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	<title>ARAZÃO &#187; Vera Pinheiro</title>
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		<title>Amar a si mesmo</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 23:41:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vera Pinheiro
No período que antecede o Dia dos Namorados, as vitrinas exibem cartazes e presentes, as lojas fazem promoções e há anúncios por todos os lados, sugerindo que os enamorados se presenteiem mutuamente em 12 de junho. E quem não tem par, como é que fica?! Não fica, senão seria “ficante”, uma modalidade de relacionamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vera Pinheiro</p>
<p>No período que antecede o Dia dos Namorados, as vitrinas exibem cartazes e presentes, as lojas fazem promoções e há anúncios por todos os lados, sugerindo que os enamorados se presenteiem mutuamente em 12 de junho. E quem não tem par, como é que fica?! Não fica, senão seria “ficante”, uma modalidade de relacionamento que não comemora a data por falta de laços. E o amor enlaça, aproxima, cria vínculo de uns com os outros e, essencialmente, de cada um consigo.</p>
<p>Quem ama outra pessoa deve, antes, amar a si mesmo, em primeiríssimo lugar! Isso não é egoísmo, é exercício de preparação para o compartir da existência, fazendo concessões necessárias e se adaptando ao convívio para que a opinião de dois tome o caminho do consenso e a boa vontade enseje a compreensão. Quem se ama não se compara com os demais, não se coloca abaixo ou acima de ninguém. Não aumenta suas qualidades, mas se valoriza, absolutamente consciente do que merece aplausos, vaias e reformas. Ao amar, evita derribar ou sobrelevar o conceito que tem do outro, e assim aprende a não humilhá-lo ou subestimá-lo e, do mesmo modo, não o endeusa nem o coloca em patamar muito além da realidade humana. </p>
<p>Amando-se, em todos os aspectos, não se deixa vencer pelo desânimo quando não realiza todas as suas expectativas, dá-se uma nova chance e tem confiança de que será mais bem sucedido na próxima vez. Não acumula culpas pelo que não depende de seu esforço, festeja as vitórias e quando se priva de alguém, que se evade ou morre, não enterra com as lembranças a possibilidade de amar de novo, apesar do risco de perdas e desilusões. Conhece profundamente os seus dons e reconhece sinceramente suas limitações e seus impedimentos. Não se considera fracassado quando os planos tomam rumo inesperado. Mantém o entusiasmo na busca do seu querer e se empenha no auto-aprimoramento para favorecer o que alguns chamam de destino e que, em grande parte, são escolhas. Aceita o outro sem tentar fazer dele nova pessoa e, em vez de corrigi-lo, usa a energia de mudança para se aperfeiçoar, enfrentando rupturas, se for o caso, para não ser vítima de desgaste e sofrimento.<br />
Porque se ama, está bem em sua pele, gosta do que vê no espelho e tem alguma complacência com o que não é exatamente uma perfeição em sua figura. Compensa com estilo, e se admira, se encanta e se elogia, ainda que ninguém concorde. Não precisa, pois é emocionalmente independente. Ao amar outrem tem dele uma visão equilibrada e um retrato de seu exato tamanho, nem menor nem maior do que ele é. Não fantasia demais, e as ilusões, ainda que as tenha, não impedem de enxergar com inteireza as fraquezas suas e alheias, então, aprende a relevar, a compreender e a perdoar, e os erros não são marcas de ferro e fogo, mas vistos como lições que burilam as atitudes.</p>
<p>Com amor por si mesmo, dá de ombros para o pessimismo, não incentiva pensamentos derrotistas, não flagela a autoestima, não cultiva mágoas nem rancores e não estimula a piedade em causa própria. É benevolente e carinhoso, isto sim, e se põe no colo se achar que é fundamental para a retomada do ânimo. Não espera que o façam, sabe reconstituir suas forças de per si e, embora dê boas-vindas a qualquer ajuda para enxugar lágrimas e se reerguer, encontra coragem para recomeçar mais uma vez.</p>
<p>Por se amar, quando ama outra pessoa não se torna acessório dela, e não é metade da laranja, pedaço, parte de quem quer que seja, mas um ser inteiro, completo, pleno. Não está cimentado em certezas, é aberto ao diálogo e tem boas conversas no silêncio do coração e na paz da mente. Não teme ouvir os sentimentos e insiste em curá-los, é amigo generoso até de suas dúvidas, angústias e aflições de toda ordem, e as vence sem dilapidar o patrimônio interior que reflete sua luz individual e brilha ainda mais quando a compartilha. Ama com entrega e sem se perder, se dá sem abandonar o que é e tem, e anda com a pessoa amada lado a lado, nem adiante nem atrás. O amor, que se permite, acredita que merece e aposta nele para ampliar a felicidade de que já desfruta, é complemento, acréscimo, não a realização. Quase se basta, e embora não tenha com quem comemorar o Dia dos Namorados, é feito, também, para ser amado. Mesmo sozinho, está em excelente companhia, pois se ama e revogadas estão todas as disposições em contrário.</p>
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		<title>Prece ao coração da Mãe</title>
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		<pubDate>Sun, 31 May 2009 23:52:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vera Pinheiro
Poderosa Grande Mãe, de todo amor e de toda bondade, eu te saúdo e te reverencio. Aos teus pés coloco meu coração e peço o teu amparo e a tua proteção. Unge a minha existência com o teu espírito e me transforma em um ser à tua imagem e semelhança.
