<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>ARAZÃO &#187; Pedro Brum dos Santos</title>
	<atom:link href="http://www.arazao.com.br/category/colunistas/pedro-brum-santos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.arazao.com.br</link>
	<description>A Razão 75 Anos</description>
	<lastBuildDate>Sat, 31 Jul 2010 00:51:05 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>As veias abertas da América Latina</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/04/29/as-veias-abertas-da-america-latina/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/04/29/as-veias-abertas-da-america-latina/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 14:06:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=2185</guid>
		<description><![CDATA[Pedro Brum Santos
Em semana de Feira do Livro, entre nós, a grande notícia do meio livresco continua sendo o gesto de Hugo Chaves, que, há cerca de dez dias, presenteou Barak Obama com “As veias abertas da América Latina”, durante a 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago.
Não sei se meu amigo Vítor, especialista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum Santos</strong></p>
<p>Em semana de Feira do Livro, entre nós, a grande notícia do meio livresco continua sendo o gesto de Hugo Chaves, que, há cerca de dez dias, presenteou Barak Obama com “As veias abertas da América Latina”, durante a 5ª Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago.</p>
<p>Não sei se meu amigo Vítor, especialista na matéria, concorda, mas a História é muito irônica. “As veias abertas” é um livro de tempos bicudos, escrito no calor da hora, quando o Continente sucumbia à força ferrenha e discricionária da ditadura. Há, nele, a retórica apaixonada de cunho revolucionário, um brado à resistência. </p>
<p>O uruguaio Eduardo Galeano denuncia, na linha da História, a pilhagem cruel endereçada contra nossa gente e nossas riquezas. Os algozes estão todos nominados: portugueses, espanhóis, ingleses, norte-americanos. A história da América Latina é reescrita a partir do trato impiedoso dos mecanismos de poder, dos modos de produção e dos sistemas de expropriação. A descrição – mais do que isso, a denúncia – põe à mostra, com crueza descritiva e fartura de dados, a monstruosidade irracional da barbárie.</p>
<p>Lançado em 71, o livro de Galeano, jornalista uruguaio, hoje com 69 anos, tornou-se uma bíblia da esquerda revolucionária na América Latina. E encantou gerações de estudantes de nossa História. No prefácio de uma reedição, a romancista Isabel Allende escreve que, ao fugir do Chile, após o golpe em 73, levou poucas coisas: “um saquinho de barro do meu jardim e dois livros: uma velha edição de Odes, de Pablo Neruda e o livro de capa amarela, As veias abertas da América Latina”. </p>
<p>Livro de um tempo de dor e paixão, “As veias abertas” não perdem o poder de encantamento. Obama, provavelmente, não o lerá, mas, depois do gesto de Chaves, sua procura nos Estados Unidos colocou-o no topo da lista dos mais vendidos. </p>
<p>Definitivamente, o riso da História é sempre irônico: dizer que a estroinice de Chaves alcançou, num instante, o que muitos, em vão, deram a vida para tentar alcançar. Nem por isso, o que foi trágico vira cômico. Para Schopenhauer, por exemplo, todo o riso, no fundo, é uma manifestação pessimista diante da dramaturgia absurda que é a vida. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/04/29/as-veias-abertas-da-america-latina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A pressa e o aprendizado</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/04/01/a-pressa-e-o-aprendizado/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/04/01/a-pressa-e-o-aprendizado/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 14:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1811</guid>
		<description><![CDATA[Pedro Brum dos Santos
Entre 2006 e 2007, em meio a viagens decorrentes de dever de ofício, incorporei uma rotina de aeroportos a que não faltaram, é claro, cenas da crise da aviação, tornada aguda entre nós naquela época.
