
Müller afirmou que a data só voltaria para janeiro se o Derca tivesse mais funcionários. Ele também falou que Santa Maria só tem a ganhar com mais estudantes vindo preencher as 4.636 vagas anuais da universidade
Solucionar dúvidas e desentendimentos sobre as mudanças no novo modelo de ingresso à graduação na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Esse foi o objetivo da visita do reitor da UFSM, Felipe Müller, à reunião-almoço do Fórum das Entidades Empresariais para a qual foi convidado. “Estou sempre aberto ao diálogo”, disse o reitor, que apresentou os porquês das mudanças no concurso da instituição. Conforme o presidente da entidade, Souvenir Machado, o encontro foi proveitoso, pois “haviam pontos de divergência e desta reunião veio o entendimento”, disse Souvenir.
Duas das grandes preocupações do Fórum eram a data de realização da prova – que de janeiro passaria para dezembro – e a descentralização do concurso. Sobre as questões, Müller apontou que a mudança de data tem a ver com a logística. “Tenho um número fixo de funcionários para o trabalho de confirmação de vaga e recebimento de documentações, como declaração de negros e históricos escolares. Tradicionalmente, já fazemos uma força tarefa com os servidores do Departamento de Registro e Controle Acadêmico (Derca), que são cerca de 21, para essa data. Com o aumento das vagas oferecidas precisamos de tempo para isso. Se eu tivesse mais servidores, até poderia manter as provas em janeiro”, disse o reitor.
Segundo ele, mesmo com os cerca de 270 funcionários recém contratados por concursos públicos, não haveria como deslocá-los para as confirmações de vaga. Os novos servidores, conforme Müller, não aumentariam a capacidade de trabalho na instituição, apenas supririam a demanda da expansão de vagas na UFSM. Conforme os empresários, o ideal seria manter em janeiro, que é um mês de pouco comércio, mas o reitor apontou que poderia compensar o empresariado com mais eventos em janeiro, como formaturas. “Com a finalização da construção do Centro de Eventos da UFSM (que terá 12 mil m²), que será um dos mais modernos do Estado, poderemos ter formaturas todos os dias”, disse o reitor.
Descentralização – A outra preocupação tanto do Fórum como de cursinhos pré-vestibulares e também alguns estudantes, era a realização das provas da UFSM em cerca de 100 cidades-polo. Dentre os argumentos estava a perda das vagas locais para vestibulandos de fora do Estado.
O reitor explicou que as provas serão feitas nos locais de abrangência da instituição (regiões norte e noroeste do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e sudoeste do Paraná) e são um total de 22 cidades. “Até estar implementado totalmente o novo modelo de vestibular, em 2013, ainda temos as provas do Peies 2 e 3, que são realizadas em 105 cidades. Houve uma confusão. As provas do concurso da UFSM no novo modelo serão realizadas em 20 cidades gaúchas e apenas duas fora do Estado”, explicou o reitor.
Müller ainda apontou que após o primeiro ano teste é até possível que diminua o número de cidades. “Nosso foco não é o estudante de São Paulo e sim os que estão nos bolsões de atratividade da UFSM”, explicou o reitor, que apresentou uma equação para os presentes: mais vagas, maior universidade, mais gente gastando dinheiro é igual a mais receita para Santa Maria.
Vagas - Conforme o reitor Felipe Müller, as mudanças visam preencher as 4.636 vagas abertas pela expansão da universidade (antes eram cerca de 2.500 vagas) com o Reuni. A expectativa de Müller é que cerca de 25 a 30 mil candidatos façam a prova da UFSM.
Enem – Questionado pelos presentes sobre quando a Federal utilizaria a integralidade da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), como está sendo apontado pelo Governo Federal, o reitor disse que não sabe, mas prefere não aderir. “Se não vier uma lei lá de cima, pretendo continuar com o vestibular autônomo. Não gostaria de mudar, pois temos uma boa inserção nas escolas e uma marcante regionalidade. Colocamos o Enem como parte da nota para que os candidatos também se preparem para essa prova que a cada dia está sendo adotada por mais instituições”, afirmou.