Meningite pode ser fatal em 10% dos casos

Meningite pode ser fatal em 10% dos casos

Sob a maior pressão: assim fica o cérebro de quem contrai meningite, doença que pode ser viral ou bacteriana

Alessandra Noal

Doença ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central (Reprodução/A Razão)

Doença ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e
outras partes do sistema nervoso central (Reprodução/A Razão)

meningite é uma doença que atinge o sistema nervoso, caracterizada por um processo inflamatório nas meninges – membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Ela pode ser causada, principalmente, por vírus ou bactérias. O ser humano é o único hospedeiro natural desta bactéria cujas sequelas podem ser variadas: desde dificuldades no aprendizado até paralisia cerebral, passando por problemas como surdez.

A doença chega a matar em cerca de 10% dos casos e atinge 50% quando a infecção alcança a corrente sanguínea e é este um dos motivos da importância do tratamento médico. A doença meningocócica tem início repentino e evolução rápida, pode levar ao óbito em menos de 24 a 48 horas.

Os sintomas característicos dos quadros de meningite, independente do tipo, viral ou bacteriana, nunca devem ser desconsiderados. O quadro das meningites virais é mais leve e seus sintomas se assemelham aos da gripe e resfriados. A doença acomete principalmente as crianças, que têm febre, dor de cabeça, um pouco de rigidez da nuca, inapetência e ficam irritadas. Uma vez que os exames tenham comprovado tratar-se de meningite viral, a conduta é esperar que o caso se resolva sozinho, como acontece com as outras viroses.

A bacteriana – causada principalmente pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos – é mais grave e deve ser tratada imediatamente. Ela é altamente contagiosa e geralmente grave, sendo a doença meningocócica a mais séria. Os principais agentes causadores da doença são as bactérias meningococos, pneumococos e hemófilos, transmitidas pelas vias respiratórias ou associadas a quadros infecciosos de ouvido, por exemplo. Em pouco tempo, os sintomas aparecem: febre alta, mal-estar, vômitos, dor forte de cabeça e no pescoço, dificuldade para encostar o queixo no peito e, às vezes, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo. Esse é um sinal de que a infecção está se alastrando rapidamente pelo sangue e o risco de septicemia aumenta muito. Nos bebês, a moleira fica elevada.

Geralmente a incidência da doença é maior em países em desenvolvimento, especialmente em áreas com grandes aglomerados populacionais. Tal constatação pode ser justificada pela precariedade dos serviços de saúde e condições de higiene e pela facilidade maior de propagação em locais fechados ou aglomerados. Por este último motivo é que, geralmente, a doença é mais manifestada no inverno – quando tendemos a buscar refúgios em locais mais fechados para fugirmos do frio.

Conheça a história da santa-mariense que teve meningite do tipo bacteriana

“Tive com quase três anos. Em casa me deu febre alta que não baixava de 40ºC, começaram a aparecer manchas vermelha na palma das mãos e na sola dos pés e eu sentia muita dor nas pernas. Então, minha mãe me levou ao Pronto Atendimento e lá os médicos suspeitaram que pudesse ser meningite. Mandaram-me para o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) para fazer um exame. Esse que consistia na retirada de um líquido da coluna, e, se o mesmo saísse amarelo, era porque eu estava com a doença. Logo o líquido foi mandado para o laboratório para descobrir qual era o tipo de meningite que eu tinha. Enquanto isso, fui mandada para UTI onde fiquei por dois dias, depois fui para o quarto onde permaneci por mais 13 dias. Não foi preciso ficar em isolamento, fiquei no quarto com outras crianças. O tratamento foi feito com antibióticos. A doença foi descoberta em menos de 48 horas, por isso, não entrei em coma e não fiquei com nenhuma sequela”, contou Jéssica.

Como se prolifera e como tratar a doença?

Dificuldade para encostar o queixo no peito é um dos sintomas (Reprodução/A Razão)

Dificuldade para encostar o queixo no peito é um dos
sintomas (Reprodução/A Razão)

Transmissão - se dá pelo contato da saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente com os órgãos respiratórios de um indivíduo saudável, levando a bactéria para o sistema circulatório aproximadamente cinco dias após o contágio. Como crianças de até 6 anos de idade ainda não têm seus sistemas imunológicos completamente consolidados, são elas as mais vulneráveis. Idosos e imunodeprimidos também fazem parte do grupo de maior suscetibilidade.
Diagnóstico - É de suma importância proceder ao diagnóstico e tratamento precoce. O paciente deve procurar o serviço de saúde, logo que apresentar os sintomas, pois no caso das meningites bacterianas, a introdução precoce do antibiótico reduz o risco de morte em 15%. Para o diagnóstico é necessário realizar a coleta de liquido cefaloraquidiano e de sangue de forma a identificar a bactéria, vírus, fungo, ou seja o agente causador da doença.

Tratamento – O tratamento das meningites bacterianas tem de ser introduzido sem perda de tempo, porque a doença pode ser letal ou deixar sequelas, como surdez, dificuldade de aprendizagem, comprometimento cerebral. Ele é feito com antibióticos aplicados na veia. Assim como para as outras enfermidades causadas por vírus, não existe tratamento específico para as meningites virais. Os medicamentos antitérmicos e analgésicos são úteis para aliviar os sintomas. Meningites causadas por fungos ou pelo bacilo da tuberculose exigem tratamento prolongado à base de antibióticos e quimioterápicos por via oral ou endovenosa.

Como prevenir?

  • Lavar as mãos frequentemente – ao chegar do trabalho, antes de preparar, servir ou comer alimentos: depois de usar o banheiro, após auxiliar uma criança a utilizar o banheiro, após trocar fralda, após assoar o nariz, tossir ou espirrar, proteger o nariz e a boca com o braço ao espirrar ou tossir.
  • Não secar as mãos em toalhas úmidas. Em local coletivo utilizar de preferência toalhas descartáveis.
  • Manter o ambiente limpo e arejado.
  • Alimentos: lavar e desinfetar as frutas e verduras.
  • Limpar os reservatórios de água de abastecimento com solução clorada.
  • Utilizar filtro ou bebedouro para água potável.
  • Desinfetar filtros e bebedouros regularmente com água clorada.
  • Separar os utensílios de uso individual, em especial das crianças.
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