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	<title>ARAZÃO &#187; Colunistas</title>
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	<description>A Razão 76 Anos</description>
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		<title>Nossa alma como um “maracujá de gaveta”</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Dec 2011 22:15:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>redacao</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Fábio Vasconcelos]]></category>
		<category><![CDATA[filósofo]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[Virada do Ano]]></category>

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		<description><![CDATA[Fogos de artifícios, girândolas coloridas e muito barulho são as mais comuns testemunhas do que chamamos de “a Virada do Ano”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Fábio Vasconcelos<br />
</em></strong><em>Arquiteto, Teõlogo e<br />
Reverendo Anglicano</em></p>
<div id="attachment_13675" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://www.arazao.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1a-domingo-3.jpg"><img class="size-medium wp-image-13675" title="1a domingo----------" src="http://www.arazao.com.br/wp-content/uploads/2011/12/1a-domingo-3-225x300.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">(Vasc)</p></div>
<p>Fogos de artifícios, girândolas coloridas e muito barulho são as mais comuns testemunhas do que chamamos de “a Virada do Ano”. Sempre me perguntei porque tanto barulho se faz presente, num momento somos convidados ao silêncio e oportuna reflexão&#8230;<br />
Bem, o filósofo e educador Rubem Alves diz que as pessoas fazem isso para não ouvir o barulho que se encontra dentro delas&#8230; O barulho de fora tem que ser maior do que o barulho de dentro&#8230; Inquieto e desconfortante, o barulho de dentro nos lembra que mais um ano passou e temos que encarar pela natureza da vida, um balanço nem sempre positivo&#8230;<br />
Muitos vêem no barulho dos fogos uma oportunidade de esquecer da falta&#8230; De tudo que ainda falta em nós e fora de nós; do barulho da ausência. Ausência que é tão importante para nossa esperança.<br />
É&#8230; Os anos passam, são virados, são marcados nas nossas vidas. E passam para todos&#8230; Passam para mim e para você. Assim, ficamos com o passar dos anos: Enrrugados&#8230; E essas rugas podem ser “de expressão”, da falta de colágeno no corpo, ou da alma.<br />
Lembro-me que recentemente, em uma reunião com o Prefeito Cezar Schirmer sobre soluções urbanas para nossa Santa Maria, uma citação dita por um empreendedor do ramo de mobilidade urbana chamou a atenção de todos. Disse ele: “Os anos enrugam a pele, mas renunciar ao entusiasmo faz enrugar a alma&#8230;”. Logo o prefeito voltou-se para mim e disse: Olha aí, meu amigo! Mais uma, para você que gosta de reflexões!<br />
Fiquei então ruminando aquela frase como quem já havia ouvido aquele pensamento antes. Sim, teria lido em um livro chamado: “A Arte de Lidar com Pessoas”, de Jamil Albuquerque. Jamil parafraseia Albert Schweitzer, o teólogo, músico, filósofo alemão, citando esse aforismo assim: “A idade enruga a pele, mas a ranzinzice enruga a alma!”.<br />
Depois de mais um Revellion uma pessoa de 20 anos pode parecer ter 80 anos; outras com 80 podem parecer ter 20. Umas envelhecem, outras crescem, evoluem e amadurecem.<br />
Por que isso acontece?<br />
O segredo, possivelmente, está nisso: Bom-humor; Entusiasmo&#8230; E tudo aquilo que propicia bons relacionamentos, amizades verdadeiras, facilidade em fazer amigos e gerar esperança em todos! Isso faz renovo em todas as almas.<br />
Já a ranzinzice gera queixume, intolerância, e crítica a tudo e a todos&#8230; Com ela os anos são envelhecedores e desgastantes. A pessoa mal humorada torna-se cruel e intolerante com aqueles que ama e por quem ela é amada; tambem leva a ranzinzice para sua atividade profissional. Assim, sua linguagem gera postura e sua postura gera resultados. Essa atitude, queima a saúde e a empatia, dificulta a sintonia, a afinidade, e o plugar-se&#8230; Enfim, enruga a alma.<br />
Espero que minhas rugas continuem aparecendo em minha face e desaparecendo em minha alma a cada ano virado. Espero que no momento do barulho dos fogos de artífios você possa lembrar de tudo que pode melhorar dentro de você, e o que ainda está precisando de renovação. Deus, em Cristo, pode ajudar diretamente nisso. Pode acreditar!<br />