Abre meus olhos e me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong></p>
<p>Poderosa Grande Mãe, de todo amor e de toda bondade, eu te saúdo e te reverencio. Aos teus pés coloco meu coração e peço o teu amparo e a tua proteção. Unge a minha existência com o teu espírito e me transforma em um ser à tua imagem e semelhança.</p>
<p>Abre meus olhos e me faz vislumbrar a vida sem temores e ansiedades, e amplia a minha visão para que o horizonte das soluções de que preciso seja percebido com brevidade e adequado ao tamanho das tribulações. Aguça meus ouvidos para que não se confunda o meu entendimento e não se turve a minha compreensão. Cala minha boca diante dos impulsos de proferir palavras que ferem ou magoam, e que tudo o que eu disser seja para construir, socorrer e refletir a tua gentileza.</p>
<p>Estende meus braços na direção de cada ser vivo da tua natureza para eu acolher todos e nunca me negar ao préstimo generoso que ensinaste com o teu exemplo. Coloca a tua ternura em minhas mãos, e que elas sirvam para abençoar, plantar, nutrir, afagar e trabalhar segundo a tua vontade. Conduz minhas pernas e meus pés rumo ao destino do bem, da solidariedade, da misericórdia e da compaixão comigo e com os que estão em meu entorno no universo. Dirige meus passos e me mantém em segurança. Desvia-me das ilusões e das vaidades que possam me afastar do teu caminho sagrado.</p>
<p>Resguarda-me pela frente e pelas costas, pela esquerda e pela direita, acima e abaixo de mim, e livra-me das ameaças, riscos e perigos, e, ainda, das tentações. Põe a tua luz sobre a minha cabeça e ilumina meus pensamentos, e que nenhuma sombra de medo me torne esquiva da perseverança, do otimismo e da confiança.</p>
<p>Lava meu coração das tristezas que ele conheceu, das amarguras que acumulou, dos ressentimentos que guardou, e purifica-o com o perdão e o esquecimento. Acalma as minhas angústias e devolve-me a serenidade, o equilíbrio e a ponderação para eu transpor as dificuldades sem me perder nas sendas dos tormentos humanos. Aumenta a minha fé para eu reconhecer e acatar os teus transcendentes desígnios e para aceitar com resignação as lições que me entregas por meio da dor. Transmuta o meu sofrimento em aprendizado e eleva a minha paciência diante dos infortúnios para que a gratidão seja maior do que os lamentos de minha alma.</p>
<p>Orienta meu espírito na claridade do dia e na escuridão da noite, e sussurra em minha intuição o que devo fazer, desde o meu acordar até que eu adormeça no agasalho de teu ventre. Doutrina-me na humildade e no respeito, molda-me na tua devoção e funde-me em tua índole sublime. Sustenta-me em teu colo quando eu andar sozinha e carrega-me pela mão, de volta, se eu me afastar de ti e do que seja benéfico a mim e, também, aos outros. Liberta-me das opressões que abalam a minha tranquilidade e dos problemas que não sei resolver sem o teu auxílio, e inspira os meus gestos, decisões e comportamento. Renova a minha esperança, anima a minha vontade e fortalece a minha coragem para eu não desistir enquanto não se esgotar o manancial de forças que vêm de ti.</p>
<p>Corrige as minhas imperfeições e cura-me dos erros que pratiquei para que a paz ocupe o lugar do arrependimento. Aperfeiçoa a obra incompleta que sou, desenvolve as minhas aptidões, melhora as virtudes que tenho e me instrui a repreender os meus defeitos. Fortifica a saúde do meu corpo físico, abastece-me de harmonia espiritual, estabilidade emocional, capacidade mental e de bons fluidos energéticos. Derrama as tuas bênçãos sobre o meu lar, sobre a minha família, sobre a irmandade universal, e que a chama do teu imenso amor se mantenha flamejante, espargindo o teu fulgor sobre todas as vidas e em todos os lugares.</p>
<p>Mãe e Senhora! Tu és o meu escudo e a minha guia, quem rege a minha jornada e me defende. Toma a minha vida em tua amorosa graça, onde eu estiver e em tudo o que fizer. Sê tu em mim a cada momento, e me dá permissão para ser uma ínfima demonstração da tua sagrada presença Eu Sou. Revela-te em mim para que eu seja, ao menos, uma centelha do teu divino amor, uma migalha da tua infinita sabedoria, uma faísca da tua magnífica e purificadora luz. Eu me consagro a ti e te ofereço tudo o que sou, tudo o que tenho, tudo o que faço e tudo o que construímos juntas. Que seja assim, agora e sempre!</p>
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		<title>Depressão</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 13:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vera Pinheiro
Depressão não escolhe sexo nem idade. É um mal que ataca qualquer um e, muitas vezes, seus sintomas são confundidos com tristeza ou humor debilitado. O estado depressivo impede que nos vejamos com inteireza. Faz com que tenhamos foco apenas nas sombras, na falta de objetivo e na ausência de perspectivas. O pessimismo invade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vera Pinheiro</p>
<p>Depressão não escolhe sexo nem idade. É um mal que ataca qualquer um e, muitas vezes, seus sintomas são confundidos com tristeza ou humor debilitado. O estado depressivo impede que nos vejamos com inteireza. Faz com que tenhamos foco apenas nas sombras, na falta de objetivo e na ausência de perspectivas. O pessimismo invade e arrebata, e simplesmente não conseguimos vislumbrar o que há de bom em torno nem reconhecer o lado feliz da vida.</p>
<p>Se nos chamam para sair, recusamos. Se saímos, acabamos aborrecidos. Se pensamos em procurar alguém, logo recuamos. Vemo-nos como pessoas desajeitadas e nos envolvemos numa angústia de estar no próprio corpo. Julgamo-nos indignos do amor e incapazes de despertar sentimentos agradáveis nos outros. Então, nos recolhemos em uma toca emocional, contabilizando amarguras e pensando no que perdemos, no que podíamos ter sido, no que deixamos de ter. Desaparece a noção de nós mesmos e não sabemos mais qual é o nosso caminho. Nada nos atrai o bastante para nos tirar desse torpor.</p>
