Aguarde...
ENVIAR POR E-MAIL

Cultura

A “responsa” de fazer arte respeitando o próximo

Projeto conscientiza jovens e ressalta sobre a diferença entre arte e vandalismo

por Cassiano Cavalheiro em 06/01/2017 09:49

Compartilhar:

Mais opções

Projeto Pintando com Responsabilidade é direcionado a estudantes de escolas municipais (Foto: Maiquel Rosauro / Especial / A Razão)
Projeto Pintando com Responsabilidade é direcionado a estudantes de escolas municipais (Foto: Maiquel Rosauro / Especial / A Razão)

Basta dar uma volta por Santa Maria para perceber que não são poucos os prédios, casas, monumentos, patrimônios públicos e privados que foram pichados por toda a cidade. Mesmo nos locais mais improváveis e altos, a pichação está presente.

Foi com o objetivo de desenvolver uma atividade para a alfabetização artística, para sensibilizar e, principalmente, para proporcionar a crianças e adolescentes um encontro com a arte, que o Banco da Esperança, em parceria com o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (Comdica), criou o projeto “Pintando com Responsabilidade”. A atividade foi direcionada a estudantes de nove a 17 anos, de escolas municipais, estaduais e particulares, com o intuito de disseminar o respeito e a arte.

Conforme a professora de arte Vanuza Borges Coelho, entendendo o que é arte, os jovens tiveram a oportunidade de compreender a diferença entre pichar e grafitar, arte mural e vandalismo.

Ao longo do ano, a professora orientou e ensinou aos 17 inscritos, na teoria e na prática, o que era desenho, cor, grafite, perspectiva, luz e sombra, entre outras técnicas. Depois, eles puseram as lições em prática em muros da cidade, de forma artística e consentida.

A atividade iniciou em dezembro de 2015 e chegou ao fim em dezembro do ano passado. Mas, os participantes estão tão envolvidos com a proposta que deram continuidade às atividades de pintura neste início de 2017 para concluir os compromissos assumidos.

Nesse período, o grupo pintou dois painéis na sede do projeto, no Centro Social Madre Francisca, dois painéis na Galeria Gaiger (na Alberto Pasqualini), e eles estão concluindo um painel na parede da Constinta da Avenida Dores. O próximo trabalho, que marcará o encerramento da atividade, será produzido no escritório de arquitetura KIVVE, ainda este mês.

Thiago Silva, 12, Walério da Silva, 13, e os gêmeos Daniel e Igor Silva, 14, são alguns dos jovens que participam do projeto que incentiva a arte legalizada (Foto: Maiquel Rosauro / Especial / A Razão)

Os gêmeos Igor e Daniel, 14 anos, e o irmão mais novo Thiago, 12 anos, filhos de Alexe Cornélio Silva, 43 anos, fazem parte da atividade. Para a mãe, o projeto é de extrema importância e trouxe muitas experiências positivas para sua família. “A atividade leva aos jovens a responsabilidade por meio da informação. Trazendo vivências e tirando os jovens da pichação e atraindo para o mundo das artes. Lá em casa eu sentia nos guris, a cada pintura, uma ansiedade, uma empolgação, em vê-los expressando seus dons, sua arte, de forma bonita, correta e reconhecida”, resume.

Conforme a professora, toda a turma tem grande potencial. Prova disso é que a arte deles já está chamando a atenção de outras pessoas. Thiago, 12 anos, gostou de fazer parte da atividade, aprendeu muito sobre pintura e já se imagina ganhando dinheiro, trabalhando com isso. “É uma questão de tempo para que eles comecem a pintar e a ganhar dinheiro com a sua arte”, acredita Vanuza.

Resgate de valores

A assistente social do Banco Da Esperança – Ação Social, Ione Rossi Pahim, trabalha há décadas com projetos sociais e havia percebido nos jovens uma falta de limites em seus atos. Ela acredita que o projeto auxiliou o grupo de várias maneiras. “Muitas vezes, quem picha faz sem pensar. Pela emoção. Escrevem por escrever, registrando sua revolta, inquietação ou angústia. São sintomas da perda de valores, do desapego aos laços familiares. Com o projeto propomos esse regate de valores, com o objetivo de uma nova qualidade de vida. A aprendizagem foi coletiva”, resume.

Objetivo parcialmente atingido

Para o projeto concluir seu objetivo plenamente, as idealizadoras acreditam que ele precisa ter continuidade e, assim, atingir cada vez mais jovens. Por isso, elas não estão satisfeitas e querem mais. Para 2017, elas aguardam a abertura de editais da Prefeitura para inscrever o projeto e viabilizar a continuação da atividade.

Lei antipichação

Em julho de 2015, o então prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, sancionou a lei conhecida como lei antipichação. A partir de então, quem for flagrado pichando pela primeira vez terá de pagar multa de R$ 2,7 mil. Em caso de reincidência, a multa é de R$ 5,4 mil. Os pichadores também terão de arcar com os reparos. Conforme o projeto, se a infração for cometida por adolescente, o conselho tutelar acompanhará o caso e os pais terão de pagar a multa.

Antes da lei ser aprovada pela Camará dos Vereadores, a pichação era considerada crime ambiental. O número de telefone 153, passou a receber denúncias de pichação e de vandalismo. Conforme a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Santa Maria, até outubro de 2016, a cidade registrou seis denúncias: uma em janeiro, uma em fevereiro, uma em março, duas em maio e uma em junho.

Comentários

Participe enviando seu comentário sobre a notícia