Na minha terra se chama, em tom de brincadeira, uma pessoa com muitas rugas na face de “maracujá de gaveta”, por essa estar bem engelhada. Fica então a pergunta diante deste final de ano: Estamos envelhecendo nossa alma como um “maracujá de gaveta”, ou renovando nosso interior?<br />
Minha dica é que fiquemos amigos do Bom Humor e do Entusiasmo! Tenho a certeza que isso vai tornar o nosso Novo Ano menos enrugado&#8230;</p>
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		<title>Abstenha-se, de vez em quando</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 12:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Roger Spode Brutti]]></category>
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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Abster-se é, na maioria das vezes, uma atitude lucrativa. Abster-se de replicar o irado significa lucrar paz e tanquilidade. Ao abster-se do desejo cego por algo material, lucra-se o contentamento de se usufruir da verdadeira felicidade que dinheiro algum poderá jamais comprar, pois ela está nas pequenas e simples coisas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>Abster-se é, na maioria das vezes, uma atitude lucrativa. Abster-se de replicar o irado significa lucrar paz e tanquilidade. Ao abster-se do desejo cego por algo material, lucra-se o contentamento de se usufruir da verdadeira felicidade que dinheiro algum poderá jamais comprar, pois ela está nas pequenas e simples coisas da vida, como uma inocente brincadeira com os filhos. Tinha eu, aliás, em torno de quatro anos, quando, enquanto meu pai assistia ao noticiário da TV, convidei-o para brincar de carrinho. Concentrado nas notícias, ele disse não. Muito triste, jurei, naquele mesmo instante, que, quando eu ficasse “grande” e tornasse-me pai, jamais negaria um convite de um filho (a) para brincar. Com aqueles tenros quatro anos, percebi que o meu pai, o qual já era “grande”, não tinha noção de como aquilo era importante para mim.</p>
<p>Disseram-me uma vez que você só se torna realmente feliz, quando promove a felicidade de outrem, abstendo-se dos próprios interesses. É o que as religiões, de forma uníssona, sempre pregaram. Mas você não pode compreender isso, se não o praticar assiduamente. Imagine que o amanhã possa não existir para você, ou para a sua esposa, pai, mãe, filho ou filha. Então, esqueça o preço da gasolina, os tediosos assuntos ruins dos jornais e dê mais atenção a eles. Assim como as flores passam breve, nós também passamos. A vida terrena é curta e o sorriso adiado para amanhã poderá ser tardio. </p>
<p>No livro “Caminho Iluminado” – F. C. X. – sugere-se que nos devemos abster de fixar as deficiências do próximo, mas procurar destacar-lhe as qualidades nobres. Examinar o bem, louvar o bem e estender o bem o quanto pudermos é conduta a ser seguida. A paz pode passar a residir hoje mesmo em nosso campo íntimo, bastando que lhe ofereçamos o refúgio da compreensão. Se nos encontramos na condição de peça na engrenagem de hoje, a que se acolhem tantas criaturas aflitas, não nos entreguemos ao luxo do desânimo e, sim, trabalhemos servindo sempre. É preciso aprender a suportar os revezes do mundo, sem perder a própria segurança. Haja o que houver, trabalhemos na edificação do bem e seguimos adiante. Dor, na maioria das vezes, é o tributo que se paga ao aperfeiçoamento espiritual. Dificuldade mede eficiência. Ofensa avalia a compreensão. A própria morte é nova forma de vida. Resistamos aos percalços que tendem a nos desfibrar e mantenhamo-nos de pé na tarefa a que a vida nos reservou. Recordemos que a regra é a de que tudo sempre se altera para o bem. </p>
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		<title>A verdade é um espelho quebrado</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 12:25:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Roger Spode Brutti]]></category>