<p>Há, na depressão, o componente somático, por isso é importante um tratamento médico: para cuidar do lado físico da dor. Em paralelo, é necessário reaver a disposição de viver, e esse é um trabalho individual combinado com ajuda especializada, que visa a acabar o ciclo repetido de sofrimento.</p>
<p>Quando sentimos desconforto em relação a uma dor, ela está começando a terminar, e os sinais de que empreendemos retorno ao bem-estar é nos incomodarmos com sucessivos lamentos sem solução e a identificação de cansaço por estarmos com a cabeça entre as pernas, debatendo-nos em lágrimas e queixas. Chega, então, o dia em que a luz se faz! É quando descobrimos que o conforto da toca não resolve a situação; quando compreendemos que se não dermos um grito de liberdade da dor, ela não vai passar; quando percebemos que se nos mantivermos recolhidos na amargura, ela nunca vai acabar, e que precisamos, enfim, começar a viver de novo. </p>
<p>O período de acolhimento, que é natural, não deve ser prolongado demais, e, antecedendo o momento da ruptura do estado doloroso, a confiança de que somos capazes de nos superar e de que temos muito mais coragem do que podíamos supor. Ao romper a letargia, abrimos a janela e olhamos para fora sem medo do convívio com os outros.</p>
<p>Nada acontece de repente, devemos respeitar o ritmo de nossa recuperação. Seria como se espreguiçar pela manhã. Não pulamos da cama; antes, abrimos os olhos. Os pés saem primeiro, depois nos sentamos e a seguir nos levantamos. Assim é a saída da depressão, que não é linear, como não o é o ato de ficar em pé depois de um longo sono. Os “cinco minutinhos a mais” que nos concedemos ao acordar equivalem às idas e vindas que fazem parte da tentativa de sair do fundo da depressão. </p>
<p>Nada vai se transformar num segundo. O desenrolar desse processo requer tempo e persistência, e demora reconstituir todos os interesses. Essa construção deve ser erigida sobre bases sólidas para não haver recaídas. Não será de imediato que os amigos voltarão, que as atividades serão retomadas, que outro amor vai surgir. Mas as portas estão abertas e a vontade proporcionará encontros com novas possibilidades. Depois desse aprendizado, feito dia após dia, ao olharmos um dia nublado não diremos: “que pena não ter sol”, mas, sim, “que lindas nuvens enfeitam o céu”. Afinal, muda o nosso olhar sobre os acontecimentos e vislumbramos não apenas infortúnios, mas também a alegria e a gratidão de estar aqui e agora, sem amarras ao que passou e sem nos pendurarmos no que ainda não veio ou não aconteceu. </p>
<p>Sei que é difícil (mas não impossível!) sobreviver a perdas e sei, também, que é prazeroso buscar (e encontrar) alternativas de felicidade. Residem em nosso peito forças que podemos acionar, coragem que devemos recobrar, ânimo para recomeçar. Tendo amor por nós mesmos, não deixamos que os problemas nos impeçam de viver. Colocamo-nos como meta prioritária, nos erguemos com firmeza e rejeitamos a desconfiança de que não somos capazes de nos refazer. Vencer a depressão é voltar a agir, recomeçar, se reencontrar e fazer um esforço bem-sucedido a favor da própria felicidade.</p>
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		<title>Gestos de amor</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 14:37:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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Quando se fala em gestos de amor, na imaginação de alguns aparecem demonstrações grandiosas postas diante dos olhos do mundo para que todos vejam. No entanto, o amor não necessita ser acompanhado de um tom exagerado e, sim, de espontaneidade. O amor é tão generosamente simples que não precisa de manifestações estupendas para se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong></p>
<p>Quando se fala em gestos de amor, na imaginação de alguns aparecem demonstrações grandiosas postas diante dos olhos do mundo para que todos vejam. No entanto, o amor não necessita ser acompanhado de um tom exagerado e, sim, de espontaneidade. O amor é tão generosamente simples que não precisa de manifestações estupendas para se revelar.</p>
<p>Muitas mulheres, em algum momento de suas vidas, sonharam com um homem aos pés, fazendo juras de amor eterno, coberta de mimos, ao que se pergunta: para que tanto? A um homem que diz “te amo” não há que se impor mandar dúzias de rosas à mulher amada a cada aniversário ou data especial de sua história. Basta uma flor retirada de um jardim com a impetuosidade dos enamorados, um olhar nitidamente sincero e a cumplicidade dos amantes, que aplaina questionamentos e afasta a angústia sobre a reciprocidade do sentimento.<br />
A uma mulher que deseja mostrar o quanto ama não se exige devoção extrema ao seu amado nem ofuscar a si mesma pelo outro. São suficientes os gestos do cotidiano repetidos com ternura, exalando delicadeza em cada instante: um beijo de reencontro, um abraço estimulante, uma receita caprichada para o manjar a dois. E ao par, nenhuma prova de fidelidade, apenas a certeza de que ambos são leais ao amor.</p>
<p>Dos filhos não se cobrem expressões incontestes e frequentes do que sentem pelos pais. A confiança dá firmeza à relação, garantindo que podem uns contar com os outros e que não haverá desamparo na tristeza nem ausência na alegria. Filhos e pais sobrevivem aos solavancos e às rusgas porque aprenderam a superar os desafios do crescimento e a curar as feridas com o perdão mútuo. O carinho a permear as atitudes corriqueiras deve ser fluido e permanente.<br />
