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	<title>ARAZÃO &#187; Máximo Trevisan</title>
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	<description>A Razão 76 Anos</description>
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		<title>Nós &amp; a Vida</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 23:39:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
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		<description><![CDATA[Máximo Trevisan
Viajar a uma velocidade de 950 quilômetros/hora; dar-se conta de que, lá fora, no céu, a temperatura é de 50 graus abaixo de zero; voar a uma altura de mais de 10.000 metros; tomar consciência de que se é, no ar, uma simples e frágil folha da árvore da vida, não muito mais do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Máximo Trevisan</p>
<p>Viajar a uma velocidade de 950 quilômetros/hora; dar-se conta de que, lá fora, no céu, a temperatura é de 50 graus abaixo de zero; voar a uma altura de mais de 10.000 metros; tomar consciência de que se é, no ar, uma simples e frágil folha da árvore da vida, não muito mais do que isso, essa é uma grande realidade. Numa poltrona de avião de linha internacional, ora um passageiro de primeira viagem, ora um pouco mais experiente, essa é, em qualquer hipótese, uma experiência única, especial, intransferível. Quem já teve a oportunidade de um voo assim, por certo já experimentou as emoções de uma longa travessia  rumo a outro continente.</p>
<p>Há de se convir, uma viagem, seja ela qual for, começa sempre com a decisão pessoal de viajar! No fundo mesmo, viaja quem deseja viajar, quem quer viajar. Tomada a decisão, começam os passos necessários: a escolha do destino e do roteiro, a data e o tempo de duração, a opção por uma agência, a escolha da companhia aérea, o horário do voo, o número da poltrona. Mais do que de repente, no entanto, chega o dia da partida e a ida ao aeroporto, quase sempre com sonhos,  esperanças, alegria, desejo do novo e do belo e algumas preocupações.</p>
<p>Todo viajante, sem dúvida, é um crente porque demonstra muita fé em tudo. Da chegada ao aeroporto até a hora do embarque, tudo é comportamento de quem confia, e muito, em tudo! A entrega da mala, o recebimento do cartão de embarque, e está pronto o check-in. O mais é o desconhecido e a confiança em todos: que tipo de avião será? Foi devidamente revisado? Por quem? Qual o plano de voo? Que qualificação tem a tripulação? Assina-se um cheque em branco, pratica-se um extraordinário ato de fé em que tudo que foi dito vai acontecer, e bem. Então começa a longa viagem, muitas vezes com mais de dez horas de duração, entregue a uma companhia aérea e a pessoas de cuja competência nada se sabe. Essa é realidade que surpreende, instiga, às vezes atemoriza. Tudo funciona desse jeito, com toda a segurança, afirmam. E quem quiser conhecer o mundo o caminho é atravessar o Atlântico e outros mares. A recente tragédia com o Airbus A-330-200 da Air France, os passageiros de 32 nacionalidades, os tripulantes, as famílias, todos nos envolvemos emocionalmente, na grande dor de ver vidas ceifadas, sonhos quebrados, presente desfeito. A queda do Airbus nos faz cair também, mas dentro do nosso mar de interrogações sobre a vida, o seu sentido, as suas circunstâncias, os seus valores. Afinal, viver não é assumir riscos? Viver não é conviver com a fragilidade humana?</p>
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		<title>Às vezes, sim; às vezes, não</title>
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		<pubDate>Sun, 31 May 2009 23:49:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
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Conta-se que um velho Rei, tido e havido no Reino como sábio, estando quase à morte, chamou o seu filho e sucessor, pois desejava entregar-lhe um testamento com o último desejo e vontade. Assim aconteceu. O Rei entregou dois envelopes ao Príncipe: um, de cor vermelha, para ser aberto somente quando estivesse passando por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Conta-se que um velho Rei, tido e havido no Reino como sábio, estando quase à morte, chamou o seu filho e sucessor, pois desejava entregar-lhe um testamento com o último desejo e vontade. Assim aconteceu. O Rei entregou dois envelopes ao Príncipe: um, de cor vermelha, para ser aberto somente quando estivesse passando por momentos de grande dificuldade, angústia e indecisão sobre o caminho a tomar, para não cair em desespero; o outro envelope, de cor azul, o Príncipe deveria abri-lo somente quando estivesse vivendo intensa felicidade.</p>
