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	<title>ARAZÃO &#187; Candinho</title>
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	<description>A Razão 76 Anos</description>
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		<title>Para não dizer que não falei de política</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 03:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antônio Cândido Ribeiro
Contou-me minha mãe que, eu ainda em seu ventre, uma simpática cigana disse-lhe, na Avenida Rio Branco – não a atual, feia, desfigurada, com canteiros centrais priva-tizados, verdadeiro portfólio do desleixo e do descaso do poder público para com aquilo que, sendo público, é de todos –, que eu seria um grande político. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro</strong></p>
<p>Contou-me minha mãe que, eu ainda em seu ventre, uma simpática cigana disse-lhe, na Avenida Rio Branco – não a atual, feia, desfigurada, com canteiros centrais priva-tizados, verdadeiro portfólio do desleixo e do descaso do poder público para com aquilo que, sendo público, é de todos –, que eu seria um grande político. Vê-se que o vaticínio da zíngara não se confirmou. E não porque me tenha faltado vontade. Desde pequeno, acreditei que o seria (nos meus devaneios, antevia-me em papel de destaque na vida polí-tica nacional). Sabe-se lá por quais razões, desde piazinho, eu gostava de política. Dá para imaginar um guri nascido e criado nas solidões do pampa, no interior do interior de Dilermando de Aguiar, há 50 anos, tão interessado em política, que passava horas em frente a um rádio de válvulas ouvindo, entre chiados, transmissões de comícios ou de apuração de eleições? Ou que ele soubesse de cor nomes inteiros de deputados, senado-res, vereadores, governadores e o escambau? Com igual exatidão, ele só sabia escalações de times de futebol, muito especialmente do glorioso, imortal e amado Grêmio FBPA.      </p>
<p>Depois, ainda menino, já na cidade, diminuiu um pouquinho o interesse. Conse-qüência natural das peladas nos muitos campinhos de futebol que Santa Maria possuía. Mas, ainda no colégio e mais tarde na Universidade, o interesse voltou forte e fiz política estudantil. Só não ingressei efetivamente na vida partidária porque casei muito cedo e minha primeira mulher não gostava de política. Após, formado, na saudosa Cáceres (MT), fui instado por amigos (teria muitos apoios) a me candidatar a vereador. </p>
<p>Entusiasmei-me com idéia, mas o sonho mais uma vez ruiu: na hora de transferir meu título eleitoral para lá, o amor por Santa Maria falou mais alto (aqui sempre foi meu domicilio eleitoral) e, na época, já separado, cá estavam meus filhos. Foram eles que me motivaram a largar tudo que estava construindo no Centro-Oeste para, aqui, recomeçar a vida. Depois, novo casamento e com apoio da mulher (esta dá um dedo pela vida política), militei fortemente no PMDB, do qual fui dirigente e pelo qual me candidatei a vereador. Candidatura que voltou à baila na eleição passada. Felizmente, desisti (minha hora já passou). </p>
<p>Calma, amiga, só falei de política porque queria falar de ciganos (daí o gancho i-nicial), esse povo misterioso, espalhado pelo mundo. Inclusive, na calçada lateral do pré-dio onde trabalho, onde, vezes sem conta, ciganas ficam à cata de incautos, jovens e ve-lhas senhoras, para lerem mãos, verem sortes e “otras cositas mas”. Não, não quero bron-quear com as ciganas. Os Rom me fascinam, pela sua história permeada de injustiças e preconceitos, pela sua peculiar cultura e, talvez, por uma remotíssima noite andaluza – aquecida por fogueiras, ao som de violinos e do farfalhar de longas saias –, perdida na memória dos tempos. Ou pelo aconchego e pelo generoso calor humano encontrados em uma grande barraca de lona, em não tão remota noite, no tempo do menino que fui. Noite de perda e de sofrimento, pelo meu avô que se fora. </p>
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		<title>Estado, educação e cidadania</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 14:42:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Candinho]]></category>