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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Guerras sangrenta no Oriente, discussões acirradas dentro das nossas próprias casas, em nosso trabalho, entre adeptos de religiões distintas ou de uma mesma religião, entre partidos políticos, enfim. Cada um tentando impor a sua verdade ao próximo. Muitas vezes, ditas pessoas sentem mesmo a necessidade de assim proceder, inconsciente e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>Guerras sangrenta no Oriente, discussões acirradas dentro das nossas próprias casas, em nosso trabalho, entre adeptos de religiões distintas ou de uma mesma religião, entre partidos políticos, enfim. Cada um tentando impor a sua verdade ao próximo. Muitas vezes, ditas pessoas sentem mesmo a necessidade de assim proceder, inconsciente e compulsivamente, como se as suas identidades e as razões das suas existências deixassem de ser, caso “suas” crenças quebrassem-se. Nesse diapasão, sentem-se confortadas, quanto mais simpatizantes das suas verdades houver, porquanto isso lhes concede a impressão de estarem certos. Todavia, a verdade pode ser deveras diferente daquela sentida por nossas mentes limitadas. A respeito, colaciono-lhes:</p>
<p>“Contam as lendas que a verdade foi enviada por Deus ao mundo em forma de um gigantesco espelho. Quando o espelho estava chegando sobre a face da terra, quebrou-se e partiu-se em inumeráveis pedaços que se espalharam por todos os lados. As pessoas sabiam que a verdade era o espelho, mas não sabiam que ele havia-se partido. Por isso, aquele que encontrava um dos pedaços acreditava que tinha nas mãos a verdade absoluta, quando na realidade possuía apenas uma pequena parte dela. E quem deterá a verdade absoluta? Só Deus a possui e a vai revelando ao homem na medida em que este esteja apto a conhecê-la. É como se fôssemos juntando os pedaços do grande espelho e conseguíssemos abranger uma maior parcela sua gradativamente. A verdade é conquistada graças aos esforços dos homens e nunca é uma revelação bombástica sem proveito algum para quem a recebe. Após a verdade ser descoberta, ninguém poderá encarcerá-la, ou a guardar só para si. Quem experimenta o sabor da verdade, não mais permanece o mesmo. Toda uma evolução opera-se e uma transformação radical e libertadora é inevitável. Por vezes, nossa cegueira não nos deixa vê-la, mas ela está em toda parte, latente, dentro e fora do mundo e é, muitas vezes, confundida com a ilusão. A verdade é Deus. E para penetrá-la, faz-se necessário diluir-se em amor como os grãos de açúcar em um cálice de água em movimento. A verdade é luz que se expande, aquece sem queimar e vivifica sem produzir cansaço. A meditação facilita-lhe o contato, a oração aproxima o homem da sua matriz e a caridade propicia a vivência com ela. A humildade abre a porta para que adentre no coração do homem e a fé facilita-lhe a hospedagem nos sentimentos.” (Divaldo Pereira Franco) </p>
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		<title>A Teoria das Janelas Quebradas</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 12:23:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Qual a relação que há entre segurança pública e janelas quebradas?
Afirmo que a relação é a mesma que há entre segurança pública e iluminação pública ou entre segurança pública e manutenção de praças públicas!
Veja-se: façamos uma comparação entre os marginais que se alastram em nossa sociedade e as baratas que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>Qual a relação que há entre segurança pública e janelas quebradas?</p>
<p>Afirmo que a relação é a mesma que há entre segurança pública e iluminação pública ou entre segurança pública e manutenção de praças públicas!</p>
<p>Veja-se: façamos uma comparação entre os marginais que se alastram em nossa sociedade e as baratas que se proliferam em determinada residência. Não é necessário, então, qualquer esforço mental, a fim de se perceber que, se a residência não for mantida limpa e higinizada regularmente, as baratas alastrar-se-ão desenfreadamente. Assim também o é na estreita e íntima relação que há entre as funções do poder público federal, estadual e municipal para com a proliferação da criminalidade em nossa sociedade. Uma praça pública depredada, mal iluminada, com banheiros públicos deploráveis acaba tornando-se foco de concentração de desocupados, de usuários de drogas, enfim, de marginais que, ao contrário de famílias que ali poderiam usufruir de um local de lazer, acabam assenhorando-se de referidos locais como se territórios particulares seus fossem, afastando os cidadãos, as mães, os pais e seus filhos daquele ambiente.</p>
<p>Dessa forma, no momento em que um marginal vier a quebrar um banheiro público, no momento em que um marginal vier a quebrar uma lâmpada pública ou pichar um muro qualquer, o poder público tem o dever de se mostrar presente, vigilante e, imediatamente, consertar o estrago levado a efeito, mostrando que não é o marginal que domina a área pública que desejar, mas sim o Estado (entendido este como sendo a administração pública federal, estadual ou municipal).</p>