<p>Pouco tempo depois, o Rei faleceu. Os envelopes foram guardados como um tesouro. Passaram-se alguns anos, e o Reino começou a viver um período de vacas magras, de revolta popular, de críticas e de intrigas na Corte. Diante da situação, veio à lembrança o envelope vermelho, que era para ser aberto quando estivessem presentes essas circunstâncias. O Príncipe abriu, então, o envelope com todo o cuidado. Dentro dele, encontrou apenas um cartão com os dizeres: “Vai mudar!” O tempo foi passando, e a realidade mudou, deixando para trás a treva, a angústia, o desespero.</p>
<p>O futuro, que se tornou presente, deu ao Reino sol e harmonia. A Corte e os súditos cultivavam a esperança, a alegria promovia festas, o progresso era uma realidade. Então, o Príncipe se lembrou do segundo envelope.  Não podia ter duas atitudes, pensou: ontem, abrira o envelope de cor vermelha; agora, era a hora da cor azul. Tomado de coragem, abriu o segundo envelope, e dentro havia um cartão com os dizeres: “Vai mudar!”</p>
<p>O jovem Príncipe aprendeu uma inesquecível lição: a sabedoria da vida estava em entender o sentido das palavras do velho pai. No mundo nada é definitivo, concluiu, ora o ser humano está em Alfa, ora em Ômega, ora em águas plácidas, ora em revoltas, ora em céu de brigadeiro, ora em tempestade. Importa, em qualquer circunstância, não tomar o transitório como permanente, o aparentemente insolúvel como sem solução. Ora, o mundo oferece aos amantes ora uma lua-de-mel, ora uma lua-de-fel. Na roda-gigante da vida há momentos de subida e de descida, mesmo sentados no mesmo lugar. Às vezes, recebemos o sim; às vezes o não. Há bumerangues e resiliências que surpreendem a todos, mesmo aos prevenidos.</p>
<p>Assim, quando a dor, a injustiça e o desespero chegarem, vale muito pensar: “Vai mudar!” Quando a felicidade se instalar em nós, especialmente se intensa e apaixonante, é bom lembrar: “Vai mudar!” Às vezes, sim; às vezes, não!</p>
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		<title>A coragem no varejo</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 13:40:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
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		<description><![CDATA[Máximo Trevisan
A coragem entre os homens, quando destacada, tem fundamento no comportamento superlativo, em ato de bravura excepcional. O bombeiro que salvou do incêndio a criança presa no alto do edifício; o militar que lutou pela pátria em campo de guerra; o líder que conduziu o país à paz, atravessando uma convulsão social; o político [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>A coragem entre os homens, quando destacada, tem fundamento no comportamento superlativo, em ato de bravura excepcional. O bombeiro que salvou do incêndio a criança presa no alto do edifício; o militar que lutou pela pátria em campo de guerra; o líder que conduziu o país à paz, atravessando uma convulsão social; o político que levou para a independência o seu povo&#8211; esses recebem o título de heróis e a medalha de melhores dentre os seus pares.</p>
<p>Quero destacar hoje a coragem no varejo, os pequenos/grandes atos de intrepidez pessoal, a ousadia anônima, a coragem que leva à outra margem do rio, ao outro lado da vida, à conversão de rumos, ao  redirecionamento do sentido da existência.</p>
<p>Pular de para-quedas, correr na Fórmula Um, lançar-se ao mar com um barco para atravessar o oceano, pilotar um avião com a velocidade do som, esses e outros atos são considerados comportamentos corajosos. Olhemos para as medalhas e suas motivações e logo entenderemos como e por que são outorgadas, na sociedade, aos que as recebem.</p>
<p>E a coragem no dia-a-dia, aquela que constrói a identidade de cada um, a auto-superação dos próprios defeitos, o combate à dor insuportável e insuperável  nos hospitais e nos lugares mais recônditos, em cada lar, como é percebida e valorizada? Aliás, é reconhecida como ato de bravura?</p>
<p>Decidir rever a própria vida, avaliar os valores muitas vezes consolidados, caminhar dentro do próprio coração à busca da descoberta da sua identidade, esses  não são atos de coragem?</p>
<p>Pedir perdão (mesmo engolindo a vontade de fazer o contrário), abraçar o desvalido, saber ouvir (quando a raiva dita a vontade de gritar), praticar a ternura, vencendo a agressividade, esses  não são de coragem?</p>
<p>Servir o outro com alegria e disponibilidade interior, no cotidiano da vida ou do hospital, vencer o egoísmo, esses atos não são atos de coragem?</p>
<p>Aceitar a vida como ela é, uma (a)ventura humana, ensinar as primeiras letras, ser Teresa de Calcutá  na miséria do lar sem pão/sem afeto/sem futuro, semear a fé e  o amor sem esperar que cresçam e floresçam, mas continuar semeando sempre, entregando o melhor dos seus dias aos outros, esses não são atos de coragem?</p>