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		<description><![CDATA[Antônio Cândido Ribeiro  
A complexidade do Estado moderno, as exigências de consecução de seus fins ( realização do bem público), a escassez de recursos para atendimento de um número cada vez maior de demandas sociais e o fim do sonho do Estado de Bem-estar Social (Welfare State) geram uma relação tumultuada, de permanentes conflitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro</strong>  </p>
<p>A complexidade do Estado moderno, as exigências de consecução de seus fins ( realização do bem público), a escassez de recursos para atendimento de um número cada vez maior de demandas sociais e o fim do sonho do Estado de Bem-estar Social (Welfare State) geram uma relação tumultuada, de permanentes conflitos entre administradores e administrados, em face da necessidade de carrear aos cofres públicos, basicamente atra-vés da arrecadação tributária, os recursos necessários ao atendimento daquelas demandas.   </p>
<p>Assim, de um lado, temos os Entes públicos (União, Estados, Municípios) que ne-cessitam atender reclamos quanto à educação, à saúde e à segurança, só para ficarmos no tripé fundamental dos compromissos estatais e, de outro, os cidadãos compelidos, por força daquelas exigências, ao desembolso de uma carga tributária cada vez maior. E a relação estado-cidadão se complica ainda mais, em razão da sempre controvertida ques-tão da adequada aplicação dos recursos carreados ao Erário em decorrência das imposi-ções tributárias. </p>
<p>Óbvio, que, no espaço exíguo deste pequeno artigo, não se pretende esgotar quaisquer discussões quanto ao tema. O que se quer é chamar a atenção para a necessida-de de que cada cidadão seja um agente culturalmente responsável pela sua parte na imen-sa e intrincada cadeia sócio-econômica que mantém em funcionamento o aparato estatal. O Estado mínimo que muitos pretendem e reclamam não tem como atender as demandas da sociedade, senão de forma claudicante e cada vez menos efetiva. Se, com o Estado que temos, as coisas funcionam precariamente, a tendência é que, num estado diminuído, es-vaziado em seu aparato (não-regulador, não-arrecadador, não-fiscalizador), em que tudo seja deixado à feição dos interesses de grupos sociais e econômicos mais fortes e mais bem organizados, o que hoje é ruim se transforme no caos.   </p>
<p>A manutenção de um Estado que atenda minimamente às nossas expectativas pressupõe educação (no sentido mais abrangente do termo), consciência de cidadania e permanente vigilância. Se eu achar normal furar a fila, desrespeitar regras de trânsito, se não emito nota fiscal (e, portanto, sonego impostos), não posso, impavidamente, como se nada disso me dissesse respeito, pretender que o Estado atenda minhas necessidades bási-cas. O desafio, portanto, é encontrar o ponto de equilíbrio entre as possibilidades do Po-der Público e as necessidades da coletividade. E só será possível encontrá-lo se todos nós assumirmos o compromisso ético de agir como cidadãos. Isso implica, está visto, além da plena possibilidade de exercício de direitos, responsabilidade, individual e coletiva, pelo cumprimento de deveres e obrigações.  A consciência desse fato, só a adquiriremos com educação. Por isso, são fundamentais ações como o Programa Municipal de Educação Fiscal, sobre o qual, oportunamente, voltarei a falar.      </p>
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		<title>A excomunhão é o menos</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 17:20:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não falaria sobre a excomunhão de médicos e familiares da menina pernambuca-na paciente de aborto legal (estupro) e terapêutico (grave risco de vida)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro</strong></p>
<p>Não falaria sobre a excomunhão de médicos e familiares da menina pernambuca-na paciente de aborto legal (estupro) e terapêutico (grave risco de vida). Mas tanto li e ouvi sobre o tema que decidi repartir com os leitores excertos de textos lidos, os quais, pela contundência, pela percuciência da análise, merecem divulgação. </p>