<p>Foi assim que, em Nova Iorque, durante a gestão do Prefeito Rudolph Giuliani (de 1 de janeiro de 1994 a 31 de dezembro de 2002), aplicou-se a famosa e mundialmente reconhecida “broken windows theory” (teoria das janelas quebradas, também conhecida por “Tolerância Zero”), reduzindo-se drasticamente os índices de criminalidade que ascendiam sem cessar nos últimos trinta anos. </p>
<p>Dessa arte, definitivamente, vê-se que é indissociável a relação entre políticas públicas básicas e segurança pública, sendo pura falta de conhecimento crítico atribuirmos tudo o que se vê e tudo o que se ouve em relação à criminalidade como sendo um problema exclusivamente afeto à Polícia.</p>
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		<title>A sociedade tem os criminosos que merece</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 12:22:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
De acordo com LACASSAGNE (1885), “o meio social é o caldo de cultura da criminalidade, sendo o delinquente um mero micróbio que não tem qualquer importância enquanto não encontra a cultura que provoca a sua multiplicação”. Se mudanças na legislação resolvessem o problema da criminalidade, o Brasil hoje seria um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>De acordo com LACASSAGNE (1885), “o meio social é o caldo de cultura da criminalidade, sendo o delinquente um mero micróbio que não tem qualquer importância enquanto não encontra a cultura que provoca a sua multiplicação”. Se mudanças na legislação resolvessem o problema da criminalidade, o Brasil hoje seria um paraíso, em decorrência do vasto complexo normativo que já produziu. </p>
<p>Como dizia o aposentado Ministro do STF, Dr. Evandro Lins e Silva, embora muitos achem que a severidade do sistema legal intimida e acovarda os criminosos, aquele magistrado nunca chegou a ter conhecimento, tampouco eu em minhas funções, de um sequer que tenha feito uma prévia consulta às leis penais antes de infringi-las.</p>
<p>Há que distinguirmos, também, os meios formais de combate à criminalidade (leis) dos meios instrumentais aptos a colocá-los em prática (polícias, presídios, etc.). De nada adianta um sistema legal prodigioso, se, de outro lado, existe um sistema instrumental deficiente. O flagelo do complexo carcerário nacional, por exemplo, já era de todos conhecido, exsurgindo novos debates a respeito diante do recente indeferimento de prisões preventivas na Comarca de Canoas/RS. Paralelamente a isso, como se não bastasse, nossas polícias, já assoberbadas de serviço, travam uma luta desigual contra a crescente criminalidade originada pela mortífera e crescente onda do “crack”.</p>
<p>Percebe-se, pois, que não mais é possível ao Poder Público deixar de reconhecer que a simplória ação de “tentar” reprimir vale menos que a ação de prevenir. Manter-se o foco exclusivamente na repressão penal é mecanismo falho, reprovado pelo tempo e rejeitado pela falta de eficiência. Não se pode focar unicamente a consequência e olvidar-se das suas causas. A crise do sistema penal repressivo é notória e generalizada. São incontáveis e incessantes rebeliões em estabelecimentos penais, reincidência criminal flagrante, aumento significativo e crescente do consumo de drogas, etc.</p>
<p>Por fim, vale dizer que, se para os administradores do nosso país a construção de presídios mostra-se a única solução perceptível perante todo esse sistema penal arruinado vigente, é porque tudo ficará ainda pior do que já está, pois nos faltam gestores de visão. Há que perceberem referidos homens públicos que por trás de todo flagelo de hoje estão as políticas públicas básicas deficientes de ontem. Ou se curam as causas, ou se chegará ao absurdo de um dia a sociedade precisar mais de presídios do que de escolas em seu meio social.</p>