<p>Eu sei – tu sabes melhor do que eu – a vida é tão exigente às vezes, as forças diminuem, o gás termina, tudo parece anunciar o ponto final. Aí tens vontade de repetir o que um caudilho rio-grandense falou, às portas da morte, diante de um companheiro que o animava: “Coragem eu tenho, o que me falta é o ar”. Para muitos o ar é falta de saúde, a carência de dinheiro, o desafio cotidiano, o desastre a prestações iguais e sucessivas &#8230; Aí importa escorar-nos na força da humanidade e da fé.</p>
<p>Creio que o essencial não é alienar-se, mas fazer o exercício da lucidez consentida, descobrindo que o saldo negativo cresce não raro porque nos esquecemos de creditar na conta-corrente os atos de coragem no varejo, que tornam a todos dignos de viver. </p>
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		<title>Coerência &amp; Omissão</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 14:41:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Máximo Trevisan
Somos seres complexos e surpreendentes. Há poucos dias, no Barra Shopping Sul em Porto Alegre, visitamos a exposição “Corpo Humano: real e fascinante” (um evento imperdível). A mostra faz jus aos adjetivos que a identificam.  Sem dúvida, é real e fascinante poder, durante mais de duas horas, olhar com atenção, interesse, e não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Somos seres complexos e surpreendentes. Há poucos dias, no Barra Shopping Sul em Porto Alegre, visitamos a exposição “Corpo Humano: real e fascinante” (um evento imperdível). A mostra faz jus aos adjetivos que a identificam.  Sem dúvida, é real e fascinante poder, durante mais de duas horas, olhar com atenção, interesse, e não menor surpresa o corpo humano, parte por parte, e (re)descobrir como  somos, carne/ ossos/ nervos/ músculos/ cartilagens que se aproximam, se completam, se ajustam, se voltam ao objetivo maior, a vida humana. Ao final, crescemos no  respeito ao nosso corpo, com a consciência de quanto é merecedor de zelo e carinho. Se o corpo humano é assim tão especial e tão resistente ao desgaste dos anos, o que pensar da personalidade humana? A sua identidade, feita de valores, idéias e sentimentos, é tão única e tão diferente, que fez de cada um de nós “uma palavra que Deus disse e nunca mais repetiu”, como lembra Karl Adam. Pois, assim como as partes do corpo se harmonizam, as da personalidade buscam coerência entre o pensamento, a ação e os sentimentos, entre a fé e as obras, entre os sonhos e as realizações. </p>
<p>Uma palavra-chave explica a importância de ser e viver com harmonia: coerência! Praticá-la, expressá-la em atitudes e gestos exige muito de cada ser humano, tendo de enfrentar grandes inimigos que a comprometem: a conveniência;  o corporativismo,que freqüentemente leva junto, de roldão, a ética; o bolso, para muitos, o órgão mais sensível; o fundamentalismo, cupim que infesta valores religiosos e ideológicos, tornando menores a lucidez e o diálogo entre os homens. Para fugir aos desafios da coerência, muitos se omitem, chamando-se ao silêncio. </p>
<p>As crianças (todos sabemos), em geral, são coerentes. Até quando mentem, podem ser mais facilmente descobertas; os adultos, não. Pensam e sentem uma coisa e expressam outra por interesse, para levar vantagem, por conveniência. Nós, os adultos, não raro, parafraseando o personagem bíblico, trocamos a herança da nossa história pessoal por um prato de lentilha sem a consciência de que estamos nos desfazendo do essencial em favor do transitório e do perecível. </p>
<p>Praticar a coerência exige muito de cada um, porque tem consequências: afasta amigos, desagrada companheiros de partido, de entidade, de associação, de clube, provoca prejuízo no mundo dos negócios. A coerência nos faz bater de frente em interesses contrariados, mas, convenhamos, não há sentimento mais gratificante do que descobrir, no espelho, que nosso olhar ainda mantém o brilho da dignidade humana!</p>
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		<title>Raio X: velhos-novos?&#8230;</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/03/24/raio-x-velhos-novos/</link>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 04:37:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Máximo Trevisan
Acabamos de ler o Caderno Especial da Folha de São Paulo (edição de 15 de março),onde constam os dados da pesquisa Datafolha sobre idosos brasileiros, resultado de entrevistas com 1.238 pessoas de mais de 60 anos, espalhadas em 140 municípios de 24 Estados e do Distrito Federal. O levantamento ocorreu em novembro de 2008.