<p>Começo, citando um “cordel” (A excomunhão da vítima), que circula na Inter-net, cujo autor é Miguezim de Princesa, do qual pinço a segunda e a décima e estrofes: “Pelas fogueiras que arderam / No tempo da Inquisição, / Pelas mulheres queimadas / Sem apelo ou compaixão, / Pensava que o Vaticano / Tinha mudado de plano, / Abolindo a excomunhão.” “E esta quem me contou / Foi Lima do Camarão: / Dom José excomun-gou / A equipe de plantão, / A família da menina / E o ministro Temporão, / Mas para o estuprador, / Que por certo perdoou, / O arcebispo reservou / A vaga de sacristão.”      </p>
<p>Mas, o texto que, pela coerência e lucidez, mais me impressionou (se alguém qui-ser lê-lo na íntegra, e não tiver acesso a ele, me peça), de autoria do médico e escritor Dráuzio Varella, saiu no jornal “Folha de São Paulo” (caderno Folha Ilustrada) edição de sábado passado, dia 14/03. O articulista, que começa se solidarizando com seus cole-gas responsáveis pelo abortamento, às tantas, diz sobre a posição da Igreja Católica: “È uma cosmovisão antagônica à da medicina. Nenhum de nós daria tal conselho (sofrer para se purificar) em lugar de analgésicos para alguém com cólica renal.” Mais: “Po-demos acusar a Igreja católica de inúmeros equívocos e de crimes contra a humanidade, jamais de incoerência. Incoerentes são os católicos que esperam dela atitudes incompa-tíveis com os princípios que a regem desde os tempos da Inquisição.(&#8230;) Por que cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos cantos das sacristias e dos colégios re-ligiosos? Além da transferência para outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses padres (&#8230;)?” Ainda: “Os católicos precisam ver a igreja como ela é, aferrada à sua lógica interna, seus princípios medievais, dogmas e cânones. Embo-ra existam sacerdotes dignos de respeito e admiração, (&#8230;), a burocracia hierárquica jamais lhes concederá voz ativa.” Ou: “Os males que a igreja causa á sociedade em no-me de Deus vão muito além da excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da ma-quinária do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes.” E, na conclusão: “Quando a igreja condena a camisinha, o aborto, a pílula, as pesquisas com células-tronco ou o divórcio, não se limita a aconselhar os católicos a segui-la, ins-tituição autoritária que é, mobiliza sua força política desproporcional para impor proi-bições a todos nós.” Irretocável!</p>
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		<title>Inquietações</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 05:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vezes, na quietude das madrugadas indormidas, eu me descubro inquieto, pensamento errando por sensações que imaginava adormecidas, por certezas que se liqüifazem ao mais sutil toque da realidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro </strong> </p>
<p>Às vezes, na quietude das madrugadas indormidas, eu me descubro inquieto, pensamento errando por sensações que imaginava adormecidas, por certezas que se liqüifazem ao mais sutil toque da realidade. É, amiga, viver é quase sempre complicado. Mais por nós mesmos, por nossas inseguranças, por nossos medos, que propriamente por aquilo que a vida e o mundo antepõem à nossa caminhada. Não raro, nosso passo inseguro, vacilante, que até disfarçamos com alguma maestria, decorre dos fantasmas alheios que se vão plantando à nossa porta e que assumimos como se fossem nossos. Além das nossas próprias dores, que, é certo, não há como evitá-las todas, assumimos dores que não são nossas, nos comprometemos com sonhos que não são nossos, alimentamos tristezas que não nos pertencem.     </p>
<p>Por isso, é necessário que tenhamos um mínimo de discernimento, de capacidade de compreensão dos fatos da vida, e de fortaleza anímica para nos isolarmos um pouquinho das dores do mundo, sem nos tornarmos – isso é imprescindível – egoístas, sem nos transformarmos em seres insensíveis e indisponíveis para a generosidade e para o gesto fraterno. E mais, sem nos tornarmos maniqueístas. É preciso encontrar o equilíbrio, mesmo que sofrido, mesmo que precário. E é por isso, penso, que as minhas humanas fragilidades se acentuam quando paro para conversar comigo mesmo. Lá fora, na noite imensa, e não importa quantos vaga-lumes (sem hífen?) acendam seus pequenos luzeiros, e não importa quão generosa e grávida de luz se faça a lua cheia, há dores e sofrimentos que nós – sociedade, governos, igrejas – somos incapazes de atenuar.      </p>
