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	<title>ARAZÃO &#187; crônica</title>
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	<description>A Razão 76 Anos</description>
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		<title>O cachorro e a chave</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 02:06:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Máximo Trevisan]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Como já era hora de fechar o estabelecimento, resolveu ir atrás do cão e ver para onde levaria as salsichas]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Máximo Trevisan</strong></p>
<p>Conta-se que, num fim de tarde, um cachorro, ágil e adestrado, entrou no açougue, trazendo  um bilhete, na boca, com um pedido:  que fosse mandado,  pelo portador, uma dúzia de salsichas.  Após cair em si, mesmo estranhando a demanda, o açougueiro percebeu que havia dinheiro junto ao bilhete. Separou, então, as salsichas, colocou-as dentro de um saco plástico com o troco do dinheiro recebido, e entregou a encomenda ao surpreendente cachorro.</p>
<p>Como já era hora de fechar o estabelecimento, resolveu ir atrás do cão e ver para onde levaria as salsichas. Ao chegar frente a uma bonita casa, o animal começou a forçar a porta de entrada.  Não obtendo êxito, dirigiu-se à janela, mas o resultado foi igual. Aí, ainda com o pacote de salsichas na boca, pulou o muro ao lado e foi até o fundo da casa, ao encontro do seu dono.</p>
<p>Passados alguns instantes, apareceram os dois na frente da casa, o dono batendo no cão. O açougueiro, diante da agressão, que entendeu muito injusta, falou ao agressor, perguntando por que tratava assim quem o atendia de forma tão extraordinária, sendo capaz de ir buscar salsichas num açougue. A resposta veio pronta: “Já é a segunda vez que esse animal esquece a chave da porta da frente da casa, e eu tenho de vir abri-la por causa disso.”</p>
<p>Como todas as histórias, essa também tem a sua moral: por mais que você tenha um desempenho especial ou até sensacional, haverá quem entenda que você fez menos do que poderia ou deveria fazer! E também se pode concluir: por mais que você queira atender a todos e em tudo, sempre haverá quem entenda que esqueceu a chave, quando, na realidade, você tentou fazer o melhor!</p>
<p>Vale, ainda, pensar, especialmente quando  você compara os amadores com os profissionais, que o desempenho dos profissionais será julgado sempre o melhor.Então, seria oportuno lembrar, por exemplo, que a Arca de Noé foi feita por amadores, enquanto o Titanic foi construído por profissionais. Todos  sabemos qual afundou.</p>
<p>Essa história ouvi, no dia 30 de janeiro de 2009, na TV Gazeta, no final do Programa Papo de Amigos, quando passava uns dias de férias na linda e prazerosa praia de Camboriú.  Hoje, ao lembrar o que ouvi e passá-lo ao papel, chego à conclusão de que,  mesmo não passando de uma fábula, essa história traz uma mensagem muito real e verdadeira. Afinal, quantas vezes e em quantas ocasiões, eu/você já não fizemos o papel do cachorro, procurando o melhor e, mesmo assim, não recebemos pancadaria por palavras e sentimentos agressivos, não fomos destinatários de uma severa e ácida crítica, carentes de elogio? </p>
<p>Quantas vezes, tantos investem  vida na construção de arcas , como simples operários amadores, enquanto outros, os construtores de Titanic, como “profissionais, os melhores”,  tanto na área pública como na particular, levam ao desastre os convidados e quem pagou caro pela viagem? A crise atual não é, por acaso, resultado de profissionais, de especialistas, de construtores de Titanics, de líderes de mercado?</p>
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		<title>Lembrar é necessário</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 01:54:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Padre Xiko Bianchini]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Padre Francisco Bianchini
Lembro com emoção, admiração e respeito de todas aquelas pessoas que, muitas vezes no silêncio, no anonimato, são presença decisiva na vida dos sofredores,  humildes e desprotegidos. 
Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, sem perguntar até quando vai o trabalho, sem perguntar se é difícil, se terá resultado positivo, investem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Padre Francisco Bianchini</strong></p>
<p>Lembro com emoção, admiração e respeito de todas aquelas pessoas que, muitas vezes no silêncio, no anonimato, são presença decisiva na vida dos sofredores,  humildes e desprotegidos. </p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, sem perguntar até quando vai o trabalho, sem perguntar se é difícil, se terá resultado positivo, investem tempo dinheiro e, sobretudo, amor generoso.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que tiram tempo para dedicar-se aos mais desprovidos,  carentes e muitas vezes indefesos.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, apesar das dificuldades e desafios, trabalham sempre com um sorriso nos lábios e alegria no coração.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, podendo tirar para si, para o seu lazer ou descanso, dedicam seu tempo aos pequeninos.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, não podendo dar de seu tempo, oferecem seu poder aquisitivo, seu tesouro material.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, mesmo com dificuldades pessoais, são capazes de ajudar os demais.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que sempre tiram tempo par servir, mesmo estando sobrecarregados de atividades.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que não sabem dizer não, que estão sempre disponíveis para servir à comunidade, mesmo quando não são suficientemente compreendidos.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que são incansáveis no serviço ao bem comum, mesmo quando não recebem gratificações.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que não calculam, não perguntam se  outros deveriam estar em seu lugar.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, depois de terem feito de forma generosa e gratuita, ainda pensam que devem agradecer pela oportunidade recebida.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que primam pela fidelidade, que estão sempre prontas para servir, que não necessitam ser convidadas, mas se oferecem espontaneamente para ajudar. </p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas silenciosas, mas eficientes e prestativas. </p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que, onde estão, criam ambiente de união, fraternidade, alegria e descontração.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas pessoas que sempre têm uma palavra de apoio, de estímulo e de encorajamento.</p>
<p>Lembro com admiração e respeito daquelas que são companheiras de todas as horas, são lenitivo, conforto e segurança.</p>
<p>A todas essas pessoas, minha profunda admiração e respeito. </p>
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		<title>O voo do pássaro</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 01:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vera Pinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Contrariando a suspeita de mau tempo duradouro, a lua se exibiu inteiramente bela no céu sem qualquer nuvem]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vera Pinheiro</strong><br />
<a href="mailto:verapinheiro@verapinheiro.net">verapinheiro@verapinheiro.net</a></p>
<p>Em certo dia do início do ano e no fim das minhas férias, choveu muito e a noite chegou cedo. Mais tarde, contrariando a suspeita de mau tempo duradouro, a lua se exibiu inteiramente bela no céu sem qualquer nuvem. Eu a contemplei como sendo uma homenagem aos olhos e um afago de luz ao coração e, então, pensei: quantos ainda olham o céu e se extasiam com o que veem? Quantos se extasiam ainda? Quantos ainda veem? Prisioneiras de suas angústias e sufocadas por pensamentos limitantes, hábitos caducos e conceitos de que não se desvencilham, as pessoas estão cada vez mais voltadas para si mesmas e perdem o espetáculo que a vida traz por meio das manifestações da natureza.</p>
<p>Durante a chuva intensa, demorei-me na janela a olhar um pássaro que tentava voar, embora tivesse as asas molhadas. Não sabia se ele estava bem ou se precisava de abrigo. Pensei em trazê-lo para dentro de casa, mas esperei ver se conseguiria voar sozinho. Acompanhei o seu esforço em não ficar paralisado, antes de tomar o rumo que me fez desistir do intento de ampará-lo.</p>