	Amigos são mananciais de amor, mas não requeiram deles abrir espaço demasiado em sua intimidade para oferecer abrigo a todas as pessoas de seu convívio. Já é bastante que estejam em nossas vidas e que estendam a mão a um apelo mais urgente. Amizade duradoura tem sinceridade e dispensa intromissão que sufoca. Um telefonema de vez em quando, um recado por e-mail, um cartão no aniversário, pequenas gentilezas fazem muito pelo relacionamento, mais do que não sair da vida de alguém sequer para que ele aprenda o que é independência. E são tão bons os amigos ao alcance de um afago, de uma palavra ou de uma ajuda na hora “H” de um dia “D”, e é muito afetuoso o acolhimento em meio a desabafos, assim como brindes com risadas fartas.</p>
<p>Não carece que companheiros de trabalho convivam como amigos de infância. Respeito é consideração que não se dispensa e, na maioria das vezes, é o que melhor define um bom ambiente profissional. Não precisa transformar a organização em que atua numa espécie de segundo lar, mas, sim, não tratar os colegas como inimigos ou concorrentes dispostos a lhe tirar o chão. Uma conversa animadora faz milagres pela estima que gostaríamos de ter. Prestar auxílio sem expectativa de recompensa ou elogio, compreender os limites alheios e aceitar o modo de ser dos outros são confirmações de humanidade.</p>
<p>Esperar que o amor se revele com grandiloqüência, ostentação e aparatos de produção cinematográfica pode levar à enorme frustração e, pior, dificulta perceber o que as pessoas fazem de bonito, embora com singeleza, para festejar a nossa presença. Por isso, deixamos de agradecer a quem se levanta para nos trazer um copo d´água quando estamos com sede e preguiça, desliga a tevê e apaga a luz quando cochilamos, faz a sobremesa que adoramos, puxa as cortinas para um sono reparador, caminha sem fazer barulho para não nos acordar, faz um café do jeito que gostamos, abre uma brecha na agenda para nos ver no meio da semana, compra alguma coisa que é “a nossa cara”, traz um lanchinho quando viramos a madrugada trabalhando, confidencia um segredo ou conta novidade em primeira mão, chama para sair num sábado em que estamos sozinhos, encontra uma informação útil para nós e liga num dia qualquer só para dizer que não nos esqueceu. Gestos de amor são miudinhos. O que é grande mesmo é o amor e a sua essência. </p>
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		<title>A minha primeira vez</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 04:40:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vera Pinheiro
Depois do meio-dia, estava desassossegada à espera daquela que seria a minha primeira vez num consultório de geriatria. Repassava na memória a primeira vez de tudo em minha vida e me tomava de ansiedade, antevendo as respostas que teria de dar ao médico sobre a minha intimidade. Haveria de rever hábitos e discorrer sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong></p>
<p>Depois do meio-dia, estava desassossegada à espera daquela que seria a minha primeira vez num consultório de geriatria. Repassava na memória a primeira vez de tudo em minha vida e me tomava de ansiedade, antevendo as respostas que teria de dar ao médico sobre a minha intimidade. Haveria de rever hábitos e discorrer sobre costumes, o que faço e o que deixo de fazer pela minha saúde. A “mea culpa” começava a mostrar sinais de sua presença: eu deveria ter feito isso há pelo menos duas décadas! E reconhecia que o corpo precisa ganhar atenção para acompanhar o ritmo do espírito.<br />
Cheguei um pouco adiantada, o que não é exatamente do meu feitio. Pressionada entre uma e outra atividade, chego sempre em cima da hora, quando não, atrasada. Menos dessa vez! Tinha uma sofreguidão para resolver as minhas dúvidas, embora soubesse que estava apenas começando a puxar o fio da meada de um novo momento, o do ingresso na terceira idade, finalmente assumida, sem, todavia, direito a privilégios como fila preferencial e vagas para idosos, por enquanto.</p>
<p>Forneci meus dados para preenchimento da ficha de cliente, paguei a consulta e sentei perto de uma pilha de revistas, que apenas folheei. O pensamento se mantinha fixo no que estava fazendo ali e sequer as tulipas dos quadros da parede conseguiam me distrair. Eu olhava para o mais profundo de mim, questionando o de que meu corpo precisaria na idade em que me encontro.</p>
<p>Uma paciente com o sugestivo nome de Vitória, 86 anos, aguardava atendimento. Meu olhar passeou sobre ela, que lembrava bastante a minha mãe. Não aparentava a idade, senão pelos olhos. O olhar das pessoas conta mais do que o resto da aparência. O batom vermelho se destacava no rosto sem muitas rugas e as mãos estavam cobertas de anéis de todos os tamanhos. Duas pulseiras e um cordão dourado no pescoço faziam contraste com a roupa em variações de cinza e preto, as mesmas cores que eu usava. Só me faltavam, dela, o chapéu com detalhe imitando pele de onça e os sapatinhos de prateado fulgurante, que completavam o traje da senhora.</p>
<p>Bem antes dos 86 é provável que eu me encoraje a chapéu de oncinha e sapatos prateados em plena luz das tardes, e ninguém terá nada a ver com isso! Perto dos 80, talvez menos, vestirei roupas hoje guardadas no fundo do armário, esperando uma ocasião especial que nunca chega, e sairei à rua com a boca emoldurada em batom vermelho, que ainda não uso. Até lá estarei acostumada a consultórios de geriatria e não me causará estranheza a receita com o timbre de “Clínica Geriátrica”, que apresentei à farmácia com meio sorriso, diante da pergunta da balconista: “Se sua mãe toma regularmente esse remédio, a senhora não quer levar mais uma caixa?”. É para mim, respondi, e nada mais a moça disse.<br />
Não faz muito que eu portava prescrições médicas advindas de clínicas de estética, mas o tempo, agora, é outro. Não bastam os cuidados com a beleza, é preciso ter saúde! Devo cuidar do corpo, pois a vida espiritual&#8230; ah, ela anda bem tratada! Eu assumo que estou ficando idosa! E vou fazer de tudo para descobrir por que, afinal, dizem ser esta a “melhor idade”.</p>