<p>Talvez, eu devesse ler um romance de capa e espada ou ver uma comédia na televisão; talvez eu devesse ouvir um rock leve e despretensioso ou me conectar com o mundo, no que o mundo tem de melhor, pela Internet; talvez eu devesse rabiscar um poema de suave andamento. Talvez, eu devesse ir para a cama dormir o sono dos justos, certo de que tenho tentado fazer minha parte na produção da frágil teia das relações humanas.  Talvez eu não devesse olhar para os lados, talvez eu devesse me concentrar mais em mim mesmo, lamber minhas próprias feridas. Afinal de contas, quem de nós não tem seus próprios problemas? Talvez eu me preocupe à-toa, porque, dizem, a vida é assim mesmo, desde que o mundo é mundo. </p>
<p>Sei não, amiga, acho que estou ficando com o miolo meio mole. E se for isso, estou lascado, porque sempre me pensei capaz, sem cartesianismo, de compensar a irracionalidade amanteigada do meu músculo cardíaco com uma mínima habilidade para racionalizar as questões que dizem respeito à vida. Se for isso, deu para minha bolinha, padecerei de permanente insônia e só dormirei sob o efeito de pesados sedativos ou de muita poesia. </p>
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		<title>Crise técnica</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 01:52:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Candinho]]></category>
		<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Agora não, a sensação que tenho é de fim de festa, é de ressaca que não acaba, é de fastio de tudo que diz respeito a escrever]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro</strong></p>
<p>Estou quase entregando os pontos. Explico-me: periodicamente, sou assaltado por dúvidas – angústias quase, eu diria –, quanto a continuar meu solitário (e por vezes soli-dário) ofício de escrevinhador. Só que, diferentemente do atual momento, que já perdura por meses, as crises são passageiras, têm curta duração. Mal se instalam e logo surge um fato, uma idéia, uma inspiração, uma palavra e&#8230; tudo volta à normalidade. </p>
<p>Agora não, a sensação que tenho é de fim de festa, é de ressaca que não acaba, é de fastio de tudo que diz respeito a escrever. Uma crônica comum, banal, para ser parida, precisa de fórceps; um poema fica no primeiro verso; uma letra de música fica na primeira estrofe; um conto, no primeiro parágrafo.  Sinto-me, mal comparando, como um jogador de futebol, desses que a gente sabe que não é craque, mas é bom jogador, com técnica e inspiração suficientes para uma tabelinha, para um passe longo ou para, na cara do gol, desviar a bola do goleiro com um toque sutil, e que, de repente, começa a errar passes de três metros; sem quê nem para quê, na hora do domínio, é engano pelo quique da bola, ela bate em sua canela e se oferece mansa, dócil, ao adversário; à toa, sozinho na pequena área, dá um bico pra fora ou chuta em cima do goleiro. É a tal crise técnica, que não se explica e que, vezes sem conta, vivem bons jogadores e até mesmo craques. Que vivem times pequenos e times grandes. No caso dos jogadores e dos times de futebol, o proble-ma se resolve com a continuidade, com a insistência, com paciência. Já no meu caso, como a crise técnica parece não ter fim, penso que é bobagem insistir, sob pena de comprometer a memória de alguns momentos de lucidez e de boas “jogadas” do passado mais ou menos remoto. É melhor que fique a boa imagem de crônicas bem escritas, de textos razoavelmente elaborados, prenhes, aqui e ali, de alguma criatividade e de literariedade.  </p>