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		<title>A Odrem das leatrs não aeltra a plaavra!</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:18:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Roger Spode Brutti]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Cdaa plaavra detse tetxo cotném exteaamnte tdoas as lretas que deervia, proém em odrem cmpleoetamnte earrda. Premaecenram, apneas, sem eçxceão, as piosções da pirimera e da úlitma lteras. Cmoo tdoos pdoem ntoar, failcmente lê-se o txeto sem qauluqer pobelrma. A rspieeto dsiso, uma pseqiusa de uma uinvresdiade ignlsea cmoporvou que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>Cdaa plaavra detse tetxo cotném exteaamnte tdoas as lretas que deervia, proém em odrem cmpleoetamnte earrda. Premaecenram, apneas, sem eçxceão, as piosções da pirimera e da úlitma lteras. Cmoo tdoos pdoem ntoar, failcmente lê-se o txeto sem qauluqer pobelrma. A rspieeto dsiso, uma pseqiusa de uma uinvresdiade ignlsea cmoporvou que não ipmotra em qaul odrem etsão as lteras de uma plaavra. A úinca ciosa ipmoratnte é que a pirmeria e a útmlia ltreas etejsam no lguar creto. O rsteo pdoe ser uma ttoal bguaçna que vcoê cnsoeuge ler sem qalaqeur dfiicudadle.</p>
<p>Mas eu rsoevli ecsrveer etse atigro dstea frmoa, praa chmaar a aençtão dos lietroes praa o sgueitne: “a frmoa não é o mias ipmoratnte”. Um hmoem com o mias lnido e elgaente trneo e com o mias rcio vcaobuálrio pdoe ser, esiriptulmaente, mituo vil. A mluher mias lnida e elgaente pdoe ser, qanuto à sua epsirtuailiadde, a mias msqeuihna e inupsorávtel de tdoas. O que ipomrta é o cotendúo, não as aaprnêcais. </p>
<p>Qeubarr agulns praadgimas é a úicna frmoa de eovlirmuos. Grndaes inenvõçes srguiram asism. Um dos mioares pcaedos no mnduo aadcêimco, por eemxlpo, é eigxiroms dos aunlos atnçãeo qusae úicna às rgears da ABNT, não sei mias do quê e nem sei o prouqê. O que se dvee icenntvair nos aunlos é a lierdbdae e a ciartiidvade, as quias são, mutais vzees, sfuoadcas praa sepmre pleos póprrois eudcaordes.</p>
<p>Caapcdiade de ionvar é do que mias ncesesitmaos no mmeotno. Uma nvoa frroma de fzear poítilca, de adinmisrtar, de cmboaetr a criimnaidalde, os porblmaes de târnstio, a cesrcetne derepdçaão abimetanl, efinm. O mraamso etsá nos epmurradno praa um absmio sem fim. Reovnar nososs cncoetios não só vlae a pnea, cmoo é iprescimndíevl. A vdia se reovna a cdaa isntatne. Só asism ela se mnatém.  </p>
<p>E praa temrinar etse esricto um pocuo diefretne, trgao aos nbroes lietoers agluams farses praa reeflxão: &#8220;Vcoê nncua sbae que reulstdaos vrião da sua ação. Mas se vcoê não fzeir ndaa, reulstaods não eixsirtão.&#8221; (Mahatma Gandhi); &#8220;O úicno hmoem que nnuca cmoete erors é auqele que nncua faz cisoa alugma. Não tnhea mdeo de erarr, pios vcoê arepndreá a não coetemr daus vzees o memso erro.&#8221; (Theodore Roosevelt); &#8220;Mrroe letamnetne qeum não vijaa, qeum não lê, qeum não ovue múicsa e qeum não ahca gaçra de si msmeo.&#8221; (Martha Medeiros); &#8220;A mias prfunoda riaz do frcaasso em nosass vdais é pneasr, &#8216;Cmoo sou intiúl e frcao&#8217;. É essnceial pnsear pdoeosra e firememnte, &#8216;Eu cnosgio&#8217;, sem otesnatção ou peorcuapção.&#8221; (Dalai Lama).</p>
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		<title>A educação no trânsito vem do berço</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:16:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Como custa a mim noticiar aos pais que o seu filho amado acabou de falecer em um acidente de trânsito! De todas as minhas atribuições funcionais, esta é a mais dolorida.
Estamos em plena “Semana Nacional do Trânsito”. Ela tem sua origem no art. 326 do nosso Código de Trânsito Brasileiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>Como custa a mim noticiar aos pais que o seu filho amado acabou de falecer em um acidente de trânsito! De todas as minhas atribuições funcionais, esta é a mais dolorida.</p>
<p>Estamos em plena “Semana Nacional do Trânsito”. Ela tem sua origem no art. 326 do nosso Código de Trânsito Brasileiro e ocorre todos os anos no período compreendido entre 18 e 25 de setembro. Para este ano, o Conselho Nacional de Trânsito estipulou a “Educação no Trânsito” como tema.</p>
<p>Não obstante, estou convencido, como cidadão e como titular de uma delegacia de polícia especializada na matéria, que a educação no trânsito visada por tais campanhas jamais surtirá efeito significativo caso não encontre terreno fértil na consciência moral que deve ser angariada pelo sujeito ao longo dos anos no seio da sua família. </p>
<p>Inexoravelmente, é no trânsito onde podemos observar, com ímpar nitidez, o verdadeiro caráter das pessoas. Conduzindo seus veículos, protegidos pela couraça das colunas e pelos vidros dos seus automóveis, encobertas suas faces pelos capacetes de uso obrigatório, os condutores não se intimidam em agir de acordo com o seu verdadeiro temperamento. De fato, é-lhes fácil sair rapidamente daquele local onde cometeram uma indelicadeza para com o pedestre que esperava um generoso motorista que lhe permitisse a travessia da faixa de segurança; é-lhes também fácil sequer olhar para aquele motorista que esperava pacientemente a boa vontade de alguém para poder adentrar na via de tráfego congestionado; enfim, como é fácil ser mal-educado quando se está no trânsito!</p>