<p>Daqui para frente não haverão de amedrontar os entalhes no meu rosto, os cabelos brancos que iluminam a cabeça e as curvas transformadas em horizonte plano. A pele não terá o mesmo viço, o fôlego não será o de antigamente, as vontades tomarão eixos diferentes dos atuais, então deixarei de fazer algumas coisas para me divertir com outras, domarei o meu tempo a favor do meu prazer, olharei o passado como a um filme inesquecível e o futuro será uma surpresa, mais que um desafio. Não sentirei disposição para me aborrecer com miudezas e só me ocuparei daquilo que seja leve, recompensador e bom! É possível que tenha mais amigos do que amores, e os da família continuarão em prioridade, mas sem tantas exigências. Não contarei as perdas nem as desilusões, e terei uma única expectativa: a de ser feliz e saudável para desfrutar os meus dias com a graça de uma debutante a inaugurar sua entrada triunfal em uma nova fase! A melhor de todas, quem sabe&#8230;</p>
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		<title>Vendedoras</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 04:55:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mal a gente bota o bico do sapato dentro da loja e a vendedora aparece: “Posso ajudar?!”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong></p>
<p>Mal a gente bota o bico do sapato dentro da loja e a vendedora aparece: “Posso ajudar?!”. Solícita e formatada para esse tipo de abordagem, antes de conseguirmos balbuciar um “não, obrigada, estou só olhando” ela nos persegue e interfere a cada mínima demonstração de interesse por qualquer mercadoria. Sentimos um anseio figadal de pedir licença, mas ela insiste em nos fazer a corte! Algumas, por exagerarem na gentileza, apressam o nosso passo rumo à porta, sem nada em mão. </p>
<p>Compras que podiam ser prazerosas viram um martírio com uma vendedora ansiosa agarrada ao nosso pescoço. Mas não são essas as que me estressam e, sim, as que mentem descaradamente. “A senhora está linda!”. Três números a menos, a roupa me faz parecer cobra que engoliu um sapo, mas ela nega que estou horrorosa, como, aliás, estou vendo diante do espelho do provador, um cubículo com aquela luz que não ilude o assombro, a menos que se contradiga (com ilibadas provas) a realidade. A sensação, que não me escapa, considera de duas, uma: ou estou com a autoestima muito baixa ou ela é míope. Se ela enxerga tudo direitinho e, apesar disso, professa um elogio que, a olhos vistos, não mereço, então está mentindo na esperança de que eu leve qualquer coisa e deixe a comissão a que tem direito. Desconfio do produto a partir de quem o vende.</p>
<p>Outro tipo que está no caminho do consumo é a vendedora que não levanta os olhos do nada que está fazendo e simplesmente ignora a presença do cliente. A um pedido de informação ela aponta com o dedo e diz “está lá”, o que leva à desistência da procura, sem mais demora. Por onde entrou, o cliente sai e, dali, direto para o bom atendimento que encontra na concorrência.</p>
<p>E o que dizer da que incorpora a sofisticação do lugar em que trabalha e olha os outros com desprezo? Se indagarmos um preço, estando modestamente apresentadas, ela não responde, mas comenta: “É muito caro.”. Para quem? A rigor, somente pela aparência ninguém pode saber quantos dígitos tem a conta bancária do outro, e chega a ser divertido fingir condição de minguado para descobrir onde o tratamento não é discriminatório. É de fugir, e correndo, das que – sem disfarçar – olham a gente de cima a baixo, como se desejassem saber o que alguém “assim” estaria fazendo ali. Essas conseguem expulsar um potencial comprador com um olhar de “sai daqui”. E as sem noção, que insistem que um valor exorbitante é baratinho? </p>
<p>Há, também, as ofendidas: pedimos um desconto e elas fecham o tempo! Trazem uma conversa de “política da empresa”, que não nos interessa, para se negarem a uma negociação que poderia render um retorno em breve. Um centavinho? Nada! A casa ao lado pode ser mais flexível com a clientela e talvez não desdenhe quem não está bem arrumado e quem, previamente, diz o limite a gastar, nem um tostão a mais, sem ter como resposta uma cara de piedade ou, pior, enorme má vontade.</p>
<p>Difícil é nos desvencilharmos da que, mediante esforços vãos, quer empurrar mais do que desejamos e podemos. “Vou levar apenas isso” é uma espécie de senha para a vendedora enfatizar o discurso do “leva mais um”. Ela garante que não podemos perder o desconto, tampouco as prestações que se arrastarão pelo ano todo. Mas essa incomoda menos do que aquela que oferece coisas nada a ver conosco, jurando que vamos nos arrepender pelo resto da vida se recusarmos.</p>
<p>Evito perguntar o que significa, exatamente, um produto que é “a minha cara” e, não sendo consumista compulsiva, sei o de que preciso, assim como o que fica ótimo em mim. De todo modo, adoro vendedoras que facilitam em vez de complicar, que opinam quando solicitadas a acabar com as dúvidas, as que vendem boa imagem da empresa e certeza de qualidade, as que dispensam tanto a arrogância quanto a polidez que não convence, as que não nos veem como uma ponte para bater suas metas. E, sobretudo, as que nos ajudam a fazer boas compras com o dinheiro que não queremos desperdiçar, as que sorriem com sinceridade e as que realmente não se importam de baixar prateleiras para vender só uma pecinha. São as que fazem a maioria voltar, gastar de novo, muito mais e sempre!</p>
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		<title>O olhar masculino</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Feb 2009 04:56:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma colega me lembrou desse provérbio quando elogiei a blusa que vestia. Ela estava especialmente elegante e usava um lindo par de brincos novos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong></p>
<p>“Quem não se enfeita, por si se enjeita”. Uma colega me lembrou desse provérbio quando elogiei a blusa que vestia. Ela estava especialmente elegante e usava um lindo par de brincos novos. Mulher tem olhos para ver tudo, não? Homens não reparam, mas nós – ah, nós vemos se a outra tirou meio centímetro do cabelo, se pintou as unhas dos pés há mais de uma semana, se mudou de louro cinza claro para louro cinza claro natural, o que faz muita diferença e só eles não percebem.</p>