Assisti ações ríspidas envolvendo passageiros, furiosos com atrasos, diante dos guichês das companhias ou nas salas de embarque. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>Entre 2006 e 2007, em meio a viagens decorrentes de dever de ofício, incorporei uma rotina de aeroportos a que não faltaram, é claro, cenas da crise da aviação, tornada aguda entre nós naquela época.</p>
<p>Assisti ações ríspidas envolvendo passageiros, furiosos com atrasos, diante dos guichês das companhias ou nas salas de embarque. Nessas ocasiões, embora achasse que os reclamantes, em geral, tivessem toda a razão – e muitas vezes, afinal, eles estavam brigando por mim também –não conseguia deixar de pensar o quanto ficamos todos apressados nos tempos atuais. Para uma parcela significativa da população é custoso admitir qualquer tipo de espera ou adiamento. O avanço da técnica – tão maravilhoso em certos aspectos – trouxe-nos a moléstia da pressa. Vivemos sob a ditadura do aqui e agora.</p>
<p>Nicolau Sevcenko, professor de Historia da Cultura da USP, observa que esse apressamento é mais grave ainda nos campos do conhecimento, justamente porque gera imobilismo, sensação de que é impossível refletir, explicar, compreender. Diante da lógica da pressa, os fenômenos parecem absolutos, indevassáveis, inexplicáveis mesmo. Num livro chamado “Corrida para o século XXI” (a obra é de alguns anos e acaba de ser reeditada pela Companhia das Letras), Sevcenko brada contra o que classifica como imobilismo contemporâneo.</p>
<p>Palavras do autor: “no ritmo em que as mudanças ocorrem, provavelmente nunca teremos tempo para parar e refletir, nem mesmo para reconhecer o momento em que já for tarde demais”. Sua tese é de que a crítica precisa exercer – de forma mais eloqüente – o papel de contrapartida cultural diante da técnica, dialogando com as inovações, ponderando sobre seu impacto, avaliando seus efeitos e atentando para seus desdobramentos. O problema, na visão do pensador, “não é nem a técnica e nem a crítica, mas da síndrome do loop, que emudece a voz da crítica, tornando a técnica surda à sociedade”.</p>
<p>Em português, um dos significados do inglês loop é acrobacia aérea. Eis a instigante lição de Sevcenko: nesses tempos vertiginosos, compreensão e aprendizado ainda requerem o velho e bom ritmo do passo a passo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/04/01/a-pressa-e-o-aprendizado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>As palavras e o mundo</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/03/24/as-palavras-e-o-mundo/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/03/24/as-palavras-e-o-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 04:46:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1674</guid>
		<description><![CDATA[Pedro Brum dos Santos
Quando somos criança ou muito jovem, as coisas parecem ter um valor em si, algo separado do tempo histórico. 
Refiro-me àquela fase mágica da descoberta do mundo. Os nomes colam-se às pessoas, aos objetos, aos lugares. E não nos ocorre que podem referir algo para além daquilo que conhecemos. O curioso é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>Quando somos criança ou muito jovem, as coisas parecem ter um valor em si, algo separado do tempo histórico. </p>
<p>Refiro-me àquela fase mágica da descoberta do mundo. Os nomes colam-se às pessoas, aos objetos, aos lugares. E não nos ocorre que podem referir algo para além daquilo que conhecemos. O curioso é que muitos desses nomes mantêm, em nós, seus valores inaugurais, como o ferro quente que marca o couro cru para nunca mais sair. </p>
<p>Para mim, por exemplo, Casa Branca, antes de ser a sede do governo norte-americano, será sempre aquele casarão amplo, com pé direito alto, onde as portas se abriam ao comprido, uma ao lado da outra, rente à calçada. Casa Branca, do seu Wano Herter. Em Tupã, ali estava a fonte de atualização dos últimos lançamentos da eletrônica. Rádios, gravadores, televisores &#8211; em geral, grandes e pesados, os equipamentos prometiam qualidade inigualável. O que eu mais gostava, entretanto, era da seção de discos.</p>
<p>Os LPs e os compactos ficavam expostos numa peça separada do corpo da loja, que se entrava pelo lado do caixa. Acondicionados em suas capas coloridas, cheirando a novinhos, eram um convite irresistível ao tato, ao olfato, ao sobressalto da descoberta. Quando fui ficando maior, adorava ir lá para deixar o tempo correr livre sob os olhos complacentes do seu Wano. Olhava capas, conferia selos, lia fichas técnicas e, é claro, separava aqueles que me cabiam na mesada.</p>
<p>Em Tupã, porém, havia mais, muito mais. Tarzan, por exemplo, era nosso conhecido. Corpulento e famoso por ser bom de briga, foi companheiro de pesca de meu tio Rui. Quanto a Pelé, esse era gente de casa. Gostava de um trago, era um centroavante voluntarioso nas peladas de chão batido e, antes que a vida lhe levasse por aí afora, brilhou envergando a nove alvinegra do glorioso Gepo. Já Antonio, se algum santo evocava, era pelo fato de ser o padre de nossa paróquia. Santo Antonio, digo, padre Antonio, falava na rádio aos domingos e começava sempre com seu infalível “rádio-ouvintes, boa-tarde”.</p>
<p>Essas evocações me acompanham, todas, como sinal permanente de que meu mundo tem um centro. Embora as palavras, quase sempre, teimem em me mostrar o contrário. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/03/24/as-palavras-e-o-mundo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Artes do tinhoso</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/03/17/artes-do-tinhoso/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/03/17/artes-do-tinhoso/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 04:27:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1589</guid>
		<description><![CDATA[Pedro Brum dos Santos
A bola, chutada por Dodô, entrou feito um raio. Assim como entrou saiu do outro lado. Por fim, caiu atrás do gol e ficou pipocando perto do alambrado.