<p>Por tais razões, sempre afirmo que, indubitavelmente, será mesmo no berço, com os exemplos emitidos pelos nossos pais e pelas constantes conversações afetuosas que esses educadores por excelência devem desenvolver com os seus queridos filhos, durante o amadurecimento intelectual destes, o local exato de onde poderemos ver exsurgir uma campanha realmente eficaz para a conscientização dos nossos condutores. Afirmo: a má-educação no trânsito é reflexo da má-educação recebida no seio da família. Ademais, essa má-educação multiplica-se indefinidamente, na medida em que o filho mal-educado tornar-se-á o pai mal-educado que, por sua vez, repassará a sua má-educação aos seus descendentes e&#8230; assim por diante.</p>
<p>É dessa arte toda, e por derradeiro, que considero oportuno colacionar aos diletos leitores a perspicaz doutrina do pensador Charles Chick Govin: “É mais fácil construir um menino do que consertar um homem.” </p>
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		<title>A diferença entre o bem e o mal</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:13:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Roger Spode Brutti]]></category>
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		<description><![CDATA[Roger Spode Brutti
Delegado de Polícia Civil
Foi nesta segunda-feira, na Praça General Ozório. Era princípio de noite. A perda de intensidade dos raios solares concedia espaço à crescente escuridão daquela praça há muito mal iluminada, tornando-se hoje campo fértil para a junção de marginais durante o período noturno. Foi quando alguém, com desvalor, deixou na beira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roger Spode Brutti<br />
Delegado de Polícia Civil</p>
<p>Foi nesta segunda-feira, na Praça General Ozório. Era princípio de noite. A perda de intensidade dos raios solares concedia espaço à crescente escuridão daquela praça há muito mal iluminada, tornando-se hoje campo fértil para a junção de marginais durante o período noturno. Foi quando alguém, com desvalor, deixou na beira daquele local um filhote de gato, recém-nascido. O animalzinho, desesperadamente, miava por sua mãe. Surgiu, então, dos antros da escuridão da praça, três adolescentes, armados com pedaços de pau, anaunciando que iriam matar a pauladas a frágil e pequena criatura. Absolutamente perpelxo, como os demais vizinhos, não acreditava que isso pudesse ser possível. Só podem estar brincando, pensei! Porém, não estavam, e o massacre só não ocorreu, porque a vizinhança mostrou-se presente, e um vizinho resgatou o frágil felino. </p>
<p>Instantes antes, estava eu feliz, pois escutara, pela primeira vez, ao colar o ouvido junto à barriga de minha esposa, meu futuro filho, com pouco mais de três meses de gestação, movimentar-se no útero, promovendo alguns barulhinhos. Todavia, após a atitude perversa daqueles três adolescentes de má índole, passei a refletir sobre tudo o que teria de fazer, como pai, durante o desenvolvimento do meu filho, a fim de mostrar a ele algo que parece ser muito simples, mas que muitos pais relapsos deixam de fazer e acabam permitindo que estranhos, nas ruas, ensinem isso aos seus, ou seja, qual é a diferença entre o bem e o mal. Indiscutivelmente, isso parece ser muito simples e, por isso mesmo, muitos o desconsideram, agindo com desdém, lançando à sorte toda formação moral dos seus filhos, permitindo que eles absorvam, no dia-a-dia, nas esquinas, com as más companhias, o temperamento, a conduta e a moralidade que carregarão como características pessoais suas para o resto da vida. Ora, os adolescentes que mantêm condutas como a que descrevi acima são os mesmos que, mais cedo ou mais tarde, acabam estuprando, roubando e matando, muitas vezes com requintes de crueldade, por mero prazer.</p>
<p>Assim, àqueles que são vigilantes e que não descuidam da educação dos seus filhos um dia sequer, parabéns. Agora, àqueles que lançaram a vida dos seus filhos à sorte e que hoje, sendo eles adolescentes problemáticos, esperam alguma palavra de alento de minha parte, antes deste artigo terminar, só posso dizer-lhes uma apenas&#8230;”lamento”! </p>