<p>“Pintei os cabelos, viste?”. “Não. É mesmo?”. A essa altura, se não cultivássemos o verbo relevar, já teríamos metido um soco no meio da testa dele para que, da próxima, ele enxergue melhor. Porém, avessas à violência, não chegamos a esse extremo e tentamos compreender a espécie masculina, em tudo diferente do que somos e tão inquietante quanto encantadora. É o que nos faz ter paciência com deslizes como o de não atentar para a mudança de coloração de nossas madeixas. Com o tempo e a convivência aprendemos que preto, louro e ruivo são o máximo que ele consegue discernir dentre as inúmeras tonalidades de cabelo, e contentamo-nos com os elogios espontâneos das amigas e do(a) cabeleireiro(a).</p>
<p>Não é que os homens não queiram elogiar, eles simplesmente não ligam, não firmam o olho para detalhes (importantíssimos!) como esses. Mas botem a cara deles numa caixa de ferramentas ou sob a tampa erguida de um carro! Eles veem o parafuso que nem com uma lupa enxergamos, assim como sabem a utilidade e o tamanho de cada chave em milímetros sem olhar o número, tanto menos o manual de instrução. Ao contrário de muitas de nós, eles não precisam de manuais. </p>
<p>Reconheçamos: as mulheres entram em brigas inúteis com os homens pelo que não vão conseguir modificar neles. Por exemplo, competir com carro, que enche os olhos masculinos de uma emoção maior do que a que experimentam quando estamos “vestidas para matar”, nuas em pelo ou fantasiadas para despertar o fetiche mais oculto dele. Se ele estiver cuidando do carrinho, esquece! Melhor fazer outra coisa, porque ele está em êxtase e praticando uma espécie de poder sobre a máquina, o que não experimenta com as mulheres há tempos, independentes que nos tornamos. </p>
<p>Para mim só há dois tipos de carro, os grandes e os pequenos, embora saiba o que são caminhões, ônibus, avião, moto e bicicleta. O significado de cada um se restringe ao seu préstimo, por isso me comove a paixão que os homens sentem por veículos em geral. “Por que eles acariciam tanto o carro?!”. Essa pergunta tem como resposta não mais do que uma frase lacônica: “Carro é&#8230; um carro, ora!”. Não se pode decifrar o inexplicável que só um homem entende.</p>
<p>Por mais alto que seja o berro, não adianta pedir que volte os olhos quando apelamos por atenção inadiável. É sabido que homem nenhum presta atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Se estiver ao telefone, é debalde qualquer tentativa de diálogo, pois nada será registrado na seletiva mente masculina. Lendo, vendo o time na tevê ou diante do computador ele se abstrai totalmente. Mas não é por mal, apenas é diverso de nós, que podemos revisar um relatório circunstanciado, mantendo o fio do celular numa orelha e o aparelho do telefone fixo no ombro, o olho esquerdo no noticiário e o direito no filho, enquanto cozinhamos, planejando a saída de amanhã. Aliás, é de efeito nulo entregar a agenda toda: “Vamos aqui, ali, lá e acolá.”. Ao fecharmos a boca, ele vai perguntar: “Aonde vamos mesmo?”. Pensa num botão de liga/desliga e começa a conversa de novo, do ponto em que ele parou de ouvir.</p>
<p>Fora isso, debates incansáveis sobre a relação entediam, exigências demasiadas cansam, perseguição enjoa&#8230; e homens que reagem de um jeito inesperado surpreendem. Então, quando eles atormentam os ouvidos femininos com discussões do relacionamento, ceninhas de ciúmes e cobranças sem fim, as mulheres, que evoluíram no aprendizado das emoções, perguntam: “Que conversa é essa agora?!”. Sem ouvir palavra da resposta, elas continuam o que estão fazendo, ignoram o assunto e comentam somente a última frase, sem entender do que eles reclamam quando se invertem as posturas e o olhar distraído deles está estampado num rosto de mulher.</p>
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		<title>A necessidade e o desperdício</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/21/a-necessidade-e-o-desperdicio/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 05:22:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Afinal, a prevenção é um bom remédio, inclusive para males financeiros
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong></p>
<p>Crise é a palavra da hora! Economia, a palavra de ordem! Olho para um lado e para o outro e me preocupa apenas viver, porque não há mais buraco no cinto, logo, não posso apertar ainda mais a economia que já faço em tudo. Portanto, com crise ou sem crise, vou continuar os meus hábitos de comer três vezes ao dia, vestir o suficiente para não andar desnuda e não consumir além do que preciso. Para mim, então, a crise econômica, que alguns negam e outros maximizam, não altera o jeito simples de viver que aprendi numa época de prosperidade e abundância, não em tempos de dificuldade. </p>
<p>Muitos se apavoram com a crise e não lhes tiro a razão, mas acredito que não é durante e, sim, antes dela que devemos reformular nossa postura, evitar desperdícios e fazer uso equilibrado do que temos. Afinal, a prevenção é um bom remédio, inclusive para males financeiros. </p>
<p>Há os que não se preocupam com o dia de amanhã: gastam mais do que ganham, não guardam uma reserva para o futuro e criam necessidade de consumismo em vez de poupar. Para esses, economizar é o mesmo que passar atestado de pobreza, que a vaidade não permite. Envergonham-se quando não podem ostentar um padrão de vida similar a dos abastados, que queriam ser, mas não são. Mentem para si mesmos uma situação que não existe, a de ter fortuna, não tendo. Inventam status que não usufruem para não se sentirem menos do que os outros. E vivem contando moedas, enquanto as contas a pagar se amontoam em pilhas.</p>