Diante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Acabamos de ler o Caderno Especial da Folha de São Paulo (edição de 15 de março),onde constam os dados da pesquisa Datafolha sobre idosos brasileiros, resultado de entrevistas com 1.238 pessoas de mais de 60 anos, espalhadas em 140 municípios de 24 Estados e do Distrito Federal. O levantamento ocorreu em novembro de 2008.</p>
<p>Diante da pergunta “Existe preconceito contra os mais velhos no Brasil”, 87% responderam afirmativamente; muito, 52%; um pouco, 30%. O assunto velho/idoso precisa ser colocado sobre a mesa para ser encarado de frente, na busca do encontro com a verdade. Os velhos, no país, não precisam de compaixão, mas de respeito. O Brasil está envelhecendo cada vez mais: no início do século passado, a expectativa de vida ao nascer era de 34 anos; em 2007, último dado do IBGE, a expectativa passou para 72,6 anos, uma mudança (poder-se-ia usar o termo fantástica?) aconteceu no mundo e no Brasil e conhecê-la interessa não só aos que estão há tempo no caminho como aos jovens que pretendem nele permanecer por longo tempo&#8230;Velho só pode assim se considerar quem já gozou do privilégio de ter vivido muito. Jovem só é quem poucos anos de vida tem. </p>
<p>A pesquisa revela dados novos, importantes e fundamentais:  54% dos aposentados recebem um salário mínimo mensal. Isso é Brasil. Perguntamos: é possível ser feliz nessa situação? Os idosos surpreendem ao responderem à pergunta “Você se considera feliz?”: 78% responderam sim, 20% mais ou menos, 2% que se julgam infelizes. Outros dados: saúde é ótima/boa para 51%; só 28% têm plano particular de atendimento; casa própria e saúde são os dois maiores sonhos; 74% dos homens dizem fazer sexo, 76% das mulheres falam que não; 78% têm netos; 92%, filhos;47% são casados, 33%, viúvos, 11%, separados e 8%, solteiros; 02 em 10 vivem sozinhos. </p>
<p>Francisco Daudt (60), psicanalista, autor de “O Aprendiz do Desejo”, escreve: “Decidi que a morte é um momento de nossa vida, e ela não roubará de mim nada além do que isso: seu momento. Enquanto isso só tenho uma idade:estou vivo!” </p>
<p>Há os que idealizam a velhice; há os que a detestam. Há os que a aceitam como um desafio de viver com todas as suas limitações, circunstâncias e possibilidades, com todas as qualidades e defeitos que a acompanham. A sabedoria de viver não estaria em saber quem e o quê somos? Por outro lado, todos desejamos/sonhamos viver bastante, salvo exceções. Conquistar a velhice só é possível envelhecendo, e saber envelhecer (se possível, com felicidade) é o grande e intransferível desafio de cada ser humano, neste tempo de tanta ameaça, injustiça, violência e desrespeito, mas também de tantas possibilidades que levam à longevidade com qualidade e sentido maior de vida.  </p>
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		<title>A felicidade de ser inútil</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 04:58:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
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		<description><![CDATA[Dois textos de grande lucidez e sensibilidade conquistaram a nossa atenção. Leonardo Boff, em “Oficialmente velho”, fala dos setenta anos completados em dezembro passado. Rubem Alves, em “Quando o inverno chegar”, surpreende e provoca o leitor, quando conta da palestra que fez em São Paulo à Terceira Idade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Máximo Trevisan                                   </p>
<p>Dois textos de grande lucidez e sensibilidade conquistaram a nossa atenção. Leonardo Boff, em “Oficialmente velho”, fala dos setenta anos completados em dezembro passado. Rubem Alves, em “Quando o inverno chegar”, surpreende e provoca o leitor, quando conta da palestra que fez em São Paulo à Terceira Idade. Ao ler as duas crônicas, não resistimos à voz que nos mandava compartilhar os textos com nossos leitores que, oficial ou oficiosamente, se consideram velhos. Todos sabemos que as estações do ano não perguntam se podem ou devem chegar e quando. Elas respondem à natureza e  surgem, uma após a outra. Assim acontece com os humanos em relação à infância, à adolescência, à juventude, à maturidade e à velhice! </p>