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		<title>Celebração do Corpo de Deus</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 23:44:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Padre Xiko Bianchini]]></category>
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		<description><![CDATA[Padre Francisco Bianchini
A celebração da festa do corpo de Deus, ou Corpus Christi,  hoje em dia também chamado de festa do corpo e sangue de Jesus, coloca-nos diante  de um grande mistério, pois  não o entendemos e  não o explicamos;  somente vemos e degustamos o pão, uma  mistura de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Padre Francisco Bianchini</p>
<p>A celebração da festa do corpo de Deus, ou Corpus Christi,  hoje em dia também chamado de festa do corpo e sangue de Jesus, coloca-nos diante  de um grande mistério, pois  não o entendemos e  não o explicamos;  somente vemos e degustamos o pão, uma  mistura de farinha e água. É a nossa fé que nos leva a declarar que no pão e no vinho sobre o altar está o Cristo. É Cristo vivo, presente, mas mistério; razão pela qual sempre nas celebrações dizemos: eis o mistério da nossa fé.</p>
<p>Realmente é um grande desafio renunciar a compreender esse mistério, desistir de explicá-lo. Exige de nós um profundo  ato de humildade e de confiança, uma vez que, com simplicidade de coração,  aceitamos, cremos e declaramos a presença real de Cristo no pão e no vinho.</p>
<p>A festa do corpo e sangue de Cristo celebra-se sempre numa quinta-feira para fazer referência à Quinta-feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, dia da entrega de Cristo a nós num gesto de amor infinito. É, com certeza, o grande gesto de amor de Deus, de um Deus que nos ama de tal modo que quis permanecer conosco nesta forma tão simples e até desconcertante.</p>
<p>Foi no século XIII que se sentiu fortemente a necessidade de ressaltar esta festa, devido à importância da presença de Cristo em forma de pão e de vinho, forma tão humana, mas ao mesmo tempo tão rica de simbolismo. Foi o papa Urbano IV que institui a comemoração da festa do Corpo de Deus, no ano 1264. No início,   ela não teve muita repercussão no interior da Igreja,   pois logo após a sua instituição o papa morreu, porém, aos poucos, foi tomando força e, hoje, é celebrada com muita solenidade e em todo o mundo. </p>
<p>O sacramento da Eucaristia é levado às ruas como um gesto e expressão de fé, ao mesmo tempo como convite à renovação da fé; são os cristãos que manifestam sua adesão a Jesus Cristo presente na forma permanente de pão; manifestam seu reconhecimento a esta amorosa presença no meio de nós, que permanece silenciosa no sacrário ininterruptamente em nossos templos.</p>
<p>Com esta festa, os cristãos querem, pois, expressar todo o reconhecimento e gratidão ao sacramento do amor. Queremos, também, nós hoje exclamar com o poeta: “Eis o pão dos Anjos feito pão dos caminheiros”. Junto com toda a Igreja somos convidados a dizer mais uma vez: “venite adoremus”, (vinde adoremos).</p>
<p>Este Jesus, Pão e Vinho, é o mesmo Jesus dos evangelhos, o mesmo Jesus que no Doc. de Aparecida nos é apresentado  para  termos  um encontro fascinante, capaz de dar um novo horizonte à nossa vida.  Jesus,  Pão e Vinho, é o mesmo Mestre que caminhou com os discípulos de Emaús, que partiu o pão e foi  reconhecido como o Senhor Ressuscitado. Jesus, Pão e Vinho, é o alimento que forma e fortalece a caminhada dos discípulos missionários, tornando-nos seus discípulos missionários. </p>
<p>Este Jesus, Pão e Vinho, é a garantia de nossa fecundidade evangelizadora. É bom escutar de novo as palavras de Jesus: “ Eu sou o Pão vivo descido do céu, quem come deste Pão viverá.” (conf. Jo. 6,41)</p>
<p>Agradecemos a Cristo que nos revela que Deus é amor e vive em si mesmo no mistério pessoal de amor, optando viver no meio de nós como família.  (Doc. Aparecida, 115).</p>
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		<title>Amar a si mesmo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 23:41:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Vera Pinheiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Vera Pinheiro
No período que antecede o Dia dos Namorados, as vitrinas exibem cartazes e presentes, as lojas fazem promoções e há anúncios por todos os lados, sugerindo que os enamorados se presenteiem mutuamente em 12 de junho. E quem não tem par, como é que fica?! Não fica, senão seria “ficante”, uma modalidade de relacionamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vera Pinheiro</p>