<p>Há quem se cerque de bens somente para preencher espaços, mas sua alma está vazia e nada lhe basta. Fazem compras para minorar carências que não foram resolvidas e, assim, tentam acalmar o desassossego íntimo. E há os que se sabotam permanentemente, contraindo dívidas sempre que alcançam um patamar que seria de tranquilidade não fosse a sensação de que, no fundo, não merecem o que conquistaram, o que os faz voltar a ter problemas com dinheiro. </p>
<p>Podemos viver, perfeitamente, sem esbanjamento. Isso não importa renunciar ao prazer de uma boa compra, mas identificar o que é realmente essencial e nos contenta. Não implica viver longe do consumo, fugir das vitrinas, fechar olhos e ouvidos à publicidade, mas ser seletivo e criterioso, o que ajuda o mercado a oferecer produtos de qualidade cada vez melhor. Não impõe cobrir-se de andrajos, mas dar um novo significado à maneira de vestir-se, e sabemos que, muitas vezes, a quantidade de roupas no armário impede de encontrar o que seja adequado, fazendo retumbar a frase “Não tenho nada que me sirva!”. Não é privar-se de conforto, mas avaliar as mercadorias, comparar preços, pechinchar (por que não?) e tomar interesse por números, juros, taxas e impostos do que adquire, priorizando pagamento com um bom desconto em vez de um crediário a perder de vista, que pode redobrar o custo final e não valer a pena. </p>
<p>Mas não é o bastante, é preciso acabar com o desperdício! Não jogar comida fora, por exemplo.<br />
A cozinha, aliás, com bom aproveitamento, é um centro de prosperidade. Fechar torneiras e encurtar o banho, a menos que há anos não visite um chuveiro. Pedir e dar carona, adotar o revezamento solidário para economizar combustível. Programar os trajetos para não rodar quilômetros em excesso. Preservar, reciclar e assumir um comportamento de respeito à natureza, o máximo possível. “Mas e os outros, o que estão fazendo?!”. Não pensa nisso, faz a tua parte, consciente de que tudo está entrelaçado no mundo em que vivemos e que nossas atitudes repercutem no que é alheio e de todos. </p>
<p>Entre o avarento e o econômico há uma enorme diferença! O primeiro se apega demasiadamente ao dinheiro, o segundo usa-o com parcimônia e inteligência. Na bonança aprendemos a nos proteger das tempestades e nos tempos de riqueza administramos os bens para que a miséria não nos alcance. O primeiro passo é discernir o que é necessidade (para supri-la) e o que representa desperdício (para evitá-lo).</p>
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		<title>O voo do pássaro</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/13/o-voo-do-passaro/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 01:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Contrariando a suspeita de mau tempo duradouro, a lua se exibiu inteiramente bela no céu sem qualquer nuvem]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong><br />
<a href="mailto:verapinheiro@verapinheiro.net">verapinheiro@verapinheiro.net</a></p>
<p>Em certo dia do início do ano e no fim das minhas férias, choveu muito e a noite chegou cedo. Mais tarde, contrariando a suspeita de mau tempo duradouro, a lua se exibiu inteiramente bela no céu sem qualquer nuvem. Eu a contemplei como sendo uma homenagem aos olhos e um afago de luz ao coração e, então, pensei: quantos ainda olham o céu e se extasiam com o que veem? Quantos se extasiam ainda? Quantos ainda veem? Prisioneiras de suas angústias e sufocadas por pensamentos limitantes, hábitos caducos e conceitos de que não se desvencilham, as pessoas estão cada vez mais voltadas para si mesmas e perdem o espetáculo que a vida traz por meio das manifestações da natureza.</p>
<p>Durante a chuva intensa, demorei-me na janela a olhar um pássaro que tentava voar, embora tivesse as asas molhadas. Não sabia se ele estava bem ou se precisava de abrigo. Pensei em trazê-lo para dentro de casa, mas esperei ver se conseguiria voar sozinho. Acompanhei o seu esforço em não ficar paralisado, antes de tomar o rumo que me fez desistir do intento de ampará-lo.</p>
<p>Ele se equilibrava sobre o muro e pensei que pudesse estar doente. Porém, me surpreendeu ao sacudir rapidamente as asas frágeis para retirar a água de seu corpo delicado. Depois, voou para a copa de uma árvore, onde se encontraria mais seguro, e ali ficou até que a chuva serenasse.</p>
<p>Eu me revirava à procura de respostas para dúvidas acerca de um momento e o pequenino pássaro trouxe-me uma lição: quando a tempestade forte encharca os nossos sonhos, temos de nos permitir um tempo de análise até decidir o que fazer e para onde ir. Se ficarmos parados, inertes e sem coragem, a tendência será sucumbir à chuva implacável dos descontentamentos.</p>
<p>Ao nos sentirmos em estado de fragilidade, o vigor interno que nos abastece e anima deve ser reativado. Precisamos sacudir as asas, recuperar a vontade e voar na direção do que queremos! É de bom senso esperar que o temporal passe (e sempre passa), colocando-nos em posição que garanta sobreviver aos torvelinhos e que, também, nos fortaleça para voos lindos e sem amarras.</p>
<p>Somos pássaros humanos em busca do que almejamos. Não deixemos que nossas asas se percam, atrofiem ou pesem sobre nós, pois isso nos incapacita a voar. Nada detém o voo de quem sabe que, sacudindo o que atrapalha as situações, tudo fica mais fácil e leve como deveríamos ser, livres para viver a plenitude que está ao nosso alcance, perto, no sonho que ansiamos por realizar.</p>
<p>O pássaro visitou a paisagem da janela e deu uma saudação à vida, mostrando que não importam quantas dificuldades atravessamos, mas o que aprendemos; que os problemas são mitigados se a fé não se esgota diante deles, que o futuro se apresenta como chance de felicidade não obstante a tristeza que abala o presente.</p>