<p>Leonardo Boff lembra que há um lado instigante na velhice, última etapa do crescimento humano: “Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos.” Ao refletir sobre o sentido da vida, Boff afirma que precisaríamos de muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Ressalta que vivemos especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. Ao final diz que ainda alimenta dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa: “Eu só queria nascer de novo para me ensinar a viver.”</p>
<p>Rubem Alves, por sua vez, foi provocativo com os velhos que foram escutá-lo: ”Então os senhores e as senhoras chegaram finalmente a esse glorioso momento da vida em que podem se entregar à felicidade de serem totalmente inúteis&#8230;” A resposta dos ouvintes veio em forma de indignação coletiva. Muitos participantes passaram a proclamar o que faziam para confirmar que não eram inúteis!.. Rubem Alves ressalta, então, que as respostas atendiam à ideologia da nossa sociedade que julga as pessoas como julga as lâminas de barbear, as esferográficas, os filtros de café&#8230;Uma lâmina de barbear rombuda, uma esferográfica esgotada, um filtro de café usado deixaram de ser úteis e vão para o lixo por serem inúteis.  A Nona Sinfonia é absolutamente inútil, mas a vassoura, ao contrário, é muito útil. Um poema é inútil, já o papel higiênico e muito útil. O que vale mais? perguntou o conferencista. Repentinamente, os rostos indignados se abriram em sorrisos. Ocorre-nos indagar: afinal, o que somos? Poemas ou lâminas de barbear? Sinfonias ou vassouras? Por que resistimos tanto à felicidade de sermos inúteis, conquistada na velhice?</p>
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		<title>A cultura do cordial e do belo</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 05:03:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
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		<description><![CDATA[Estivemos, anos atrás, na bonita e progressista Blumenau, hoje sofrida cidade, vítima de uma tragédia que recentemente comoveu o Brasil inteiro]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Estivemos, anos atrás, na bonita e progressista Blumenau, hoje sofrida cidade, vítima de uma tragédia que recentemente comoveu o Brasil inteiro. Fomos até a cidade da Oktoberfest para participar de um Congresso Nacional relativo ao Mercado Imobiliário. Não falaremos sobre os temas do Congresso, mas sim da necessidade e da importância da cultura do cordial e também do belo, que dizem respeito também à qualidade de vida como à felicidade de todos e da cada um.</p>
<p>Ao chegar a Blumenau (era meia tarde de um domingo ensolarado e frio), encontramos a cidade festivamente enfeitada, vivendo o clima da Oktober. Buscávamos o Viena Park Hotel, sede do Congresso. Longe do destino, numa sinaleira, baixamos o vidro do carro para perguntar ao motorista do automóvel ao lado o rumo para o hotel. Ele, que estava num Vectra com a mulher e duas crianças, sorriu para nós (eu estava com Eunice) e falou: &#8220;Daqui até o hotel é um pouco longe e não vai ser muito fácil chegar lá. Me acompanhem que eu levo vocês&#8221;. Assim aconteceu. Seguimos o casal até o hotel onde se despediram, não sem antes apontar, no caminho, a direção dos pavilhões da Oktoberfest.</p>
<p>Entramos, sorrindo, no aprazível hotel, ainda envolvidos na carinhosa acolhida.Pensamos, então, no valor da sedução que decorre de uma cultura do cordial, praticada com espontaneidade, do jeito que vivenciamos em Blumenau.  Não foi por nada que, no dia seguinte, lemos no jornal local o registro de um fato semelhante: um carioca que chegara para a Oktoberfest também demonstrava seu encantamento com a acolhida recebida.</p>
