Sexta-feira, Abril 30, 2010 20:31

Autoria de livro causa discórdia

Postado por redacao em Sexta-feira, Abril 30, 2010, 20:31
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Fátima Segatto afirma que procurou a professora durante a produção do livro e que não quer a propriedade do trabalho. No detalhe, capa da obra que gerou polêmica na Feira do Livro - Foto Rafael Dias/ A Razão

Luísa Kanaan
Dia 26 de abril foi um dia muito especial. Maria e João chegaram na nossa sala de aula”. Foi assim que uma aluna do segundo ano do Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac registrou a chegada de dois novos alunos na sua turma: João e Maria. Os dois eram bonecos de 80 centímetros, construído com doações de pais dos estudantes da professora Sarah Franciosi, que eram tratados como alunos de verdade. Mal sabiam eles que por volta da mesma data, só que no ano de 2010, estariam envolvidos numa confusão entre a sua professora e a escritora de um livro.
As partes em questão são Sarah Franciosi, que desenvolveu a atividade escolar de João e Maria com os alunos do segundo ano do Ensino Fundamental da escola Olavo Bilac no ano de 2004, e a escritora Fátima Segatto – que lança na Feira do Livro deste ano o livro “A Vida É uma Conquista. Uma Proposta Pedagógica” no qual é descrito o trabalho de Sarah. A confusão se deu pela autoria do livro: Sarah diz que ficou surpresa ao saber que seu trabalho havia virado livro de autoria de Fátima. Já Fátima diz que procurou a professora para que ela desse seu aval para o livro, mas ela teria dito que não queria ter seu nome na publicação. Agora ambas já contataram advogados e foi feito registro de ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA), na última quinta-feira. O livro seria lançado na próxima terça-feira, mas foi recolhido da banca por Fátima.
“Levei o maior choque quando uma amiga minha contou que Fátima havia mostrado para ela exemplar do livro sobre o meu trabalho, com foto de João e Maria, com o título que eu dei mas com autoria dela”, afirmou Sarah. A professora conta que no final de 2004 doou o trabalho para a Casa do Escritor Santa-mariense para que as alunas de cursos normais utilizassem em suas aulas. “Era para ser de uso comunitário, mas não para haver apropriação. Ela já havia me falado em transformar a minha experiência pedagógica em livro, mas há anos vinha dizendo que não havia dado tempo e que no próximo ano sairia”, disse.
Conforme a professora, que foi a criadora de João e Maria (bonecos que eram ensinados pelos alunos e que até visitavam suas casas – envolvendo pais no ensino das crianças), Fátima Segatto não a consultou para a produção do livro. “Nem os custos da gráfica ela me falou. Mas o pior foi ver que eu não estou listada como autora”, disse a professora. Um pouco antes do início da Feira, a professora conta que viu o livro e sugeriu que fosse trocada a capa colocando-a como autora e Fátima como organizadora. “Ela não gostou. Sugeri um adesivo – e ela também disse que não seria possível”, afirmou a professora, que não viu outra alternativa que não fazer o Boletim de ocorrência.
O livro foi impresso pelo Recanto do Escritor Segatto, que já tem 50 livros editados. Fátima tem 22 obras publicadas pelo Recanto e diz que ficou chocada ao saber através da rádio santa-mariense que a professora havia feito boletim de ocorrência. “Além do choque, fico entristecida, pois tudo o que quis foi fazer uma boa ação publicando o trabalho maravilhoso de uma professora que foi retirada das salas de aula. Eu com certeza teria colocado o nome dela se ela tivesse pedido, mas isso não aconteceu. Ela não me procurou para conversar”, afirma Fátima, que é poeta e presidente do Recanto.
Conforme Fátima, a cada passo do trabalho havia a tentativa de conversa com Sarah, que se recusava a participar. “Ela dizia que qualquer coisa que eu fizesse estaria bom e que ela não queria que o nome dela saísse, que ela tinha feito uma doação e queria que a comunidade ficasse sabendo do trabalho que ela havia feito. Ela disse que o livro era meu, mas eu nunca tive a intenção de ficar com o trabalho dela”, afirmou a escritora.
O promotor público João Marcos Adede y Castro – procurado pela reportagem – afirmou que mesmo doado, o trabalho intelectual da professora continua sendo dela. “A pessoa pode ceder os direitos autorais, relativos à parte econômica da publicação, mas não a propriedade intelectual. O que a professora fez continua sendo autoria dela e deveria constar na capa, pois apesar da cedência o trabalho não passa a ser da outra. Agora será tudo uma questão das provas que cada uma vai apresentar”, afirmou Adede y Castro. Também procurada para comentar o caso, Lígia Militiz, presidente da Academia Santa-mariense de Letras, afirma que desconhecia a existência de ambas as casas de escritores e que o caso deve ser avaliado juridicamente. “A orientação da Academia é que se preserve a autoria do trabalho”, afirmou. Leia mais sobre a feira na página 9.