<p>A confiança no que somos abre perspectivas de concretizar amanhã o que hoje não podemos. Nas circunstâncias que parecem derrubar o nosso espírito, olhemos em volta para descobrir um refúgio, mas a duração da permanência nele é o da cura das dores, mágoas, decepções, não a eternidade em que nos resguardamos, adiando o que é necessário ser feito por medo de enfrentar o novo, o vir a ser das novas experiências.</p>
<p>A vida não merece converter-se numa toca em que se enfiam ilusões sem resolvê-las. Até pode ser confortável esconder-se do mundo, mas isso não impede que ele gire, e o que nos transforma, malgrado fustigue a alma, serve ao nosso crescimento. </p>
<p>Entre um voo e outro, havemos de dar recesso às asas do querer, um merecido período de descanso, um mergulho de introspecção para avaliar as metas, repouso à mente para amplificar o entendimento e, assim, redefinirmos caminhos a seguir e quais escolhas fazer dali em diante. Voar em torno do sofrimento sem vislumbrar o horizonte é impedir que alcancemos o que está a nossa espera. Voemos, pois, deixando que os outros voem em paz, mesmo que não sigamos juntos. </p>
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		<title>O valor do silêncio</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/06/o-valor-do-silencio/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 18:18:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Vera Pinheiro
verapinheiro@verapinheiro.net
Nunca tiveste a sensação de que teu idioma nativo é javanês ou tadjique, porque a outra pessoa não entende absolutamente qualquer palavra do que dizes? Que és um desconhecido entre os que te cercam? Um extraterreno perdido num mundo que não te reconhece? E que, por mais que te expliques, não és compreendido? É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong><br />
<a href="mailto:verapinheiro@verapinheiro.net">verapinheiro@verapinheiro.net</a></p>
<p>Nunca tiveste a sensação de que teu idioma nativo é javanês ou tadjique, porque a outra pessoa não entende absolutamente qualquer palavra do que dizes? Que és um desconhecido entre os que te cercam? Um extraterreno perdido num mundo que não te reconhece? E que, por mais que te expliques, não és compreendido? É possível que sim. Curioso é que avançam e se diversificam os meios de comunicação e as pessoas se distanciam umas das outras por terem perdido a capacidade de dialogar e de tentar, ao menos tentar, entender seus semelhantes. Faltam boa vontade, acolhimento e paciência. O que acontece? Serão os egos se digladiando em voz alta? Necessidade de se situar, de se impor, de afirmar-se perante o que é? Medo de perder posições ou de ser subjugado?</p>
<p>Quando a gente fala e fala e fala, mas não é ouvido, é melhor praticar o silêncio. Uma prova duríssima, aliás, porque queremos ser donos da verdade de razão e ter a última palavra. Gostamos de estar certos, e é extremamente difícil reconhecer que erramos, que temos de reconsiderar os atos e aceitar que somos passíveis de equívocos e interpretações precipitadas. Oh, que vaidade imensa nos invade a cada momento!</p>
<p>A que nos submetemos até o crescimento espiritual que nos faz calar diante do vozerio que deturpa o que dizemos, transforma nossa manifestação em discurso que não elaboramos e nos entrega uma agressividade inesperada&#8230; E que sacrifício impomos aos que estão ao redor quando não desenvolvemos a humildade, a serenidade e a percepção de que cada um tem seus motivos para agir e ser como é. </p>
<p>Temos dois ouvidos, dois olhos e uma boca. Não foi em vão a dotação divina, muito bem distribuída, dos sentidos humanos. Ouvir mais do que falar revela sabedoria. Mas quanto isso nos custa por sermos ainda tão pequenos no aprendizado rumo à totalidade do ser! Como é árduo não expressar o que gostaríamos e que, talvez, devesse ser escutado. </p>
<p>Porém, conforme o provérbio popular, “nada como um dia depois do outro e uma noite no meio”&#8230; O decurso do tempo, as experiências, os solavancos, desencantos e desencontros são valiosos instrumentos de ensino. É melhor calar do que se arrepender do que foi dito, e se as palavras se espalham com o vento, o silêncio evita a flecha que fere de morte o sentimento alheio. É necessário exercitar a benevolência com quem ainda não sabe tudo e, principalmente, admitir as nossas imperfeições a fim de manter a calma no caos. </p>
<p>Silenciar exige domínio das próprias emoções, o que é dificílimo, porque não desejamos contê-las ou não conseguimos refreá-las, treinados que fomos para erguer espadas, não para oferecer flores, nos defendendo de modo exagerado e inconveniente, não raro. É uma atitude de grandeza extremamente rigorosa, quase um gesto de bravura, porque contestar, revidar, confrontar, contrapor e refutar se tornaram obrigações diante da aparência de que o silêncio demonstra fraqueza, sucumbência, covardia. Mas não é! Não é mesmo! O valor do silêncio está na força de que ele se reveste. Não precisamos responder as provocações, contestar todas as ofensas, replicar tudo o que ouvimos.</p>
<p>Silenciar é se ouvir e se fortalecer. E abrir a boca só quando se tem certeza, como dizia Ofélia, uma personagem cômica. Mas certeza, afinal, quem pode dizer que tem? É mais sábio silenciar do que esbravejar. Em algumas circunstâncias nada é mais constrangedor do que o silêncio. Às vezes, ele é a única resposta, e a mais lancinante. </p>
<p>Silenciar, porém, não é simplesmente fechar a boca e recusar-se a conversar. É entrar em contato consigo e se avaliar. É apaziguar o coração, acalmar as emoções, revisar a conduta, conectar-se profundamente com o Eu divino que habita em todos nós. É aquietar a mente e conter o impulso de proferir o que possa machucar outrem e nos causar arrependimento mais tarde. É introspecção, centramento e liberdade de voar no íntimo para buscar soluções que nem sempre as palavras oferecem. É amadurecer e ampliar o entendimento que o grito não deixa alcançar. É aguçar os outros sentidos e fazer uma boa conversa conosco para reaprendermos o diálogo com os demais.</p>
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