<p>O mundo atual não dá prioridade à cordialidade, mas descamba muitas vezes para a violência como atitude de ataque ou defesa. Confunde, com freqüência agressividade (um grave defeito) com coragem (uma grande qualidade). Ghandi foi um homem pacífico, cordial e, também, muito corajoso. Detestava a violência. É preciso distinguir o ser/estar cordial da prática do gesto calculado para obter vantagem, da cortesia interesseira, do sorriso mercadológico. A cultura do cordial importa  na prática do gesto humano simples, na vontade  de servir o outro gratuitamente, na acolhida ao forasteiro, dever, quando cumprido, que honra uma cidade e seus cidadãos. </p>
<p>A cultura do belo, também uma característica de Blumenau, não é menos significativa do que a cultura do cordial. Cuidar da coisa pública até mais do que da particular deveria ser um propósito de cada cidadão. Assim, as ruas, as calçadas, os canteiros, os bancos da praça, as árvores, as flores, os postes, as marquises, tudo teria o cuidado de todos, desde  crianças até os  adultos.</p>
<p>Tornar os lugares públicos cada vez mais bonitos, respeitar o meio ambiente, zelar por ele, além de ser cordial, eis um dever de ofício de cada cidadão para uma cidade cada vez mais cordial e bela! O zelo pelo coletivo deveríamos beber no leite materno. </p>
<p>O gesto do casal de Blumenau, não só apontando o rumo, mas nos acompanhando até o hotel, ocupa espaço na nossa memória, de forma marcante. Afinal, assim deveríamos receber a todos que visitam Santa Maria, assim deveríamos  cultivar a cultura do cordial e do belo, que custa tão pouco e rende tanto para o coração.</p>
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		<title>A crise, essa (des)conhecida</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 05:19:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
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		<description><![CDATA[Máximo José Trevisan
Há uma palavra dita, escrita e divulgada dezenas, centenas de vezes ao dia, neste tempo veloz e turbulento: a palavra crise.
Não se trata de um termo com origem, cor e jeito locais, mas é familiar em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, nas rodas econômicas, sociais e políticas, em encontros de religiosos e de bandidos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo José Trevisan</strong></p>
<p>Há uma palavra dita, escrita e divulgada dezenas, centenas de vezes ao dia, neste tempo veloz e turbulento: a palavra crise.<br />
Não se trata de um termo com origem, cor e jeito locais, mas é familiar em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, nas rodas econômicas, sociais e políticas, em encontros de religiosos e de bandidos, em reuniões de líderes mundiais e de chefes de quarteirão. A crise é universal.</p>
<p>Discute-se hoje (e muito) a crise &#8211;o que é, como se apresenta, quem são os seus responsáveis, de que remédios dispomos para solucioná-la ou combatê-la (há os que entendem que ela é uma batalha!&#8230;).Não há dúvida sobre o estado de crise em que todos vivemos, do jovem ao velho, do pequeno ao grande, do analfabeto ao letrado.</p>
<p>São palavras identificadoras de uma crise: ruptura, mudança, conflito, desarmonia, carência. O estado de crise reflete e representa a situação e o fato onde os elementos básicos mencionados estão presentes, com maior ou menor intensidade, com mais ou menos vigor.</p>
<p>O modo de encarar a crise distingue pessoas e organizações. Há os que negam ou subestimam as causas e conseqüências. Há os que as supervalorizam e  engrandecem.Uns são tomados por uma euforia enorme diante dela pelo  desconhecimento ou por inconsciência. Outros, que a tomam por muito maior, freqüentemente entram em depressão e estado de impotência, na sua análise e solução. A crise exige uma atitude racional e um exercício dos sentimentos rumo ao equilíbrio, capazes de gerar uma percepção adequada e real, condição de uma possível solução razoável e consentânea com a sua natureza e seus participantes. </p>
<p>A crise não acontece por acaso, está conosco sempre, adormecida ou  desperta, silente ou agressiva, suportável ou insuportável, como uma criança arteira ou um velho esclerosado. A crise é parte e companheira dos homens no mundo, desde ontem, agora e sempre. Quem viveu, sabe; quem vive sente; quem viver será testemunha no futuro. </p>
