, diz o gerente. “A minha esperança é que isto acabe esta semana, não temos como ir lá sem segurança”, afirmou Ferreira. As interrupções das ruas são previamente acertadas entre a Brigada Militar e o Departamento Municipal de Trânsito, que realizam fiscalizações em parceria periodicamente.