<p> Não, amiga, ainda não é um adeus, uma definitiva despedida, uma idéia (com a-cento) firmada e inamovível. Não, trata-se apenas do anúncio dessa clara e concreta pos-sibilidade. De resto, para permanecer na imagem futebolística, não tenho mais idade para ser promessa (que não acaba não se cumprindo), como jovens jogadores que surgem com a nítida potencialidade da “craqueza” e não se firmam, sequer, como jogadores medianos. Sei que nunca fui promessa de Eça, de Machado, de Pessoa, de Cesário Verde, de Dostoievski, de Camus, de Bandeira, de Rubem Braga ou de outros craques das Letras, mas também não nasci, imodestamente, disso estou convencido, para ser um perna-de-pau da palavra escrita. Assim, se começo a me comportar com um (perna-de-pau), é prudente parar, enfiar a viola no saco e ir cantar em outra freguesia. No caso, buscar outra forma de comunicação com o mundo e com meus semelhantes. A menos que, com urgência, a crise técnica suma no éter. </p>
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		<title>Criatividade</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 22:43:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Candinho]]></category>
		<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[O mês de fevereiro já vai praticamente pela metade e a Terra continua seu giro pelo espaço e a vidinha nossa de cada dia continua sua jornada em direção ao amanhã]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro</strong></p>
<p>Pois é (gosto de começar crônicas com “pois é”), o mês de fevereiro já vai praticamente pela metade e a Terra continua seu giro pelo espaço e a vidinha nossa de cada dia continua sua jornada em direção ao amanhã. Em síntese, apesar dos óbvios reflexos negativos na vida de milhões de pessoas pelo mundo afora, a tal crise da economia mun-dial (tsunami para uns, marola para outros) não fez o mundo parar nem acabou com a vida em nosso planeta. Ao contrário, mostrou que, a despeito da globalização, é possível encontrar soluções para problemas comuns a todos, respeitando as peculiaridades sócio-econômicas (esse hífen vai dançar, não é?) e culturais de cada país. </p>
<p>Aliás, de rigorosamente comum, no enfrentamento da dita crise, viu-se o socorro estatal a empresas e instituições financeiras privadas, como que para mostrar que o Esta-do, que muitos querem mínimo e afastado do deus mercado, precisa controlá-lo de algu-ma forma, através de processos regulatórios demonizados pelos defensores mais exacer-bados da livre iniciativa. Sem a presença reguladora do Estado, como querem grandes e pequenos capitalistas e especuladores, a economia global quase foi para o saco. Só na hora aguda da crise é que banqueiros, financistas e grandes empresários, de chapéus nas mãos, se deram conta de que a malversação dos recursos econômicos postos a disposição deles, inevitavelmente acabaria produzindo os resultados que produziu. Houvesse maior presença do Estado nas relações econômicas, houvesse regulação na macro-economia (mais um hífen que bailará!) e, certamente, a crise, se ocorresse, seria muito menor e teria conseqüências muito menos nefastas pata todos. </p>
<p> Mas não estou aqui para falar de Economia, que é tema árido e complexo. Quero é falar da vida, da vida que não se submete a regras ditadas por “sábios” poderosos e en-dinheirados. Da vida que nos surpreende, que se renova, que nos refaz, que se recicla e permite que nos reciclemos, que nos reanima, que se reorganiza no espaço infinitesimal do núcleo de um átomo. Quero é falar da vida que está nas ruas, nos bares, nos lares, nas gares. Da vida que há na asa do pássaro, na água que brota da fonte, no sorriso da menina bonita, que desfila com ar de quem se sabe inacabado projeto de deusa.</p>
<p>É, a vida é maior que a Economia; é maior que a reforma ortográfica. A vida é maior que os possíveis efeitos eleitorais da plástica da ministra Dilma e é maior que a popularidade do Presidente Lula, cada vez mais sofisticado e mais idolatrado pelo povo. A vida é maior que a febre amarela, que mata bugios e se alastra pelo pampa, e é maior que as reações orgânicas provocadas pela vacina que nos  imuniza contra ela (são tantas as reações, que mesmo quem não se vacinou “sente” seus efeitos). Virou desculpa para tudo, especialmente para a preguiça e para a ressaca. Mas, que graça teria a vida sem cria-tividade? </p>
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