<p>Para encarar a crise, seria preciso educar-se. Aqui cabem as palavras da educadora Dalila Sperb “aprender a aprender, aprender a viver e aprender a ganhar a vida”.Devemos ser, na condição de humanos, permanentes aprendizes de como descobrir o mundo, de como conquistá-lo. Acostumaram-nos, principalmente, à reação, quando a sabedoria leva à pró-ação; fomos mais censurados do que incentivados à leitura da realidade, mais rígidos no combate ao mal do que na prática do bem, mais ágeis na defesa do que no preparo para o combate. Precisamos hoje, mais do que ontem, aprender a aprender, assenhoreando-nos do como, para investir no aprender a viver (o que pouco sabemos).  A crise não existe para ser negada ou apreciada demais, para ser conhecida ou bisbilhotada. Devemos nos educar para compreendê-la. O desconhecido ameaça até por ser desconhecido. A noite não assusta (tanto) o guarda-noturno; a doença é mais familiar ao médico. Importa (quem sabe) pela educação (pobre palavra tão sofrida e maltratada!) descobrirmos a grande aprendizagem – a aprendizagem do viver – que possibilitará a descoberta dos fins, dos valores essenciais, do sentido da vida, de como viver, que todos (mais ou menos) necessitamos para vivermos felizes, na condição de humanos, irmãos de destino e de carruagem.</p>
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		<title>O cachorro e a chave</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/13/o-cachorro-e-a-chave/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 02:06:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Como já era hora de fechar o estabelecimento, resolveu ir atrás do cão e ver para onde levaria as salsichas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Conta-se que, num fim de tarde, um cachorro, ágil e adestrado, entrou no açougue, trazendo  um bilhete, na boca, com um pedido:  que fosse mandado,  pelo portador, uma dúzia de salsichas.  Após cair em si, mesmo estranhando a demanda, o açougueiro percebeu que havia dinheiro junto ao bilhete. Separou, então, as salsichas, colocou-as dentro de um saco plástico com o troco do dinheiro recebido, e entregou a encomenda ao surpreendente cachorro.</p>
<p>Como já era hora de fechar o estabelecimento, resolveu ir atrás do cão e ver para onde levaria as salsichas. Ao chegar frente a uma bonita casa, o animal começou a forçar a porta de entrada.  Não obtendo êxito, dirigiu-se à janela, mas o resultado foi igual. Aí, ainda com o pacote de salsichas na boca, pulou o muro ao lado e foi até o fundo da casa, ao encontro do seu dono.</p>
<p>Passados alguns instantes, apareceram os dois na frente da casa, o dono batendo no cão. O açougueiro, diante da agressão, que entendeu muito injusta, falou ao agressor, perguntando por que tratava assim quem o atendia de forma tão extraordinária, sendo capaz de ir buscar salsichas num açougue. A resposta veio pronta: “Já é a segunda vez que esse animal esquece a chave da porta da frente da casa, e eu tenho de vir abri-la por causa disso.”</p>
<p>Como todas as histórias, essa também tem a sua moral: por mais que você tenha um desempenho especial ou até sensacional, haverá quem entenda que você fez menos do que poderia ou deveria fazer! E também se pode concluir: por mais que você queira atender a todos e em tudo, sempre haverá quem entenda que esqueceu a chave, quando, na realidade, você tentou fazer o melhor!</p>
<p>Vale, ainda, pensar, especialmente quando  você compara os amadores com os profissionais, que o desempenho dos profissionais será julgado sempre o melhor.Então, seria oportuno lembrar, por exemplo, que a Arca de Noé foi feita por amadores, enquanto o Titanic foi construído por profissionais. Todos  sabemos qual afundou.</p>