O juiz deu tiro de meta. Dodô esbravejou. A bola entrou, a bola entrou! O capitão foi conferir com o bandeirinha, que continuava imóvel, no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>A bola, chutada por Dodô, entrou feito um raio. Assim como entrou saiu do outro lado. Por fim, caiu atrás do gol e ficou pipocando perto do alambrado.</p>
<p>O juiz deu tiro de meta. Dodô esbravejou. A bola entrou, a bola entrou! O capitão foi conferir com o bandeirinha, que continuava imóvel, no seu lugar. A torcida, no pavilhão, vacilou. O povo das gerais correu para o auxiliar e berrou do lado de fora. Copos plásticos voaram por cima da cerca. O juiz tentou afastar os revoltosos. O bolo aumentou.</p>
<p>Atrás do gol, Tetéu, a única alma presente naquele ponto solitário da arquibancada.</p>
<p>- Pobrema é o seguinte: Dodô pegou a bola e deu uma sapateada daquelas dele. Dodô é mesmo craque nessa ginga. Na verdade, o moleque tem lá das suas. Na vila, todo mundo sabe que Dodô, antes do jogo, toma o elixir da cobra.</p>
<p>- Elixir da cobra, seu Tetéu?</p>
<p>- É uma chapoeirada que o Nenê de Xangô ensinou pra ele. O povo diz que leva chumbinho ralado, graspa, talo de chapéu de cobra e outras traquitanas. O cabra fica encanzinado. O próprio Nenê conta que, certa vez, se safou duma encrenca contra cinco diabos que o atacaram de surpresa numa quebrada, já altas horas. A salvação foi o tal elixir, que o Nenê desde moço é metido com essas artes do tinhoso. O bicho sapateou e bateu tanto, com pés e mãos, que botou os cinco a correr num upa.<br />
- Então o Dodô&#8230;</p>
<p>- O Dodô?,Ora, a modo de dizê, corpo fechado pelo Velho Nenê, aquilo é o diabo. O moleque deu a pedaladada. A bola subiu e nhã&#8230; o breque passou lotado. A bichona quicou na frente do garoto. E ele enfiou um bicão valendo. Vi quando ela entrou no ango e, lá em cima, esticou o buraco da rede. Não furou, nem nada: passou reto e caiu aqui na cerca, poc, poc, poc&#8230; </p>
<p>- Seu Tetéu, e o senhor não pensou em gritar pro juiz, pro bandeira? Afinal, o quebra pau pegou feio, quem sabe não teria evitado aquela lambança toda. &#8211; Meu filho, futebol é coisa do capeta. E com o tinhoso ninguém pode! </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/03/17/artes-do-tinhoso/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lição de mulher</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/03/11/licao-de-mulher/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/03/11/licao-de-mulher/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2009 17:09:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1524</guid>
		<description><![CDATA[O Dia Internacional da Mulher transcorreu domingo e, a propósito, aproveito a oportunidade para lembrar o exemplo de tenacidade e clareza de uma delas, que foi grande figura de nosso tempo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>O Dia Internacional da Mulher transcorreu domingo e, a propósito, aproveito a oportunidade para lembrar o exemplo de tenacidade e clareza de uma delas, que foi grande figura de nosso tempo.</p>
<p>Refiro-me a Susan Sontag, consagrada escritora, crítica e ativista norte-americana, morta aos 71 anos, no final de 2004, depois de sua última cruzada, dirigida contra o governo Bush e a invasão do Iraque. </p>
<p>Gosto particularmente das lúcidas anotações que a autora faz a respeito do compromisso ético do escritor – e, por suposto, da literatura. Em um texto póstumo, incluído em apanhado ensaístico recentemente lançado no Brasil pela Companhia das Letras (com o título de Ao mesmo tempo), ela retoma o tema e trabalha com a idéia de que a ficção amplia nosso mundo, por isso ela é tão necessária.</p>
<p>Enquanto, na era da internet, a simultaneidade de informações torna opaco nosso julgamento sobre as coisas, cabe a uma boa e velha peça literária – um drama, um romance, uma novela, o que a pensadora chama de “um encolhimento do mundo”. Em outras palavras: a ordenação de um fato (no sentido de algo factível) particular numa determinação temporal e espacial. Um livro de literatura deve existir para nos dizer: essa é a história importante. Ao fazê-lo, ele, o livro, reduz a dispersão e a simultaneidade de nossa atribulada era a algo demarcado, a um caminho que, embora a amplitude de seus horizontes, nunca perde de vista o singular, a individualidade. </p>