Luísa Kanaan
Dia 26 de abril foi um dia muito especial. Maria e João chegaram na nossa sala de aula”. Foi assim que uma aluna do segundo ano do Instituto Estadual de Educação Olavo Bilac registrou a chegada de dois novos alunos na sua turma: João e Maria. Os dois eram bonecos de 80 centímetros, construído com doações de pais dos estudantes da professora Sarah Franciosi, que eram tratados como alunos de verdade. Mal sabiam eles que por volta da mesma data, só que no ano de 2010, estariam envolvidos numa confusão entre a sua professora e a escritora de um livro.As partes em questão são Sarah Franciosi, que desenvolveu a atividade escolar de João e Maria com os alunos do segundo ano do Ensino Fundamental da escola Olavo Bilac no ano de 2004, e a escritora Fátima Segatto – que lança na Feira do Livro deste ano o livro “A Vida É uma Conquista. Uma Proposta Pedagógica” no qual é descrito o trabalho de Sarah. A confusão se deu pela autoria do livro: Sarah diz que ficou surpresa ao saber que seu trabalho havia virado livro de autoria de Fátima. Já Fátima diz que procurou a professora para que ela desse seu aval para o livro, mas ela teria dito que não queria ter seu nome na publicação. Agora ambas já contataram advogados e foi feito registro de ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA), na última quinta-feira. O livro seria lançado na próxima terça-feira, mas foi recolhido da banca por Fátima.“Levei o maior choque quando uma amiga minha contou que Fátima havia mostrado para ela exemplar do livro sobre o meu trabalho, com foto de João e Maria, com o título que eu dei mas com autoria dela”, afirmou Sarah. A professora conta que no final de 2004 doou o trabalho para a Casa do Escritor Santa-mariense para que as alunas de cursos normais utilizassem em suas aulas. “Era para ser de uso comunitário, mas não para haver apropriação. Ela já havia me falado em transformar a minha experiência pedagógica em livro, mas há anos vinha dizendo que não havia dado tempo e que no próximo ano sairia”, disse. Conforme a professora, que foi a criadora de João e Maria (bonecos que eram ensinados pelos alunos e que até visitavam suas casas – envolvendo pais no ensino das crianças), Fátima Segatto não a consultou para a produção do livro. “Nem os custos da gráfica ela me falou. Mas o pior foi ver que eu não estou listada como autora”, disse a professora. Um pouco antes do início da Feira, a professora conta que viu o livro e sugeriu que fosse trocada a capa colocando-a como autora e Fátima como organizadora. “Ela não gostou. Sugeri um adesivo – e ela também disse que não seria possível”, afirmou a professora, que não viu outra alternativa que não fazer o Boletim de ocorrência.O livro foi impresso pelo Recanto do Escritor Segatto, que já tem 50 livros editados. Fátima tem 22 obras publicadas pelo Recanto e diz que ficou chocada ao saber através da rádio santa-mariense que a professora havia feito boletim de ocorrência. “Além do choque, fico entristecida, pois tudo o que quis foi fazer uma boa ação publicando o trabalho maravilhoso de uma professora que foi retirada das salas de aula. Eu com certeza teria colocado o nome dela se ela tivesse pedido, mas isso não aconteceu. Ela não me procurou para conversar”, afirma Fátima, que é poeta e presidente do Recanto.Conforme Fátima, a cada passo do trabalho havia a tentativa de conversa com Sarah, que se recusava a participar. “Ela dizia que qualquer coisa que eu fizesse estaria bom e que ela não queria que o nome dela saísse, que ela tinha feito uma doação e queria que a comunidade ficasse sabendo do trabalho que ela havia feito. Ela disse que o livro era meu, mas eu nunca tive a intenção de ficar com o trabalho dela”, afirmou a escritora.O promotor público João Marcos Adede y Castro – procurado pela reportagem – afirmou que mesmo doado, o trabalho intelectual da professora continua sendo dela. “A pessoa pode ceder os direitos autorais, relativos à parte econômica da publicação, mas não a propriedade intelectual. O que a professora fez continua sendo autoria dela e deveria constar na capa, pois apesar da cedência o trabalho não passa a ser da outra. Agora será tudo uma questão das provas que cada uma vai apresentar”, afirmou Adede y Castro. Também procurada para comentar o caso, Lígia Militiz, presidente da Academia Santa-mariense de Letras, afirma que desconhecia a existência de ambas as casas de escritores e que o caso deve ser avaliado juridicamente. “A orientação da Academia é que se preserve a autoria do trabalho”, afirmou.