<p>No período que antecede o Dia dos Namorados, as vitrinas exibem cartazes e presentes, as lojas fazem promoções e há anúncios por todos os lados, sugerindo que os enamorados se presenteiem mutuamente em 12 de junho. E quem não tem par, como é que fica?! Não fica, senão seria “ficante”, uma modalidade de relacionamento que não comemora a data por falta de laços. E o amor enlaça, aproxima, cria vínculo de uns com os outros e, essencialmente, de cada um consigo.</p>
<p>Quem ama outra pessoa deve, antes, amar a si mesmo, em primeiríssimo lugar! Isso não é egoísmo, é exercício de preparação para o compartir da existência, fazendo concessões necessárias e se adaptando ao convívio para que a opinião de dois tome o caminho do consenso e a boa vontade enseje a compreensão. Quem se ama não se compara com os demais, não se coloca abaixo ou acima de ninguém. Não aumenta suas qualidades, mas se valoriza, absolutamente consciente do que merece aplausos, vaias e reformas. Ao amar, evita derribar ou sobrelevar o conceito que tem do outro, e assim aprende a não humilhá-lo ou subestimá-lo e, do mesmo modo, não o endeusa nem o coloca em patamar muito além da realidade humana. </p>
<p>Amando-se, em todos os aspectos, não se deixa vencer pelo desânimo quando não realiza todas as suas expectativas, dá-se uma nova chance e tem confiança de que será mais bem sucedido na próxima vez. Não acumula culpas pelo que não depende de seu esforço, festeja as vitórias e quando se priva de alguém, que se evade ou morre, não enterra com as lembranças a possibilidade de amar de novo, apesar do risco de perdas e desilusões. Conhece profundamente os seus dons e reconhece sinceramente suas limitações e seus impedimentos. Não se considera fracassado quando os planos tomam rumo inesperado. Mantém o entusiasmo na busca do seu querer e se empenha no auto-aprimoramento para favorecer o que alguns chamam de destino e que, em grande parte, são escolhas. Aceita o outro sem tentar fazer dele nova pessoa e, em vez de corrigi-lo, usa a energia de mudança para se aperfeiçoar, enfrentando rupturas, se for o caso, para não ser vítima de desgaste e sofrimento.<br />
Porque se ama, está bem em sua pele, gosta do que vê no espelho e tem alguma complacência com o que não é exatamente uma perfeição em sua figura. Compensa com estilo, e se admira, se encanta e se elogia, ainda que ninguém concorde. Não precisa, pois é emocionalmente independente. Ao amar outrem tem dele uma visão equilibrada e um retrato de seu exato tamanho, nem menor nem maior do que ele é. Não fantasia demais, e as ilusões, ainda que as tenha, não impedem de enxergar com inteireza as fraquezas suas e alheias, então, aprende a relevar, a compreender e a perdoar, e os erros não são marcas de ferro e fogo, mas vistos como lições que burilam as atitudes.</p>
<p>Com amor por si mesmo, dá de ombros para o pessimismo, não incentiva pensamentos derrotistas, não flagela a autoestima, não cultiva mágoas nem rancores e não estimula a piedade em causa própria. É benevolente e carinhoso, isto sim, e se põe no colo se achar que é fundamental para a retomada do ânimo. Não espera que o façam, sabe reconstituir suas forças de per si e, embora dê boas-vindas a qualquer ajuda para enxugar lágrimas e se reerguer, encontra coragem para recomeçar mais uma vez.</p>
<p>Por se amar, quando ama outra pessoa não se torna acessório dela, e não é metade da laranja, pedaço, parte de quem quer que seja, mas um ser inteiro, completo, pleno. Não está cimentado em certezas, é aberto ao diálogo e tem boas conversas no silêncio do coração e na paz da mente. Não teme ouvir os sentimentos e insiste em curá-los, é amigo generoso até de suas dúvidas, angústias e aflições de toda ordem, e as vence sem dilapidar o patrimônio interior que reflete sua luz individual e brilha ainda mais quando a compartilha. Ama com entrega e sem se perder, se dá sem abandonar o que é e tem, e anda com a pessoa amada lado a lado, nem adiante nem atrás. O amor, que se permite, acredita que merece e aposta nele para ampliar a felicidade de que já desfruta, é complemento, acréscimo, não a realização. Quase se basta, e embora não tenha com quem comemorar o Dia dos Namorados, é feito, também, para ser amado. Mesmo sozinho, está em excelente companhia, pois se ama e revogadas estão todas as disposições em contrário.</p>
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