<p>Sontag busca um antigo provérbio para reforçar a argumentação: “o tempo existe para que tudo não aconteça de uma vez só&#8230; e o espaço existe para que não aconteça tudo com você”. Quando organiza uma sequência, uma determinada lógica de ações, um enredo literário retoma, exatamente, essa noção de tempo que assinala, ordena e dota sua matéria de um sentido particular. Do mesmo modo, ao distribuir as ações entre personagens com as quais, de algum modo, nos identificamos, mostra-nos que não estamos sozinhos no espaço &#8211; em nossas agruras ou em nossos acertos.</p>
<p>Solidariedade: eis a palavra-chave para saudar Susan Sontag. E, com ela, às escritoras e às mulheres em geral, que, com suas narrativas “ampliam e complicam – e, portanto, aprimoram – a nossa [própria] solidariedade”. Com elas, enfim, educamos a nossa capacidade de juízo moral.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/03/11/licao-de-mulher/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Jogo de campo inteiro</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/03/04/jogo-de-campo-inteiro/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/03/04/jogo-de-campo-inteiro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 15:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1445</guid>
		<description><![CDATA[Domingo, à espera do Grenal, aterrissei na TVE que passava Brasil e Inglaterra, Copa de 70]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>Domingo, à espera do Grenal, aterrissei na TVE que passava Brasil e Inglaterra, Copa de 70.</p>
<p>A partida contra os então campeões do mundo foi das mais difíceis na memorável e inesquecível jornada do tri. Ganhamos de 1 a 0 e lembro do imenso sofrimento desse jogo, que ouvi pelo rádio.<br />
Sua releitura quebrada, na tarde insone de domingo, serviu-me para perceber o quanto o futebol mudou de lá para cá. Uma diferença gritante é a perda imensa de tempo. A bola parava muito, os jogadores, em geral, recebiam atendimento dentro do campo de jogo, o sistema de reposição das laterais era deveras lento. Há um lance em que Brito chuta para a torcida e todos esperam que o torcedor devolva a bola para a execução da lateral. O maior diferencial, porém, é a superioridade dos ataques sobre as defesas. </p>
<p>Graças a isso, celeiro de jogadores habilidosos, inclinados para o gol, destemidos na definição pessoal, o Brasil imprimiu sua marca e reinou praticamente sozinho entre os decênios de 50 e 60. Até que seus adversários priorizassem o contraveneno a partir das armações defensivas. Nos minutos que assisti, diante da pressão da Inglaterra, era zagueiro nosso batendo cabeça, lateral errando em bola, um tal de espanta de qualquer jeito, onde brilhavam mesmo as impulsões de Félix e seus impiedosos soqueares de punhos duplos.  </p>
<p>Em contrapartida, é bonito de se ver nossa precisão de passe, a bola longa para a frente. E tínhamos um timaço de lançadores em 70: Gérson, Clodoaldo, Tostão, Rivelino e por aí afora. O espetáculo, porém, está no ataque. Tem-se, mesmo, a sensação de que a disputa pra valer – com velocidade, dribles, entrechoques – e, naturalmente, gols &#8211; somente ocorria nos lances de frente. Era como se, todos os demais fossem meros figurantes, encarregados de fazer o tempo passar, até que a bola chegasse lá adiante, onde ocorria o jogo de verdade.</p>
<p>Pena que tive que interromper minha volta no tempo. O Grenal me chamava. E com ele, enfim, como convém aos dias de hoje, um jogo de campo inteiro. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/03/04/jogo-de-campo-inteiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O blog e o livro</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/16/o-blog-e-o-livro/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/02/16/o-blog-e-o-livro/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 00:31:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1198</guid>
		<description><![CDATA[Pedro Brum Santos
Semana passada, lembrei o quanto uma expressão como a de Castro Alves, que no século XIX, bradava a necessidade de semear livros para transformar a inculta América, vai ficando defasada diante das possibilidades abertas pelo computador. A despeito de nossa grande defasagem de leitura, que continua atual. 