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5 Comentários para “Autoria de livro causa discórdia”

  1. Ana Flores
    2010.05.31 14:29

    Quem conhece o trabalho abnegado, suado, paciente e sem holofotes de Fátima Segatto, em prol da literatura e da divulgação de novos escritores, jamais acreditará que ela quisesse se apropriar do trabalho intelectual de quem quer que seja. Prefiro acreditar na extrema ingenuidade dela de não se ter precavido contra a má intenção de quem quer se promover como peseudointelectual. Seria um tiro no pé, convenhamos. :roll:

  2. TEREZINHA SATHES
    2010.07.17 17:31

    FÁTIMA.CONHECENDO COMO TE CONHEÇO; UMA PESSOA QUE TRABALHOU DENTRO DE UM HOSPITAL FAZENDO NECROPSIA, DESAPEGADA DAS LUXÚRIAS E CAPITAIS. NA SUA CASA MODESTA, APENAS O CONFORTO NECESSÁRIO, ONDE SUA SALA É QUASE UM JARDIM CHEIO DE FLORES É PROVA VIVA DO SEU AMOR, É PROVA DO SEU SENTIMENTALISMO, NÃO TERIAS NECESSIDADE DE SE APROPRIAR DE TRABALHO ALHEIO, POR QUE SEI QUE DEIXASTE DE EDITAR SEUS TRABALHOS PARA BENEFICIAR OUTROS AUTORES, POIS TEM BRILHO PRÓPRIO E COMPETÊNCIA PARA FAZER O QUE FAZ. JÁ REALIZAMOS TRABALHOS JUNTAS EM JÚLIO DE CASTILHOS. BUSCANDO SEMPRE DESCOBRIR TALENTOS, TENDO TAMBÉM O OBJETIVO DE FAZER DOAÇÕES PARA AS BIBLIOTÉCAS, COMO FOI FEITO AQUI EM NOSSA CIDADE. UMA PROVA DISSO É QUE A CADA ANO CRESCE MAIS AS NOSSA OFICINAS LITERÁRIAS. FÁTIMA, CONTINUA A TUA TRAJETÓRIA DESCOBRINDO TALENTOS, VOCÊ É MUITO SUPERIOR À QUALQUER MESQUINHARIA.

    MARIA TEREZINHA PORTELLA SATHES – JÚLIO DE CASTILHOS.

  3. juh
    2010.09.14 23:29

    Como pode uma pessoa,dizer que quer doar seu trabalho,no qual sente orgulho de dizer que foi feito tudo com muito carinho e dedicação,e ainda não querer que seu nome apareça!!!!!! no livro!!!!
    desculpe-me,acho que tem alguma coisa obscura,nesta estória toda,fica na consciência de cada uma,tudo que foi dito e que foi feito!! A verdade sempre prevalece! cedo ou tarde!

    UM ABRAÇO Á PROFESSORA! E A ESTA ESCRITORA !!

  4. Patricia
    2011.01.21 10:47

    Acho que é preciso muita atenção nesta trama toda!!!! ALGUÉM ESTÁ MENTINDO!
    mas… se o trabalho que a professora fez é real e existe,é fácil saber quem foi passada para traz.Uma pessoa esclarecida deve saber que o nome do autor DEVE constar na capa, querendo ele ou não! :roll: falando

  5. Leandro
    2011.03.17 14:09

    Conheço a professora Sarah e posso garantir que é uma pessoa da mais absoluta honestidade e corrétíssima, em tudo que faz, com muita seriedade. :wink:

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