<p>Essa história ouvi, no dia 30 de janeiro de 2009, na TV Gazeta, no final do Programa Papo de Amigos, quando passava uns dias de férias na linda e prazerosa praia de Camboriú.  Hoje, ao lembrar o que ouvi e passá-lo ao papel, chego à conclusão de que,  mesmo não passando de uma fábula, essa história traz uma mensagem muito real e verdadeira. Afinal, quantas vezes e em quantas ocasiões, eu/você já não fizemos o papel do cachorro, procurando o melhor e, mesmo assim, não recebemos pancadaria por palavras e sentimentos agressivos, não fomos destinatários de uma severa e ácida crítica, carentes de elogio? </p>
<p>Quantas vezes, tantos investem  vida na construção de arcas , como simples operários amadores, enquanto outros, os construtores de Titanic, como “profissionais, os melhores”,  tanto na área pública como na particular, levam ao desastre os convidados e quem pagou caro pela viagem? A crise atual não é, por acaso, resultado de profissionais, de especialistas, de construtores de Titanics, de líderes de mercado?</p>
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		<title>Marolinha ou tsunami?</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 18:30:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Máximo Trevisan
Uma marolinha, na inicial e eufórica avaliação do Presidente Lula, um verdadeiro tsunami para os observadores e analistas internacionais, a crise mundial deixa de ser apenas uma ameaça para tornar-se uma dura, cruel e exigente realidade. O Brasil já sofre os graves efeitos, não de uma aragem, que cria marolinha, mas de ondas gigantescas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Uma marolinha, na inicial e eufórica avaliação do Presidente Lula, um verdadeiro tsunami para os observadores e analistas internacionais, a crise mundial deixa de ser apenas uma ameaça para tornar-se uma dura, cruel e exigente realidade. O Brasil já sofre os graves efeitos, não de uma aragem, que cria marolinha, mas de ondas gigantescas, provocadas por vendavais econômicos, políticos e sociais. É notório que o Brasil de hoje está melhor do que o de ontem para enfrentar tão graves intempéries, mas, é forçoso reconhecer, sob a ótica política e popular, que não há uma consciência clara e aguda da crise mundial que traz perda de referência, ausência de certezas, sensação de vazio, de ameaça, de desequilíbrio, de fechamento de oportunidades. </p>
<p>Há cada vez mais potentes vagas agitando o mar da economia, enquanto há cada vez menos vagas em terra, nas empresas, nas organizações de trabalho, no mundo dos jovens. Uma vaga, nas complexas relações humanas, tem conotações diversas, ora podendo significar multidão que invade espaços em desordem, ora falta, carência, lugar disponível ou vazio, cargo não ocupado. Este sentido de vaga, tão próximo e tão visível, perturba mais do que os outros, carregando angústias e incertezas aos trabalhadores e aos empresários.</p>
<p>Santa Maria, a cada ano, atrai milhares de jovens à cidade. Vaga na universidade é algo a conquistar; vaga é concorrência; vaga é muito sonho alimentado diante de poucos caminhos concretos. Hoje a luta é por uma vaga em curso superior; amanhã será uma luta por uma vaga de trabalho, num mercado cada vez menor e mais competitivo. A crise atual diz claramente: já não basta ingressar numa Faculdade, nem ser depois um egresso com diploma. Fundamental  será tornar-se um candidato habilitado, competente, preparado para um mundo que se alimenta mais de incertezas do que de certezas. As placas “Não há vagas!” estão sendo cada vez mais freqüentes, não só na porta das fábricas ou no canteiro de obras, mas também nos cargos públicos e privados. Não se pode desconhecer essa realidade. A preparação pessoal, técnica, científica, cultural e social precisa ser cada vez mais qualificada para o enfrentamento de um futuro exigente e incerto, e isso supõe mais tempo e mais investimentos.</p>
<p>Marolinha ou tsunami? Otimistas ou pessimistas, importa não desconhecermos nem super ou subdimensionarmos a crise, que é real. Há pássaros no ar e tempestades no mar. Lucidez, competência e garra são essenciais como componentes de uma cesta básica para enfrentar os desafios que aí estão, com os olhos voltados ao mundo, sem perder de vista o chão que estamos pisando.</p>
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