Pois, nessa relação do livro com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum Santos</strong></p>
<p>Semana passada, lembrei o quanto uma expressão como a de Castro Alves, que no século XIX, bradava a necessidade de semear livros para transformar a inculta América, vai ficando defasada diante das possibilidades abertas pelo computador. A despeito de nossa grande defasagem de leitura, que continua atual. </p>
<p>Pois, nessa relação do livro com o computador, há um capítulo que diz respeito à infinidade de autores que se lançam diretamente através do meio eletrônico. Mais que isso: algumas vezes, depois de repercussão na internet, transferem suas propostas para o papel, numa prova inegável de que este rende prestígio e reconhecimento que o computador nem sempre alcança, embora sua possibilidade infinitamente maior de chegar a diferentes e numerosos públicos.</p>
<p>Entre os lançamentos de nosso mercado editorial que estão nessa linha, leio sobre “Para Francisco”, da publicitária mineira Cristiana Guerra, que leva o selo ARX, Saraiva.  </p>
<p>A maior parte dos textos foi extraída do blog homônimo mantido pela autora e dirigido ao filho, Francisco. No diário virtual (e agora no livro) Cristiana apresenta ao pequeno a figura do pai, Guilherme, que teve morte súbita quando ela – a mãe &#8211; estava com sete meses de gestação.</p>
<p>Leio que “Para Francisco” é um livro triste mas não depressivo, o que talvez decorra do fato de a escritora focalizar a vida a partir da condição de viúva grávida. Trata-se, enfim, de falar, sem rodeios, dos medos de uma mulher frente ao recomeço, dividida entre a dor da perda e o zelo da gestação.</p>
<p>O que me pergunto é até que ponto esse tipo de relato tira sua força de uma forma de se colocar, de se mostrar, enfim, de um cavoucar em público para dentro de si, algo feito a partir de um modo de dizer informal, direto, como no diário recheado de fotografias, e-mails, letras de música. Tal como podemos conferir nos blogs que se multiplicam na internet.  </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/02/16/o-blog-e-o-livro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O livro e computador</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/09/o-livro-e-computador/</link>
		<comments>http://www.arazao.com.br/2009/02/09/o-livro-e-computador/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2009 22:23:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.arazao.com.br/?p=1035</guid>
		<description><![CDATA[Pedro Brum dos Santos
Castro Alves, no século XIX, numa expressão típica de nosso fastio de letramento, conclamava, em versos inflamados, bem ao seu estilo: “bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar!”
Cem anos depois, no correr dos anos 70 do século passado, Quino, o cartunista argentino, destinava, ao mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>Castro Alves, no século XIX, numa expressão típica de nosso fastio de letramento, conclamava, em versos inflamados, bem ao seu estilo: “bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar!”</p>
<p>Cem anos depois, no correr dos anos 70 do século passado, Quino, o cartunista argentino, destinava, ao mesmo tema, um olhar de revés, revestindo-o do seu característico humor implacável. A situação é vivida por Mafalda, a garotinha criada pelo gênio de Quino, a quem o amigo Manolito indaga: “Que vais dar à tua mãe no dia das mães?” “Um livro”, responde-lhe a menininha. “Ora”, replica o outro rindo, “deixa de lorotas. Pensas que eu não sei que ela já tem um?”</p>
<p> A situação de ter ou de dar livros, nos dias que correm, modificou-se drasticamente com a presença onipotente do computador. É cada vez maior o número de obras encontradas na internet. A sensação é de que, sem demora, todos os acervos estarão on-line. </p>
<p>Essa massiva migração do papel para a tela já começa a ser percebida pelas escolas. Outra dia, no site de uma universidade – acho que paulista – topei com endereços eletrônicos onde interessados podem buscar versão completa de obras indicadas para o concurso vestibular. Já se disse que o computador multiplica e democratiza os acessos em proporções jamais vistas. No caso do livro, a pergunta já é até quando o modelo editorial, baseado no papel, nascido nos alvores no mundo moderno, vai resistir.</p>
<p>As posições sobre o tema são variadas. Há os que falam que a exposição prolongada ao monitor pode ser prejudicial aos olhos. Mas há, do mesmo modo, quem ache necessário trabalhar, no ambiente escolar, o incentivo à leitura através do computador, argumentando sobre as vantagens de se explorar devidamente os ricos cruzamentos de informações que a máquina oferece.</p>
<p>Sou dos que acreditam no apelo do livro como um objeto de desejo – e acho que o formato tem vida longa, mesmo reconhecendo que o computador realiza, a seu modo, o sonho da obra que contém todas as obras. No seu caso, porém, a ponderação que Manolito faz a Mafalda teria o literal sentido da realidade. E perderia a graça.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.arazao.com.br/2009/02/09/o-livro-e-computador/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