<p>Ele se equilibrava sobre o muro e pensei que pudesse estar doente. Porém, me surpreendeu ao sacudir rapidamente as asas frágeis para retirar a água de seu corpo delicado. Depois, voou para a copa de uma árvore, onde se encontraria mais seguro, e ali ficou até que a chuva serenasse.</p>
<p>Eu me revirava à procura de respostas para dúvidas acerca de um momento e o pequenino pássaro trouxe-me uma lição: quando a tempestade forte encharca os nossos sonhos, temos de nos permitir um tempo de análise até decidir o que fazer e para onde ir. Se ficarmos parados, inertes e sem coragem, a tendência será sucumbir à chuva implacável dos descontentamentos.</p>
<p>Ao nos sentirmos em estado de fragilidade, o vigor interno que nos abastece e anima deve ser reativado. Precisamos sacudir as asas, recuperar a vontade e voar na direção do que queremos! É de bom senso esperar que o temporal passe (e sempre passa), colocando-nos em posição que garanta sobreviver aos torvelinhos e que, também, nos fortaleça para voos lindos e sem amarras.</p>
<p>Somos pássaros humanos em busca do que almejamos. Não deixemos que nossas asas se percam, atrofiem ou pesem sobre nós, pois isso nos incapacita a voar. Nada detém o voo de quem sabe que, sacudindo o que atrapalha as situações, tudo fica mais fácil e leve como deveríamos ser, livres para viver a plenitude que está ao nosso alcance, perto, no sonho que ansiamos por realizar.</p>
<p>O pássaro visitou a paisagem da janela e deu uma saudação à vida, mostrando que não importam quantas dificuldades atravessamos, mas o que aprendemos; que os problemas são mitigados se a fé não se esgota diante deles, que o futuro se apresenta como chance de felicidade não obstante a tristeza que abala o presente.</p>
<p>A confiança no que somos abre perspectivas de concretizar amanhã o que hoje não podemos. Nas circunstâncias que parecem derrubar o nosso espírito, olhemos em volta para descobrir um refúgio, mas a duração da permanência nele é o da cura das dores, mágoas, decepções, não a eternidade em que nos resguardamos, adiando o que é necessário ser feito por medo de enfrentar o novo, o vir a ser das novas experiências.</p>
<p>A vida não merece converter-se numa toca em que se enfiam ilusões sem resolvê-las. Até pode ser confortável esconder-se do mundo, mas isso não impede que ele gire, e o que nos transforma, malgrado fustigue a alma, serve ao nosso crescimento. </p>
<p>Entre um voo e outro, havemos de dar recesso às asas do querer, um merecido período de descanso, um mergulho de introspecção para avaliar as metas, repouso à mente para amplificar o entendimento e, assim, redefinirmos caminhos a seguir e quais escolhas fazer dali em diante. Voar em torno do sofrimento sem vislumbrar o horizonte é impedir que alcancemos o que está a nossa espera. Voemos, pois, deixando que os outros voem em paz, mesmo que não sigamos juntos. </p>
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		<title>Criatividade</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/11/criatividade/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 22:43:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Candinho]]></category>
		<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[O mês de fevereiro já vai praticamente pela metade e a Terra continua seu giro pelo espaço e a vidinha nossa de cada dia continua sua jornada em direção ao amanhã]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Antônio Cândido Ribeiro</strong></p>
<p>Pois é (gosto de começar crônicas com “pois é”), o mês de fevereiro já vai praticamente pela metade e a Terra continua seu giro pelo espaço e a vidinha nossa de cada dia continua sua jornada em direção ao amanhã. Em síntese, apesar dos óbvios reflexos negativos na vida de milhões de pessoas pelo mundo afora, a tal crise da economia mun-dial (tsunami para uns, marola para outros) não fez o mundo parar nem acabou com a vida em nosso planeta. Ao contrário, mostrou que, a despeito da globalização, é possível encontrar soluções para problemas comuns a todos, respeitando as peculiaridades sócio-econômicas (esse hífen vai dançar, não é?) e culturais de cada país. </p>
