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COLUNISTAS

A (in)segurança pública

James Pizarro

por James Pizarro em 21/07/2016

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Nos anos dourados da década de 1960 imperava a tranquilidade nas ruas e praças da cidade. Mas não a solidão. Muito menos o abandono. Ou a escuridão. Os jovens universitários e os estudantes do ensino médio - depois dos bailes, aniversários, reuniões-dançantes, encontros em bares nos fins de semana – costumavam ficar sentados ao longo da Avenida Rio Branco e Praça Saldanha Marinho para conversas sobre política, namoro, literatura, fofocas em geral. E para degustar no final da madrugada os famosos cachorros-quentes de linguiça de porco com mostarda.

Jamais algum vizinho precisou chamar a polícia por balbúrdia, algazarra, briga, bebedeira, consumo de droga por causa daqueles inocentes encontros de jovens estudantes que orgulhavam a cidade. E os estudantes jamais se sentiram ameaçados por estarem na rua durante a madrugada. Nunca se soube de algum assalto, roubo e muito menos um assassinato.

Passaram-se os anos. Chegamos ao esperado terceiro milênio. Em matéria de segurança o que ocorreu no Brasil em geral? E Santa Maria, em particular? Crescemos que nem rabo de cavalo: para baixo!!! As famílias vivem gradeadas dentro de casa, com câmeras de vigilância, cães de guarda, cercas elétricas, vigilantes, portões eletrônicos, uma série de dispositivos eletroeletrônicos para defesa. Estamos na metade do ano e já ocorreram 32 assassinatos em nossa cidade. Quantos terão morrido até 31 de dezembro?

Tira-se a vida de uma mocinha a facadas por causa duma bolsa. Dois dias depois mata-se outro com cinco tiros. Dias antes encontram cães comendo restos do cadáver de um idoso desaparecido no morro de Santo Antão. Depois mais uma estudante desaparece. E para coroar a semana o ônibus de uma empresa de turismo é assaltado antes de iniciar a viagem com comerciantes santa-marienses, todos são assaltados, roubados, motorista agredido, carros incendiados.

Os policiais e militares responsáveis pela segurança continuam em desvantagem diante dos bandidos e fazem o que podem, pois são mal remunerados há anos, armamentos ultrapassados, carros e combustível insuficientes, efetivo muito aquém do que aquele necessário, sem perspectivas de melhora imediata.

Fala-se que de cada estado brasileiro irão como cedidos para o Rio de Janeiro um grande número de policiais e militares para trabalharem na segurança das Olimpíadas. Para engrossar as fileiras de segurança no RJ vão diminuir ainda mais as já combalidas forças de segurança dos municípios brasileiros. Os bandidos já estão sabendo disso há horas. Precisa ser Mãe Diná para saber o que vai acontecer?

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