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COLUNISTAS

A enfermagem

James Pizarro

por James Pizarro em 15/09/2016

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Não existiam escolas de enfermagem no Rio Grande do Sul. Nem se pensava em cursos superiores na área. Eram os anos 1940 e 1950. Meu pai, Alfeu Cassal Pizarro, fez muitos estágios em hospitais e em consultórios médicos. Aprendeu - na prática - a ser instrumentador de cirurgias. Aplicar injeções. Fazer curativos e suturas. Atendia acidentes com animais venenosos. Sempre supervisionado por médicos amigos, comprou bibliografia recomendada por eles. Assistiu centenas de palestras sobre temas médicos e paramédicos. Até que, uma vez avaliado pelos órgãos competentes da época, recebeu uma portaria assinada pelo Dr. Getúlio Dorneles Vargas que lhe conferia o título profissional de “Enfermeiro Prático Licenciado”. Possuo este documento carinhosamente guardado nos meus arquivos.

Foi contratado pela Secretaria Estadual da Saúde do RS e efetivado, depois do competente estágio probatório. Serviu ao então chamado Centro de Saúde número 7, com sede em Santa Maria, onde foi responsável pela sala de vacinações durante mais de 40 anos. Também trabalhou, desde a fundação, no então SAMDU - Serviço Médico Domiciliar de Urgência, criado pelo presidente João Goulart. Com a extinção do SAMDU (pela revolução de março de 1964) foi transferido para o recém criado INPS, hoje INSS, onde exerceu a chefia do serviço de enfermagem até a sua aposentadoria.

Meu pai jamais recebeu uma advertência, nunca faltou ao serviço, nunca recebeu uma acusação de imperícia. Pelo contrário, recebeu uma medalha de “honra ao mérito” das mãos do presidente do INSS por ocasião da sua aposentadoria pelo fato de jamais ter tirado atestado médico ou faltado ao serviço. Por que estou falando sobre essas lembranças todas.


Porque estou estupefato com a quantidade de queixas contra enfermeiros profissionais. Queixas e denúncias que aparecem na TV e nos jornais quase que mensalmente. E olha que são enfermeiros formados em curso universitário, grande número deles com especialização e mestrado. Compulsando os dados do COREN - Conselho Regional de Enfermagem, de São Paulo, observa-se que entre 2005 e 2010 foram registradas 980 queixas contra estes profissionais. O que dá a impressionante média de um enfermeiro acusado a cada dois dias no estado de SP. Em 20 destes casos, o paciente morreu ou ficou com lesões definitivas. Nos últimos meses, no centro do país, uma enfermeira deveria aplicar soro numa adolescente e trocou o frasco, aplicando vaselina líquida, matando a paciente. Outra enfermeira decepou a extremidade do dedinho de uma criança de um ano de idade ao retirar um curativo.

Graças a Deus, as centenas de enfermeiros formados nas universidades santa-marienses e que aqui prestam seus valiosos serviços são de excepcional nível profissional. Neste aspecto da enfermagem, a cidade constitui-se num ponto de referência no Rio Grande do Sul.

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