<p>Aliás, de rigorosamente comum, no enfrentamento da dita crise, viu-se o socorro estatal a empresas e instituições financeiras privadas, como que para mostrar que o Esta-do, que muitos querem mínimo e afastado do deus mercado, precisa controlá-lo de algu-ma forma, através de processos regulatórios demonizados pelos defensores mais exacer-bados da livre iniciativa. Sem a presença reguladora do Estado, como querem grandes e pequenos capitalistas e especuladores, a economia global quase foi para o saco. Só na hora aguda da crise é que banqueiros, financistas e grandes empresários, de chapéus nas mãos, se deram conta de que a malversação dos recursos econômicos postos a disposição deles, inevitavelmente acabaria produzindo os resultados que produziu. Houvesse maior presença do Estado nas relações econômicas, houvesse regulação na macro-economia (mais um hífen que bailará!) e, certamente, a crise, se ocorresse, seria muito menor e teria conseqüências muito menos nefastas pata todos. </p>
<p> Mas não estou aqui para falar de Economia, que é tema árido e complexo. Quero é falar da vida, da vida que não se submete a regras ditadas por “sábios” poderosos e en-dinheirados. Da vida que nos surpreende, que se renova, que nos refaz, que se recicla e permite que nos reciclemos, que nos reanima, que se reorganiza no espaço infinitesimal do núcleo de um átomo. Quero é falar da vida que está nas ruas, nos bares, nos lares, nas gares. Da vida que há na asa do pássaro, na água que brota da fonte, no sorriso da menina bonita, que desfila com ar de quem se sabe inacabado projeto de deusa.</p>
<p>É, a vida é maior que a Economia; é maior que a reforma ortográfica. A vida é maior que os possíveis efeitos eleitorais da plástica da ministra Dilma e é maior que a popularidade do Presidente Lula, cada vez mais sofisticado e mais idolatrado pelo povo. A vida é maior que a febre amarela, que mata bugios e se alastra pelo pampa, e é maior que as reações orgânicas provocadas pela vacina que nos  imuniza contra ela (são tantas as reações, que mesmo quem não se vacinou “sente” seus efeitos). Virou desculpa para tudo, especialmente para a preguiça e para a ressaca. Mas, que graça teria a vida sem cria-tividade? </p>
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		<title>Os irmãos Karamázov</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/10/os-irmaos-karamazov/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 21:42:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Biasoli]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Acho que esse é um dilema que a maioria dos leitores enfrenta a cada verão que se inicia: o que priorizar, Platão ou Agatha Christie?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Vitor Biasoli</strong></p>
<p>Há uma idéia generalizada de que as leituras de verão devem ser necessariamente leves, puro entretenimento. Para aqueles que passam o ano envolvidos com leituras pesadas, então, isto é quase uma obrigação. Por outro lado, o verão (especialmente quando coincide com férias ou, ao menos, com um ritmo menos intenso de atividades) é um período que sempre pode ser melhor aproveitado. O tempo ideal para encarar um ou outro dos “100 autores que você precisa ler” (subtítulo de um guia de leitura editado pela L&#038;PM), um ou outro dos “100 livros essenciais da literatura mundial” (título de um número especial da revista “Bravo!”). Tempo para sossegar a nossa consciência de leitor e enfrentar (ou concluir) a leitura do “Decameron” ou “Dom Quixote”, “Guerra e paz” ou “Crime e castigo”, e assim por diante. Livros que aprendemos a reconhecer como fundamentais (isto pra quem acha que a leitura de romances, contos e poesia é fundamental, claro) e para os quais muitas vezes faltou tempo ou disposição.</p>
<p>Acho que esse é um dilema que a maioria dos leitores enfrenta a cada verão que se inicia: o que priorizar, Platão ou Agatha Christie? Da minha parte, desta vez resolvi encarar um peso pesado como Dostoiévski: “Os irmãos Karamázov”. Li – e patinei na leitura, verdade seja dita – a recente tradução lançada pela Editora 34. Um texto, segundo o tradutor Paulo Bezerra, que busca recriar o estilo dostoievskiano: “às vezes meio tosco”, com períodos longos, volteios sintáticos bruscos e “pontuação pouco usual para mentes educadas pela chamada boa escrita”. </p>
