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Cultura

Leitura coletiva, compartilhada e animada

Clubes estimulam a leitura, mas também facilitam novas amizades, diferentes experiências e debates

por Luísa Kanaan / Especial em 18/02/2017 10:54

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Nos clubes, como no Companhia de Papel, há pessoas de todas as idades e profissões, o que enriquece o debate (Foto: Arquivo Pessoal)
Nos clubes, como no Companhia de Papel, há pessoas de todas as idades e profissões, o que enriquece o debate (Foto: Arquivo Pessoal)

Clube Athenados é aberto, basta checar na página do Facebook qual a leitura do mês e participar do encontro que acontece na livraria Athena (Foto: Reprodução / A Razão)

Tem histórias que precisam ser debatidas, não só por diversão mas também para ampliar nossos próprios horizontes. E para isso nada melhor do que ter um grupo de amigos que se reúna com esta proposta. Alguns enredos são o estopim desses grupos e, para a funcionária pública Camilla Brites, 32 anos, ler Frankenstein, de Mary Shelley, em 2012, foi decisivo para fundar o clube de leitura Companhia de Papel, que, com cinco anos de funcionamento, já reúne 11 pessoas e muitas histórias.

“Nos clubes temos diversos pontos de vista pois são idades, profissões e experiências diferentes. Já fizemos reuniões com comidas típicas de onde se passavam as histórias. O clube surgiu porque queria compartilhar a leitura com mais pessoas. Um tempo depois saiu no jornal e algumas pessoas me procuraram.

Todos os encontros dos clubes que Camilla fundou são registrados em atas com fotos e assinaturas dos presentes nos debates (Foto: Deivid Dutra / A Razão)

Elas até hoje são integrantes e os laços que fizemos nos clubes vão além dos livros, se formaram amizades”, conta Camilla, que em seguida fundou o Entre Aspas e o Athenados.

A publicitária Bruna Cipriani Luzzi, 29, foi uma das que procurou o clube de Camilla, e algum tempo depois passou a ser coordenadora do Clube de leitura Athenados, único deles que é aberto ao público. “Vi no jornal, contatei a Camilla e fui num encontro. Foi muito diferente porque era uma casa e gente diferente, mas foi ótimo”, lembra a publicitária

No clube que ela coordena, há um público fixo e um flutuante de cerca de 20 pessoas que vão debater livros que gostam mas também conhecer novas leituras. “Variamos os autores, nacionalidades e tamanhos dos livros para sair do convencional. Há pouco debatemos O Hobbit, que se não posse o clube eu não teria lido”, conta Bruna. No Athenados desde 2015, Maria Luiza Guerra, 29, conta que se apaixonou pelo grupo.

“O espaço respeita a opinião de todos e o melhor do clube é que eu leio autores que jamais iria ler fora desse grupo”, avalia Maria Luiza.

Como funcionam os clubes?

O Entre Aspas e o Companhia de Papel são clubes fechados, mas o Athenados é aberto e você pode conferir quais as próximas leituras através da página no Facebook e depois ir no Café Athena participar dos debates que acontecem na primeira quinta de cada mês. O primeiro clube citado se reúne na primeira terça do mês em estabelecimentos comerciais, e o segundo, no primeiro domingo do mês na casa de um membro.

Os livros são escolhidos através de votação entre os participantes. Nos clubes fechados, cada integrante pode sugerir três livros. “Assim o clube fica com a cara dos membros e é um método democrático”, conta Camilla Brites. No Athenados, Bruna Luzzi explica que as regras são diversificar autores e nacionalidades e no fim de cada reunião os presentes sugerem tópicos de interesse para próximas leituras.

“Também variamos os tamanhos dos livros para motivar os leitores”, conta Bruna.

Depois tudo vai para votação. Nos encontros mensais, as coordenadoras dos clubes, Camilla e Bruna, anotam tópicos de interesse ou mesmo perguntas para estimular os integrantes a falar. “Leio o livro e me instruo sobre ele para agregar na conversa. Ninguém está lá discutindo como especialista, mas sim como amantes da leitura, então busco informações para despertar novos pontos de vista. Muitos participantes também procuram informação extra”, comenta Bruna.

Outro ponto interessante dos clubes é o comprometiment com a leitura, mas se você não conseguiu ler todo o livro pode participar mesmo assim. “O máximo que vai acontecer é saber o final”, brinca Bruna.

Mudança de hábitos

Para quem quer criar o hábito de leitura, os clubes são uma ótima oportunidade, pois é preciso se comprometer em ler um livro para debatê-lo no mês seguinte. A bióloga Tatiana Kuplich procurou o clube para disciplinar as leituras e encontrou novos amigos.

“Com casamento e filhos desorganizei as leituras, mas o clube foi uma maneira excelente de disciplina-las e ainda fiz amizades de alto nível”, comenta Tatiana que mesmo quando morou fora participava dos debates por Skype.                     

A leitura também cria empatia, conforme Camilla, pois faz o leitor se colocar no lugar do personagem e também ajuda a transformar quem lê. Já os debates são uma rica troca de experiências. “Cada pessoa tem uma interpretação da obra dependendo das suas experiências de vida e a leitura só vai transformar se algo tocar na vivência dela. Uma obra de ficção pode ser transposta para a realidade assim como uma história do século 19 pode fazer uma ponte com o presente”, analisa Camilla.

 

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