<p>A narrativa é extensa, minuciosa, complexa e, claro, exige do leitor. Ao mesmo tempo, fascina devido à galeria de personagens e, especialmente, à trama cabeluda: o parricídio. Nesse sentido, torna-se quase um romance policial: o da investigação a respeito de qual dos filhos é o assassino. Como diz Ivan, um dos irmãos: “Quem não deseja a morte do pai? (&#8230;) Todos desejam (&#8230;). Não houvesse parricídio, e todos ficariam zangados e sairiam por aí furiosos&#8230;” (p. 888).</p>
<p>Pois encarei esse peso-pesado da literatura e lembrei de um antigo professor de filosofia que, uma ou outra vez, encerrou sua aula com uma referência ao livro. Ele citava o discurso final de Aliocha (o mais religioso dos irmãos), dizendo de que uma boa lembrança vivida e trazida da casa do Pai (do mesmo Pai que todos desejam matar) “só isso já nos poderá servir como salvação” (p. 996).</p>
<p>Uma leitura poderosa para os dias de verão. Leitura capaz de nos colocar em sintonia com grandes temas: a morte do pai e a busca da salvação. Uma e outra marcadas por dúvidas e sofrimentos que Dostoiévski narrava sem medo e com alguma volúpia, provavelmente certo de que é na investigação destes aspectos da vida que encontramos a nossa humanidade.</p>
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		<title>O livro e computador</title>
		<link>http://www.arazao.com.br/2009/02/09/o-livro-e-computador/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Feb 2009 22:23:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal A Razão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunistas]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Brum dos Santos]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro Brum dos Santos
Castro Alves, no século XIX, numa expressão típica de nosso fastio de letramento, conclamava, em versos inflamados, bem ao seu estilo: “bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar!”
Cem anos depois, no correr dos anos 70 do século passado, Quino, o cartunista argentino, destinava, ao mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Brum dos Santos</strong></p>
<p>Castro Alves, no século XIX, numa expressão típica de nosso fastio de letramento, conclamava, em versos inflamados, bem ao seu estilo: “bendito o que semeia livros, livros à mão cheia, e manda o povo pensar!”</p>
<p>Cem anos depois, no correr dos anos 70 do século passado, Quino, o cartunista argentino, destinava, ao mesmo tema, um olhar de revés, revestindo-o do seu característico humor implacável. A situação é vivida por Mafalda, a garotinha criada pelo gênio de Quino, a quem o amigo Manolito indaga: “Que vais dar à tua mãe no dia das mães?” “Um livro”, responde-lhe a menininha. “Ora”, replica o outro rindo, “deixa de lorotas. Pensas que eu não sei que ela já tem um?”</p>
<p> A situação de ter ou de dar livros, nos dias que correm, modificou-se drasticamente com a presença onipotente do computador. É cada vez maior o número de obras encontradas na internet. A sensação é de que, sem demora, todos os acervos estarão on-line. </p>
<p>Essa massiva migração do papel para a tela já começa a ser percebida pelas escolas. Outra dia, no site de uma universidade – acho que paulista – topei com endereços eletrônicos onde interessados podem buscar versão completa de obras indicadas para o concurso vestibular. Já se disse que o computador multiplica e democratiza os acessos em proporções jamais vistas. No caso do livro, a pergunta já é até quando o modelo editorial, baseado no papel, nascido nos alvores no mundo moderno, vai resistir.</p>
<p>As posições sobre o tema são variadas. Há os que falam que a exposição prolongada ao monitor pode ser prejudicial aos olhos. Mas há, do mesmo modo, quem ache necessário trabalhar, no ambiente escolar, o incentivo à leitura através do computador, argumentando sobre as vantagens de se explorar devidamente os ricos cruzamentos de informações que a máquina oferece.</p>
<p>Sou dos que acreditam no apelo do livro como um objeto de desejo – e acho que o formato tem vida longa, mesmo reconhecendo que o computador realiza, a seu modo, o sonho da obra que contém todas as obras. No seu caso, porém, a ponderação que Manolito faz a Mafalda teria o literal sentido da realidade. E perderia a graça.</p>
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